A Prefeitura de Curitiba informou que os recursos destinados a minimizar os impactos das fortes chuvas na capital paranaense alcançam a marca de R$ 273 milhões. O montante tem sido direcionado prioritariamente para intervenções estruturais de macrodrenagem, consideradas fundamentais para melhorar o escoamento e a retenção de águas pluviais em diferentes bairros.
Desde o início de 2025, o município executou 12 grandes projetos voltados ao setor. Desse total, cinco já foram finalizados, enquanto os outros sete seguem em fase de execução. A mobilização das equipes municipais foi intensificada após registros recentes de precipitações que atingiram 91,5 milímetros em um intervalo de 24 horas, exigindo monitoramento constante por parte do Centro Municipal de Gerenciamento de Riscos e Desastres (CMGERD).
Intervenções eliminam pontos históricos de alagamento
Com o avanço das frentes de trabalho coordenadas pela Secretaria Municipal de Obras Públicas (Smop), diversos locais que sofriam recorrentemente com acúmulos de água deixaram de registrar transtornos. Um dos exemplos práticos ocorreu nas proximidades da Trincheira do Sabará, situada na Avenida Juscelino Kubitschek de Oliveira, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC).
Naquela localidade, a instalação de uma nova galeria subterrânea com cerca de 260 metros de extensão foi dimensionada com base nas características atuais da bacia de drenagem, ampliando a vazão e impedindo transbordamentos. Soluções semelhantes foram aplicadas na Rua Monte Castelo, no Tarumã, projeto que nasceu de demandas da comunidade por meio do programa Fala Curitiba e recebeu aporte de R$ 1,35 milhão para a implantação de novas tubulações.
No bairro Xaxim, os moradores da Rua Antônio Pupo também sentiram os reflexos das melhorias. A substituição da antiga rede por 330 metros de tubos com diâmetro de 1,20 metro — o dobro da capacidade anterior — no trecho entre a Rua Vereador Aureliano Mader Gonçalves e o Ribeirão dos Padilha eliminou os transbordamentos que costumavam atingir as calçadas durante temporais.
Parques-esponja e bacias de contenção reforçam a segurança
A estratégia municipal também aposta na criação de áreas de retenção natural e artificial. O recém-implantado Parque Rio Mossunguê, na região do Campo Comprido, passou com sucesso pelo teste das precipitações intensas. A bacia de detenção construída na Rua Eduardo Sprada ajudou a proteger áreas dos bairros Campo Comprido, Mossunguê, Santo Inácio, Orleans e São Braz.
Em outra frente, no Atuba, as novas bacias de contenção do rio homônimo já operam de forma parcial, mesmo com os canteiros de obras ainda em atividade. As estruturas têm capacidade projetada para reter 150 mil metros cúbicos de água — volume equivalente a cerca de 60 piscinas olímpicas —, funcionando como reservatórios temporários que aliviam a pressão sobre a rede de drenagem urbana e protegem tanto a zona norte de Curitiba quanto os municípios vizinhos de Pinhais e Colombo.
O secretário municipal de Obras Públicas, Luiz Fernando Jamur, pontua que eventos extremos podem levar o sistema ao limite em áreas altamente impermeabilizadas, mas ressalta que o escoamento tem ocorrido de forma satisfatória na maior parte das ocorrências. As ações fazem parte do PRO Curitiba, pacote que prevê mais de R$ 6 bilhões em investimentos municipais até 2028.
Manutenção contínua e limpeza de rios
Paralelamente às grandes obras de engenharia, equipes de manutenção atuam diariamente nos bairros. Desde 2025, o município contabiliza mais de 4 mil serviços voltados a pontes e drenagem. O trabalho abrange a instalação e reparo de milhares de metros de galerias, construção de caixas de captação, vistorias robotizadas em tubulações e intervenções em passarelas de madeira.
A limpeza de cursos d’água também figura entre as prioridades operacionais. Desde janeiro de 2025, mais de 106 mil metros de rios, córregos e canais receberam serviços de desassoreamento e desobstrução. O planejamento de longo prazo é guiado pela atualização do Plano Diretor de Drenagem, ferramenta fundamental para adaptar a infraestrutura da cidade à nova realidade climática, marcada por chuvas volumosas em curtos espaços de tempo.
Políticas integradas e participação cidadã
A estratégia de resiliência climática de Curitiba une engenharia e sustentabilidade por meio de políticas públicas transversais. O município conta atualmente com 52 parques e bosques que funcionam como áreas de retenção natural. Iniciativas como o Bairro Novo da Caximba, o programa de arborização urbana, a Reserva Hídrica do Futuro e o PlanClima complementam o ecossistema de adaptação.
No aspecto habitacional, a atuação da Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab) busca reassentar famílias de áreas de risco, promovendo simultaneamente a recuperação ambiental desses locais.
A Prefeitura reforça que a colaboração da população é indispensável para evitar alagamentos urbanos. Entre as principais recomendações diárias estão:
- Manter calhas, ralos e telhados limpos para evitar infiltrações e obstruções;
- Evitar o descarte irregular de lixo em vias públicas, terrenos e margens de rios;
- Acionar os telefones de emergência (156 da Prefeitura ou 153 da Guarda Municipal) ao identificar bueiros entupidos ou descartes ilegais;
- Respeitar interdições e nunca tentar atravessar vias ou enxurradas alagadas;
- Acompanhar regularmente os boletins emitidos pela Defesa Civil e órgãos meteorológicos.
Fonte:: bemparana.com.br


