O mercado de alimentação rápida no Brasil ganha novos contornos com a expansão de modelos de negócios voltados à especialização de um único produto. É o caso da Onigiri To Go, marca brasileira concebida em Curitiba que transformou a venda caseira de quitutes nipônicos em uma rede de microfranquias estruturada para operar com custos reduzidos e alta eficiência de atendimento.
A iniciativa surgiu da trajetória de Janaína Passos. Enquanto conciliava as demandas da maternidade com a reta final do doutorado em Administração, a fundadora iniciou a produção e comercialização de sushis direto de sua residência. A rotina intensa e a necessidade de flexibilidade tornaram-se o ponto de partida para repensar o formato tradicional da gastronomia oriental, geralmente marcado por operações complexas, cardápios extensos e grande dependência de mão de obra especializada.
Ao analisar o mercado e os desafios diários da produção própria, a empreendedora identificou um nicho promissor no onigiri — o tradicional bolinho de arroz japonês recheado e envolvido por alga. “Eu não queria criar um negócio que exigisse que eu estivesse dentro dele o tempo inteiro para funcionar. Tinha dois filhos pequenos, estava terminando um doutorado e precisava de flexibilidade. Então comecei a pensar em como criar uma operação simples, eficiente e que pudesse funcionar sem depender exclusivamente de mim”, relata a idealizadora.
Inovação logística e embalagem própria
Um dos principais gargalos enfrentados no início da operação estava relacionado à preservação da crocância da alga marinha até o momento do consumo pelo cliente. Como as opções de embalagens industrializadas disponíveis no mercado brasileiro apresentavam custos elevados e problemas recorrentes de abastecimento nas importadoras, a marca optou por desenvolver uma solução própria.
O recipiente criado sob medida garantiu não apenas a viabilidade financeira e a constância no fornecimento para a rede, mas também simplificou a experiência do consumidor final, que consegue abrir o produto de forma prática e rápida. Essa padronização logística foi fundamental para viabilizar a posterior formatação do negócio em um sistema voltado para o mercado de franquias.
Modelo operacional enxuto e atendimento ágil
A arquitetura das unidades físicas foi desenhada sob a premissa de simplificação máxima. O modelo descarta o uso de cozinhas quentes, eliminando a necessidade de fogões, fornos ou fritadeiras, o que reduz drasticamente os custos com exaustão, instalações elétricas complexas e marcenaria pesada.
As mais de 15 opções de sabores de onigiris são preparadas antecipadamente e dispostas em ilhas de visualização. O fluxo segue o conceito global de grab and go (pegar e levar), onde o cliente escolhe o produto, realiza o pagamento e conclui a transação em um intervalo médio de 25 segundos. A proposta atende tanto o público familiarizado com a culinária japonesa quanto novos consumidores, amparados por sinalizações visuais explicativas e suporte da equipe local.
Expansão planejada por meio de microfranquias
Após validar o formato comercial em unidades próprias na capital paranaense, a empresa estruturou o projeto de expansão nacional. O investimento inicial para novos franqueados parte de aproximadamente R$ 90 mil, com projeções de lucratividade na casa dos 24% e retorno do capital investido (payback) estimado em cerca de 12 meses.
Como diferencial competitivo frente a outras redes do setor de franchising, a marca adotou o modelo de royalties fixos, abdicando da cobrança de percentuais variáveis sobre o faturamento bruto das unidades. A justificativa, segundo a direção, é estimular o crescimento saudável do franqueado sem estrangular a margem de lucro operacional.
Para o futuro, a expectativa da fundadora é consolidar o onigiri como um item de consumo cotidiano no país. “O onigiri não é meu. Ele é um alimento milenar, parte da cultura japonesa, e eu tenho um respeito enorme por essa história. Posso ter ajudado a movimentar esse mercado no Brasil, mas nunca quis reivindicar a criação de algo que existe há séculos. O que é meu é a história da menina que olhou para esse alimento e decidiu colocá-lo no papel principal”, conclui Janaína.
Fonte:: diariopr.com.br




