Novo presidente da colômbia assume cargo com foco no combate ao narcoterrorismo

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Estadao.com.br

Abelardo de la Espriella assumiu neste sábado, 8, a Presidência da Colômbia com a promessa de combater o narcotráfico e os grupos armados e de encerrar as negociações de paz iniciadas pelo antecessor, Gustavo Petro. A mudança política na administração nacional deve estreitar os laços entre Bogotá e Washington, superando o período de atritos diplomáticos entre Petro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Advogado de 48 anos, De la Espriella escolheu uma instalação militar em Cali, no sudoeste do território colombiano, para realizar seu discurso de posse, rompendo com a tradição de sediar a cerimônia na capital, Bogotá. Diante de centenas de militares, quatro tanques e dois helicópteros, o novo mandatário declarou que pretende derrotar “sem trégua o narcoterrorismo e todas as organizações criminosas”.

De la Espriella sucede a Petro, que fez história ao ser o primeiro presidente de esquerda da Colômbia, e comandará o país pelos próximos quatro anos. Durante a campanha eleitoral, o atual chefe de Estado defendeu abertamente uma estratégia de segurança focada na força militar contra as facções armadas, além de reiterar o compromisso de abandonar todas as tratativas de paz conduzidas pela gestão passada.

“A opção do diálogo está completamente esgotada”, declarou durante o evento. Conforme o presidente, os grupos marginais terão apenas duas saídas possíveis: “submeter-se ao império da lei ou enfrentar a força decidida do Estado colombiano”.

Amplamente conhecido pelo apelido de “El Tigre”, De la Espriella também detalhou modificações profundas na estrutura governamental e nas diretrizes de segurança pública. Entre as medidas já programadas estão a diminuição do tamanho da máquina estatal, a extinção do escritório presidencial responsável pelos direitos humanos e pela paz, e a intensificação de investidas estratégicas contra cartéis do narcotráfico.

A solenidade em Cali foi cercada por um rigoroso esquema de segurança, mobilizando aproximadamente 11 mil militares e operando um sistema tecnológico antidrones. A região é historicamente marcada por ataques de facções armadas e localiza-se nas proximidades de zonas dominadas por cartéis.

O evento oficial reuniu diversos chefes de Estado, enviados da Casa Branca e chanceleres estrangeiros, incluindo o ministro das Relações Exteriores de Israel. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, também marcou presença na cerimônia de transição de poder.

Durante seu pronunciamento, De la Espriella destacou o objetivo de estreitar a parceria com os Estados Unidos e com nações que compartilham de preceitos democráticos alinhados aos seus. Como reflexo dessa nova fase diplomática, o governo anunciou a adesão oficial da Colômbia ao Escudo das Américas, aliança internacional voltada ao combate rigoroso ao crime transnacional.

Em paralelo, o Departamento de Estado dos Estados Unidos sinalizou a intenção de disponibilizar um pacote de ajuda financeira estimado em US$ 1 bilhão voltado exclusivamente para iniciativas de segurança no país sul-americano.

Essa guinada geopolítica representa uma inversão de rumos em relação ao governo de Gustavo Petro, cuja gestão manteve relações frequentemente tensas com a administração de Donald Trump. Com a nova equipe no poder, a Colômbia retoma o padrão de estreita cooperação militar com Washington que caracterizou o início do século passado, sobretudo durante os anos de forte ofensiva estatal contra as Farc.

Fim das negociações

De la Espriella ratificou que as conversas de paz promovidas por seu antecessor com diferentes grupos armados estão definitivamente encerradas. A administração anterior havia investido em entendimentos políticos com variadas organizações criminosas na tentativa de pacificar regiões conflagradas.

O novo chefe do Executivo aposta na ampliação de operações militares de grande escala e em bombardeios direcionados contra acampamentos guerrilheiros, contando com suporte estratégico de parceiros como Estados Unidos e Israel. Ele também firmou o compromisso de erguer megacárceres inspirados na bem-sucedida experiência recente do governo de El Salvador.

Em contrapartida, a nova política de segurança já atrai críticas severas de entidades de defesa dos direitos humanos, que alertam para os riscos iminentes de abusos contra civis. Analistas e especialistas também demonstram apreensão quanto a possíveis baixas colaterais entre a população residente em locais isolados e de difícil acesso onde as facções costumam se entrincheirar.

No decorrer de seu discurso, De la Espriella convocou as Forças Armadas a buscarem incansavelmente a “vitória” sobre os inimigos do Estado. “Sem a vitória, não há sobrevivência”, pontuou.

Dados consolidados pela Fundación Ideas para a Paz, fundamentados em registros oficiais de 2025, indicam que a Colômbia abriga atualmente cerca de 25 mil combatentes integrados a variadas facções e estruturas armadas ilegais.

Narcocultivos e petróleo

Além da segurança pública, o plano governamental apresentado prevê a erradicação implacável dos cultivos de coca utilizando “todas as vias” possíveis, visto que a Colômbia se mantém firme como a maior produtora global da substância ilícita.

No setor econômico e energético, a gestão recém-empossada planeja expandir de maneira expressiva a exploração de hidrocarbonetos, contemplando inclusive a autorização do fraturamento hidráulico — técnica amplamente conhecida como fracking —, além de propor reduções tributárias direcionadas às camadas de maior renda da população.

A posse presidencial coroa um processo eleitoral extremamente polarizado e decidido por margem estreita. Setores da esquerda, derrotados nas urnas por uma diferença inferior a 1%, já articulam manifestações de protesto em diferentes capitais. Sem contar com maioria garantida no Congresso nacional, De la Espriella precisará adotar uma postura de intensa articulação política com outras correntes partidárias para viabilizar a aprovação de pilares centrais de sua agenda de governo. /AFP

Fonte:: estadao.com.br

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