Governo de Mato Grosso rompe contrato com a Oi e planeja novo data center estadual

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Foto: Ana Paula Lobo Mande um e-mail

O estado de Mato Grosso vive uma fase de profunda transformação em sua infraestrutura tecnológica e na oferta de serviços públicos digitais. A Empresa Mato-grossense de Tecnologia da Informação (MTI) conseguiu reverter um cenário crítico de quase extinção para se consolidar como um órgão estratégico da administração estadual, conquistando recentemente o selo Ouro da ABEP-TIC após figurar na 24ª posição do ranking nacional de maturidade digital.

Em entrevista recente ao SECOPCAST, produzido durante o evento SECOP 2026, o diretor-presidente da MTI, Clebérson Gomes, relembrou os desafios enfrentados nos últimos anos para reestruturar a companhia pública. Segundo o gestor, que atua como funcionário de carreira da instituição desde 1998, a recuperação exigiu medidas administrativas duras, mas fundamentais para a sobrevivência e modernização do órgão tecnológico do governo mato-grossense.

Reestruturação interna e novos rumos administrativos

De acordo com o dirigente, a instituição passou por um processo drástico de enxugamento de pessoal para conseguir retomar a capacidade de investimento e eficiência. O quadro de colaboradores, que contava com 478 funcionários, passou por um plano de demissão que resultou na saída de 216 profissionais. Embora a decisão tenha sido difícil, ela abriu caminho para a adaptação institucional e financeira.

Um dos pilares dessa guinada foi a adesão à Lei 13.303, que confere maior flexibilidade aos processos de compras públicas e viabiliza parcerias estratégicas mais ágeis com o setor privado. Para Gomes, o esforço conjunto evitou o colapso da empresa em um prazo limite de seis meses, transformando o que antes era um desafio de sobrevivência em um modelo de gestão voltado para a inovação e a entrega de valor para a sociedade.

Primeiro data center Tier 3 e investimentos em inteligência artificial

Como reflexo direto dessa nova fase, a MTI se prepara para mudar de sede. O novo espaço abrigará a infraestrutura do primeiro data center com certificação Tier 3 do estado de Mato Grosso, um marco tecnológico regional que garantirá maior robustez, segurança e redundância para os sistemas governamentais.

A diretoria da empresa informou que os equipamentos necessários para a implantação do centro de dados já foram adquiridos. Além disso, o órgão está em busca de unidades de processamento gráfico (GPUs) para incorporar capacidades de inteligência artificial aos serviços oferecidos, contando com o apoio de parceiros estratégicos nessa empreitada tecnológica.

Substituição da Oi na conectividade estadual

Outro ponto crítico abordado pelo diretor-presidente diz respeito à infraestrutura de telecomunicações que atende aos municípios mato-grossenses. O contrato atual para levar conectividade a 142 cidades do estado, que estava sob a responsabilidade da operadora Oi, será encerrado até o mês de outubro. A decisão ocorre em função do processo de recuperação judicial da empresa e do descumprimento de metas contratuais estabelecidas.

Para suprir essa demanda sem prejuízos aos serviços essenciais, o governo estadual abriu um novo chamamento público. O modelo desenhado para a licitação busca integrar operadoras de grande porte com provedores regionais de internet, garantindo capilaridade e estabilidade. A expectativa da MTI é que a transição seja concluída e o novo fornecedor assuma as operações até outubro.

Governança de dados e o agronegócio tecnológico

Diante do avanço da digitalização, a segurança da informação tornou-se prioridade para a gestão estadual. Para coordenar e normatizar o uso de ferramentas avançadas, Mato Grosso criou o Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA), cujo objetivo é estabelecer diretrizes de governança para a tecnologia na administração pública até o final do ano.

Gomes ressalta que os dados do estado representam o ativo mais valioso da gestão e que a inteligência artificial deve ser tratada como um investimento estratégico, cujos custos precisam ser justificados pela melhoria na qualidade do serviço público prestado ao cidadão. O executivo também destacou a forte ligação entre a tecnologia e o setor produtivo, lembrando que Mato Grosso é o maior produtor nacional de soja e milho e que a força do agronegócio local está intrinsecamente amparada em soluções digitais e inovação.

Fonte:: convergenciadigital.com.br

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