Impactos do el niño no paraná elevam alerta para chuvas intensas e temporais

Redação Rádio Plug
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Foto: (Foto: Luís Pedruco/Arquivo BP)

O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) divulgou um boletim detalhado sobre a atuação do fenômeno climático El Niño no território paranaense. Os dados apontam que a temperatura na área de referência utilizada para o monitoramento pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica Americana (NOAA) chegou a ficar 1,8°C acima da média histórica, registrando uma alta consistente desde abril deste ano.

As projeções científicas indicam uma probabilidade superior a 90% de que o atual evento seja categorizado como de intensidade muito forte entre a primavera e o verão no Brasil. Há, inclusive, uma estimativa de 75% de chance de que este seja o El Niño mais intenso já documentado desde 1950 durante o trimestre compreendido entre outubro e dezembro. O pico do aquecimento das águas está previsto para o período entre novembro e janeiro, momento em que a temperatura da superfície do mar no Pacífico pode atingir 2,9°C acima da média.

Diante desse panorama atmosférico, o Simepar alerta para a previsão de volumes de chuva acima da média que devem se concentrar em poucos dias. Essa dinâmica eleva consideravelmente o risco de temporais severos, incidência de granizo, descargas elétricas, enxurradas, cheias repentinas, saturação do solo e deslizamentos de terra em diversas regiões paranaenses. Embora a tendência de precipitação acima da média abarque todo o Estado, os maiores desvios climatológicos devem se concentrar nas regiões Centro-Sul, Sul, Oeste e Sudoeste.

Efeitos no inverno e histórico recente de precipitações

Os reflexos do El Niño já vêm sendo observados no Paraná desde o começo do inverno, atuando em conjunto com outros fatores meteorológicos, a exemplo de frentes frias, sistemas de baixa pressão, cavados, correntes de jato em baixos níveis e sistemas convectivos. Em agosto, das 47 estações meteorológicas do Simepar com mais de cinco anos de funcionamento, apenas três apontaram volumes de chuva abaixo da média: Cianorte, Maringá e Apucarana.

Em contrapartida, diversas localidades registraram os maiores volumes de chuva para o mês de agosto desde a implantação de suas respectivas estações, como ocorreu em Fazenda Rio Grande (em operação desde 2009), Laranjeiras do Sul (desde 2017) e no Distrito de Horizonte, em Palmas (desde 2019).

O comportamento chuvoso também foi marcante em meses anteriores. Em julho, apenas quatro estações meteorológicas monitoradas pelo Simepar — localizadas em Antonina, Cerro Azul, Guaratuba e Guaraqueçaba — ficaram abaixo da média histórica. Nas outras quarenta e uma unidades, os índices superaram as expectativas. Na estação de Palmas, por exemplo, o acumulado atingiu 311 mm, estabelecendo o recorde para o mês em 28 anos de medições. Outras cidades, como Altônia, Cianorte, Cornélio Procópio, Cruzeiro do Iguaçu, Foz do Iguaçu e Ubiratã, também bateram recordes históricos para o período.

O cenário repetiu-se em junho, quando praticamente toda a rede de monitoramento registrou volumes pluviométricos acima da média histórica, com exceção da unidade instalada na Reserva Natural Salto Morato, em Guaraqueçaba, que registrou uma variação levemente negativa.

Compreendendo o fenômeno e a necessidade de monitoramento

Apesar de o El Niño ser um direcionador importante para o comportamento das chuvas e das temperaturas, o Simepar enfatiza que o acompanhamento diário das previsões meteorológicas permanece indispensável. Os momentos exatos em que os temporais e volumes expressivos de chuva vão atingir os municípios dependem da atuação de sistemas de curto e médio prazo, como frentes frias e áreas de instabilidade.

Os meteorologistas lembram ainda que episódios de grande intensidade do fenômeno não geram exatamente os mesmos impactos em todas as regiões geográficas, embora aumentem as probabilidades de consolidação dos padrões climáticos típicos associados ao ciclo.

O El Niño – Oscilação Sul (ENOS) consiste em um fenômeno oceânico e atmosférico que se desenvolve na região equatorial do Oceano Pacífico. Ele é marcado por variações anômalas na temperatura da superfície do mar e na circulação dos ventos, exercendo forte influência sobre o clima global. O termo El Niño refere-se especificamente à face oceânica, caracterizada pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico equatorial, enquanto a Oscilação Sul representa a contraparte atmosférica, ligada às oscilações de pressão ao nível do mar entre as porções leste e oeste do oceano.

Fonte:: bemparana.com.br

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