EUA e Canadá fecham acordo de última hora e suspenden novas tarifas alfandegárias

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Estadao.com.br

Em uma reviravolta de última hora registrada nesta terça-feira, 18, os governos dos Estados Unidos e do Canadá alcançaram um entendimento crucial que evitou a imposição imediata de sobretaxas severas. A medida barrou, por enquanto, um pacote de tarifas de 50% que o presidente norte-americano Donald Trump ameaçava aplicar sobre aproximadamente US$ 20 bilhões em importações procedentes do país vizinho.

O anúncio da suspensão foi feito pelo próprio chefe da Casa Branca por meio de plataformas digitais no período noturno de terça-feira. Na postagem, Trump justificou que a decisão ocorreu “com base no fato de que o Canadá e os EUA, sujeito à finalização dos documentos, chegaram a um ACORDO!”. O entendimento mútuo abre espaço temporal considerado essencial para novas rodadas de negociações entre as partes, atenuando, ao menos momentaneamente, um novo capítulo de atritos comerciais entre os dois mercados norte-americanos.

Detalhes das mercadorias afetadas e dimensão econômica

Caso tivessem entrado em vigor no prazo estipulado — restando menos de duas horas para o desfecho das tratativas —, as barreiras alfandegárias propostas por Trump teriam alcançado cerca de 5% do volume total de exportações que o território canadense direciona anualmente ao mercado dos Estados Unidos. O leque de itens atingidos seria amplo e diversificado, englobando desde artefatos esportivos, a exemplo de tacos de hóquei, até insumos médicos básicos, como abaixadores de língua.

Apesar de o impacto prático sobre o fluxo de mercadorias ter uma abrangência específica, especialistas apontam que as repercussões no âmbito político e diplomático teriam proporções bem mais elevadas. Diante da ameaça de protecionismo, o governo do Canadá já havia sinalizado com firmeza a intenção de implementar medidas de retaliação comercial. A resposta canadense incluiria a taxação de produtos norte-americanos, o que aprofundaria de maneira drástica um cenário de hostilidade econômica entre nações que, somadas, movimentaram cerca de US$ 880 bilhões em bens e serviços transacionados no ano anterior.

Histórico de divergências e laços bilaterais profundos

As fricções comerciais entre norte-americanos e canadenses não constituem novidade no cenário internacional. Historicamente, os dois governos acumulam décadas de impasses alfandegários, alternando períodos de cooperação com episódios de discordância em frentes consideradas sensíveis. Entre os pontos de atrito mais recorrentes ao longo dos anos figuram as disputas em torno das importações de madeira macia oriundas do Canadá e as regras de proteção aplicadas pelo país vizinho ao seu mercado interno de laticínios, que restringe o acesso de produtores dos Estados Unidos.

Apesar desses atritos pontuais e de longa data, a relação bilateral sempre se sustentou sobre alicerces sólidos de parceria estratégica, amizade e cooperação geopolítica. Como demonstração histórica de alinhamento, contingentes de soldados canadenses atuaram lado a lado com as forças armadas norte-americanas nos conflitos do Afeganistão após os atentados de 11 de setembro. Além disso, a vasta fronteira compartilhada, que se estende por impressionantes 8,9 mil quilômetros, caracteriza-se por ser uma linha desmilitarizada e altamente integrada.

O cotidiano dessa divisa reflete a intensidade da interdependência econômica e social: diariamente, quase 330 mil pessoas e o equivalente a US$ 2 bilhões em mercadorias cruzam os limites territoriais em ambas as direções. Estima-se, ademais, que uma comunidade de aproximadamente 800 mil cidadãos canadenses resida de forma permanente nos Estados Unidos, reforçando os laços culturais e familiares entre as populações.

Mudança de postura na diplomacia comercial

Diante desse contexto de proximidade secular, analistas observam que a atual diretriz adotada pelo governo de Donald Trump em relação ao Canadá representa um afastamento extraordinário da relação tradicionalmente cooperativa entre os dois países. O uso recorrente de tarifas como instrumento de pressão tem como propósito declarado forçar o retorno de parques industriais e linhas de montagem para o solo norte-americano.

Contudo, a estratégia tem gerado desconforto na diplomacia regional, especialmente devido a declarações e posturas de caráter provocativo atribuídas a Trump — incluindo menções informais sobre a hipotética incorporação do Canadá como o 51º estado da federação norte-americana. Com o acerto de última hora, abre-se uma nova oportunidade para que a diplomacia de ambos os países recupere o diálogo institucional e busque estabilizar o intercâmbio comercial transfronteiriço.

Fonte:: estadao.com.br

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