Desafios na tecnologia preocupam corporações brasileiras com a nova reforma tributária

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Foto: Ana Paula Lobo Mande um e-mail

A preparação do setor corporativo brasileiro para a chegada da Reforma Tributária esbarra em um obstáculo tecnológico significativo. Um estudo recente aponta que apenas 1% das médias e grandes empresas ouvidas avalia que o departamento de Tecnologia da Informação (TI) possui maturidade total para operar diante da convivência entre os modelos tributários atuais e futuros.

O levantamento foi conduzido pela Roit durante os meses de maio e junho de 2026, ouvindo 70 executivos e gestores de finanças, tributos e tecnologia em companhias de grande e médio porte. Somadas, as organizações que integraram a amostra representam um faturamento anual superior a R$ 2 trilhões.

Os dados revelam que o obstáculo vai além da simples modernização dos softwares corporativos. Um contingente expressivo de negócios ainda desconhece quais serão os reflexos financeiros reais das novas regras em suas operações diárias.

De acordo com os dados coletados, 24% dos entrevistados ainda não realizaram projeções para mensurar o impacto financeiro da reforma. Além disso, 37% não examinaram de que maneira o mecanismo de split payment influenciará o capital de giro, e 34% admitem desconhecer como a precificação de seus itens e prestações de serviços sofrerá alterações a partir de 2027.

Cenário de planejamento e riscos operacionais

No que tange especificamente ao andamento tecnológico, além da parcela de 1% que se diz plenamente pronta para o período de transição, outros 40% encontram-se na fase de planejamento estratégico. Há ainda 31% que relatam ter dado início às modificações estruturais necessárias. Por outro lado, 14% admitem total falta de preparo e 13% afirmam que o tema nem sequer entrou na pauta de debates internos.

A fase de transição impõe o desafio de gerenciar, de forma simultânea, as normativas do modelo vigente e as exigências dos novos impostos. A Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) passará a substituir o PIS e a Cofins logo no início de 2027, ao passo que o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) encampará gradativamente o ICMS e o ISS ao longo dos anos seguintes até a consolidação definitiva do novo sistema.

Dessa forma, os negócios precisarão administrar dois ecossistemas fiscais em paralelo, o que impactará diretamente áreas como faturamento, emissão de documentos fiscais, apuração de tributos, gestão de créditos, cadastramentos, integrações sistêmicas e conciliação de dados.

A urgência da adequação sistêmica

Apesar de o cronograma de transição ter caráter gradual, as exigências de adaptação em TI já deveriam integrar o cotidiano corporativo ao longo de 2026. Nos últimos meses, as notas e documentos fiscais eletrônicos passaram a incorporar novos campos e validações vinculados tanto ao IBS quanto à CBS.

O processo também tem sido acompanhado pela disponibilização de novos leiautes, esquemas XSD, interfaces de programação (APIs) e ambientes de homologação voltados à nova arquitetura tributária.

Esse panorama demonstra que a atualização tecnológica deixou de ser uma demanda exclusiva para o horizonte de 2027. As corporações precisam assegurar que seus sistemas de gestão integrada (ERPs), módulos emissores de documentos fiscais e demais ferramentas operacionais estejam plenamente capacitados para recepcionar, computar e enviar os novos dados fiscais.

A complexidade do cenário amplia-se porque qualquer modificação nas regras de tributação reverbera por múltiplos setores da cadeia produtiva, desde o cadastro inicial de mercadorias até a geração do documento fiscal correspondente e o respectivo lançamento contábil da transação.

Fonte:: convergenciadigital.com.br

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