O Corinthians está oficialmente eliminado da Copa Libertadores da América. Em partida disputada na Neo Química Arena, o clube paulista acabou derrotado pelo Estudiantes, da Argentina, por 1 a 0, no confronto de volta das quartas de final. O resultado negativo custou caro e interrompeu o sonho do bicampeonato continental da equipe brasileira na competição.
A desclassificação teve um gosto ainda mais amargo para a torcida presente no estádio devido aos instantes finais do confronto. Nos acréscimos da etapa complementar, o atacante holandês Memphis Depay teve a chance de ouro nos pés ao cobrar uma penalidade máxima. Caso tivesse convertido a cobrança, o placar estaria igualado — visto que o duelo de ida, realizado em La Plata, terminou empatado em 1 a 1 —, o que forçaria a definição da vaga nas penalidades.
Contudo, a atuação coletiva alvinegra esteve longe de inspirar confiança ao longo dos noventa minutos. Diante de mais de 57 mil torcedores, o time demonstrou grande dificuldade na criação de jogadas ofensivas e pouca agressividade no terço final do campo. Um dos fatores determinantes para essa carência criativa foi a ausência do centroavante Yuri Alberto, principal referência do setor, que segue inativo no departamento médico em processo de recuperação de lesão.
Sem o camisa 9, o setor ofensivo corintiano apresentou enorme escassez de alternativas e não conseguiu ameaçar de forma contundente a meta defendida pelo experiente goleiro uruguaio Muslera. A postura apática em campo acabou jogando a favor dos planos do Estudiantes. Conscientes da vantagem do empate sem gols construída fora de casa, os argentinos adotaram uma estratégia de controle de ritmo, retardando constantemente reinícios de partida, faltas e reposições de bola para quebrar o ímpeto do mandante.
Historicamente, o Corinthians carregava um retrospecto favorável em situações de mata-mata que iniciavam com igualdade no marcador fora de casa, tendo avançado em sete de oito ocasiões anteriores nesse cenário — incluindo a memorável campanha vitoriosa da Libertadores em 2012. No entanto, a teoria não se traduziu em prática no gramado de Itaquera. A falta de mobilidade e a ausência de profundidade deixaram o time previsível, facilitando o trabalho defensivo do adversário.
Durante o primeiro tempo, as intervenções dos goleiros resumiram-se a defesas fáceis em chutes de média distância sem grande perigo. O panorama seguiu praticamente inalterado no segundo tempo. Diante da evidente esterilidade ofensiva, a comissão técnica comandada por Fernando Diniz tentou buscar soluções por meio de bolas paradas e cruzamentos verticais para a grande área, instruindo insistentemente os atletas a ocuparem o espaço aéreo do ataque.
As tentativas, no entanto, esbarraram na sólida defesa visitante e na falta de precisão técnica. Nas arquibancadas, a atmosfera de apreensão tomou conta dos torcedores, que acompanhavam o desenrolar do duelo na expectativa de uma escapada salvadora que jamais se concretizou no ritmo esperado.
Quando o confronto parecia inexoravelmente encaminhado para a disputa de penalidades, o Estudiantes encontrou o gol que definiu a eliminatória. Aos 42 minutos da etapa final, Alexis Castro aproveitou sobra de bola dentro da área e finalizou com precisão de primeira, estufando as redes e silenciando a arena corintiana.
A desvantagem repentina colocou o Corinthians em uma situação dramática, mas o destino ainda reservou uma última oportunidade de redenção. Após desvio de mão do defensor Tomás Palacios dentro da área, a arbitragem assinalou pênalti para os mandantes nos acréscimos. Memphis Depay assumiu a responsabilidade da cobrança, mas acabou batendo mal e isolando a bola por cima do travessão, decretando o fim da linha para o clube paulista no torneio sul-americano.
O revés em casa acentua o momento de instabilidade institucional e esportiva vivida pela equipe. O clube já atravessava uma fase delicada no cenário nacional, acumulando resultados negativos recentes que o deixaram estacionado na parte intermediária da tabela do Campeonato Brasileiro, aumentando consideravelmente a pressão sobre jogadores e comissão técnica.
A expectativa interna era de que o descanso concedido a grande parte dos titulares na rodagem do fim de semana anterior permitisse uma apresentação física e tática superior. A resposta em campo, contudo, frustrou as expectativas da torcida, resultando em mais um tropeço em um momento decisivo da temporada.
Com a classificação assegurada, o Estudiantes agora concentra suas atenções na fase semifinal da competição continental. O clube argentino aguarda a definição do vencedor do embate entre o brasileiro Flamengo e o equatoriano Independiente del Valle para conhecer seu próximo adversário na busca pelo troféu internacional.
Fonte:: bemparana.com.br


