Alerta da Sanepar sobre descarte de papel higiênico no vaso sanitário

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Foto: Josianne Ritz

Embora as placas de advertência com os dizeres “não jogue papel no vaso sanitário” façam parte da cultura nacional nos banheiros públicos brasileiros, esse tipo de resíduo continua sendo descartado de maneira incorreta na rede de esgoto. A prática recorrente gera um problema grave e bastante conhecido nas cidades: o entupimento das tubulações, que frequentemente resulta nos desagradáveis extravasamentos de esgoto para a superfície das ruas.

O impacto dessa situação foi flagrado recentemente pelo agente operacional da Sanepar, Adriano Faria, durante um serviço de manutenção e desentupimento na rede coletora sob a Rua Deputado Heitor Alencar Furtado, nas proximidades da Rua Paulo Gorski, no bairro Mossunguê, uma região marcada pela alta concentração de edifícios residenciais e comerciais.

Durante a execução do trabalho pesado, o profissional constatou que grande parte da obstrução era composta por materiais que jamais deveriam ter sido descartados ali. “Olha o que a população está jogando dentro da nossa rede: tem muito lenço umedecido, papel higiênico, preservativo, absorvente. O papel higiênico não desmancha. Ele forma uma pasta que, em algum ponto da rede, causa a obstrução”, detalha o agente operacional.

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Diariamente lidando com detritos que terminam nas tubulações por uso inadequado de pias e vasos sanitários, Faria decidiu registrar a situação em vídeo com o apoio de colegas de trabalho. O objetivo da gravação é conscientizar a comunidade sobre os reflexos negativos desse hábito cotidiano, reforçando o pedido para que o papel higiênico e demais resíduos sólidos sejam destinados exclusivamente às lixeiras.

Diferenças culturais e técnicas explicam o hábito

Apesar de ser amplamente instruído por avisos visuais em banheiros públicos e privados, o costume de descartar papel higiênico no vaso persiste entre muitos cidadãos. Especialistas apontam que o comportamento muitas vezes nasce da influência cultural estrangeira. Em nações como os Estados Unidos e a Inglaterra, por exemplo, o padrão aceito é o direcionamento do papel diretamente ao encanamento sanitário.

Nesses países, o sistema de saneamento opera sob premissas diferentes, englobando o conceito dos chamados “três Ps”: pee, poo e paper (urina, fezes e papel). Nestes mercados, tanto o diâmetro superior das tubulações das redes coletoras quanto a taxa acelerada de desintegração do papel utilizado no momento da descarga evitam a formação de bloqueios estruturais.

Contudo, a realidade brasileira apresenta características distintas. Embora o diâmetro das tubulações de esgoto no Brasil possa parecer semelhante em alguns pontos, avaliações técnicas detalhadas — como uma nota publicada em 2023 pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES) — demonstram que os papéis higiênicos fabricados e comercializados no país não possuem o mesmo índice de dissolução rápida. Ao entrarem em contato com a água na quantidade e velocidade da descarga tradicional, eles não se desintegram o suficiente, acumulando-se ao longo dos dutos subterrâneos.

Cuidados redobrados com óleos e gorduras

Além do papel higiênico e de produtos de higiene pessoal, a rede coletora de esgoto não foi dimensionada para receber resíduos de alimentos, restos de comida ou óleo de fritura usado. Para mitigar esse problema nas residências, a instalação de caixas de gordura nas saídas das pias de cozinha é fundamental, pois retêm os resíduos e facilitam a limpeza periódica.

Como alternativa sustentável para o descarte de óleo de cozinha, a recomendação é armazenar o líquido em garrafas plásticas pets e encaminhá-lo a pontos de coleta especializados, onde o material pode ser reaproveitado na fabricação de produtos como o sabão em barra ou líquido.

O que realmente pode ir para a rede de esgoto

Nos pontos de escoamento dos imóveis — o que inclui ralos de pias, tanques, chuveiros, máquinas de lavar roupas e o próprio vaso sanitário —, a única destinação correta é para a água já utilizada no saneamento básico e higiene pessoal. O vaso sanitário, especificamente, tem função restrita ao recebimento de dejetos humanos fisiológicos, como fezes, urina e vômito.

Lista de materiais proibidos na rede

  • Papel higiênico
  • Lenços umedecidos
  • Absorventes
  • Fraldas
  • Cotonetes
  • Fio dental
  • Lâminas de barbear ou depilar
  • Cabelo
  • Restos de comida
  • Areia de gato
  • Cigarros
  • Preservativos
  • Medicamentos
  • Sacolas plásticas
  • Tecidos
  • Papel e papelão
  • Óleo e outras gorduras
  • Solventes
  • Cera de depilação

Fonte:: bemparana.com.br

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