O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou nesta quinta-feira, 13, que o governo norte-americano planeja impor ao Irã um nível severo de restrições comerciais. Segundo o representante da pasta econômica, as novas diretrizes devem ser detalhadas na próxima semana e têm como foco principal asfixiar as finanças da nação persa.
Em entrevista concedida ao canal de televisão Newsmax, Bessent detalhou que a abordagem adotada por Washington consistirá em uma estratégia conjunta. “Será uma combinação de isolamento econômico, como o mundo nunca viu”, pontuou o secretário durante a conversa com a emissora conservadora. Ele também destacou que a continuidade das restrições e do bloqueio no estratégico Estreito de Ormuz impedirá qualquer tipo de movimentação de cargas, travando totalmente a entrada e a saída de mercadorias dos portos iranianos.
A formulação estratégica descrita pelo chefe do Tesouro americano fundamenta-se em dois pilares centrais: o sufocamento financeiro do Estado e o cerco físico marítimo. Para exemplificar a eficácia do método, Bessent recorreu a precedentes de política externa aplicados a outras nações sob sanções rigorosas, citando os casos de Cuba e da Venezuela. “A Venezuela entrou em colapso imediatamente quando impusemos o bloqueio”, argumentou o secretário.
A postura linha-dura anunciada pelo departamento econômico encontra alinhamento com a agenda diplomática e de segurança nacional externada por outros membros graúdos da administração americana. No mesmo dia, o vice-presidente JD Vance declarou em entrevista à rede Fox News que a prioridade máxima da gestão em relação a Teerã reside na manutenção de custos acessíveis de combustíveis — petróleo e gás — para os cidadãos norte-americanos. Como segunda prioridade estratégica, Vance enfatizou a necessidade imperativa de assegurar que o Irã seja impedido permanentemente de desenvolver ou adquirir armamentos nucleares.
A guinada para uma retórica de confronto econômico e sanções severas representa uma mudança perceptible em relação ao tom adotado semanas antes. Em declarações públicas concedidas em 4 de agosto à rede CNBC, o próprio Scott Bessent havia sinalizado a possibilidade de um entendimento rápido com Teerã, mencionando na ocasião a perspectiva de um acordo negociado em curto prazo voltado especificamente para a reabertura do Estreito de Ormuz.
No entanto, o acirramento das tensões comerciais e logísticas ocorre em um momento em que os canais diplomáticos parecem estagnados. Tanto as autoridades de Washington quanto os representantes do governo iraniano mantêm posições rígidas e irredutíveis no que tange aos pré-requisitos necessários para a normalização do tráfego na rota marítima de Ormuz. Com o impasse nas negociações bilaterais, a Casa Branca opta por intensificar o cerco econômico como ferramenta central de pressão política e geopolítica na região.
Fonte:: estadao.com.br




