O litoral de Santa Catarina registrou recentemente a ocorrência de um fenômeno atmosférico e oceanográfico incomum conhecido como tsunami meteorológico, ou meteotsunami. Caracterizado por um aumento súbito e expressivo no nível do mar acompanhado por ondas violentas e fortes rajadas de vento, o evento chamou a atenção de especialistas e moradores devido à sua rápida propagação, que costuma avançar sobre a costa de maneira muito mais veloz do que as ressacas tradicionais.
Apesar da nomenclatura que remete aos grandes tsunamis gerados por abalos sísmicos e terremotos no fundo dos oceanos, o meteotsunami possui uma dinâmica completamente distinta e uma força consideravelmente menor. Ele está diretamente associado a perturbações atmosféricas severas, como a formação rápida de tempestades e linhas de instabilidade que alteram bruscamente a pressão atmosférica sobre a superfície da água.
Histórico de ocorrências e impactos na região sul catarinense
Embora seja classificado como um evento raro, o litoral catarinense já presenciou episódios semelhantes em curto espaço de tempo. A primeira manifestação recente ocorreu em novembro de 2023, tendo como ponto principal de registro a Praia do Cardoso, localizada no município de Laguna. Meses depois, o fenômeno repetiu-se na mesma Praia do Cardoso e em outras praias da região lagunense, além de afetar também as faixas litorâneas das cidades vizinhas de Jaguaruna e Imbituba.
A força repentina das águas pegou algumas áreas de surpresa. De acordo com as informações divulgadas pela Defesa Civil de Laguna, a movimentação intensa do mar conseguiu arrastar redes de pesca, diversos equipamentos de trabalho e chegou a deslocar algumas embarcações ancoradas. Felizmente, os barcos foram recuperados rapidamente e os ranchos de pescadores não sofreram danos estruturais graves.
O prejuízo material mais expressivo contabilizado pelas autoridades locais ocorreu em uma igreja da região, onde a forte pressão da água acabou derrubando parte do muro externo. Apesar do susto e da velocidade com que o mar invadiu a faixa de areia, o órgão oficial confirmou que não houve registro de feridos, limitando os impactos aos danos materiais pontuais.
Análise técnica e complexidade na previsão do meteotsunami
Especialistas da Defesa Civil estadual explicam que a ocorrência de um tsunami meteorológico exige uma combinação complexa de fatores meteorológicos e oceanográficos simultâneos, o que torna a sua previsão antecipada um desafio para os meteorologistas. O fenômeno pôde ser devidamente confirmado após análises cruzadas de dados obtidos por radares meteorológicos, imagens geradas por satélites e registros coletados por marégrafos na costa.
Os registros apontam que houve a formação de uma linha de instabilidade expressiva no Litoral Sul catarinense, caracterizada por uma faixa densa de nuvens que avançava à frente das precipitações. Essa configuração provocou rajadas intensas de vento com direção sul, variando entre 60 km/h e 90 km/h.
A atuação vigorosa desses ventos, somada às variações repentinas na pressão atmosférica, coincidiu perfeitamente com a rápida elevação do nível das águas do mar por volta das 6h da manhã. O comportamento anípico foi captado com precisão pelos marégrafos instalados nas cidades de Imbituba e Laguna, além de aparecer nitidamente em câmeras de monitoramento de segurança posicionadas ao longo da faixa litorânea.
Cenário de chuvas e situação de emergência no estado
Além da ocorrência do meteotsunami no litoral, Santa Catarina tem enfrentado nos últimos tempos um cenário adverso em decorrência de temporais frequentes. Ao todo, 11 municípios catarinenses decretaram Situação de Emergência devido aos estragos provocados pelas fortes chuvas: Timbé do Sul, Criciúma, Turvo, São Joaquim, Campo Erê, Araranguá, Forquilhinha, Ermo, Meleiro, Bom Jardim da Serra e Nova Veneza.
Outro município severamente castigado pelas condições climáticas adversas foi Porto União, que iniciou os trâmites legais para a emissão de decreto de emergência. Na cidade, ventos superiores a 60 km/h e chuvas intensas deixaram dezenas de famílias desalojadas e desabrigadas, exigindo a abertura de abrigos públicos para garantir o suporte adequado aos moradores afetados.
Evolução das condições climáticas e estado do mar
A perspectiva para os próximos dias indica uma melhoria gradual nas condições meteorológicas em todo o território catarinense. Embora a previsão aponte a continuidade de temperaturas baixas — com marcas próximas a zero grau em algumas regiões serranas —, não há expectativa de novas instabilidades de grande intensidade a curto prazo.
Em relação às condições marítimas, o mar permaneceu bastante agitado, mas a tendência é de normalização a partir dos próximos dias no litoral norte do estado. Apesar da trégua gradual, as autoridades mantêm o alerta de risco moderado para a área central e para o litoral sul, onde ainda podem ser registradas ondas com até 2,5 metros de altura, exigindo cautela de navegantes e banhistas.
Fonte:: diariopr.com.br


