A Casa Branca tornou público neste domingo, 28, o rol de mercadorias que poderão ser beneficiadas por uma diminuição de taxas alfandegárias. A medida faz parte de um entendimento comercial estimado em US$ 30 bilhões costurado entre os Estados Unidos e a China. Apesar da divulgação, a administração norte-americana manteve em aberto detalhes cruciais, como os percentuais exatos das alíquotas e o cronograma oficial para a efetivação das mudanças.
As duas maiores economias globais firmaram, em outubro de 2025, um período de trégua em suas relações comerciais. A decisão freou uma disputa de taxações mútuas iniciada inicialmente pelo presidente Donald Trump e respondida por Pequim com barreiras equivalentes. O período de suspensão dessas tarifas pesadas havia sido estendido recentemente com validade até o próximo dia 10 de janeiro.
Conforme o material oficial distribuído pelo governo dos EUA, as nações signatárias pretendem analisar minuciosamente os inventários de mercadorias. Esses dados foram estimados com base no volume de trocas comerciais registradas no decorrer de 2024. O objetivo é ponderar cortes recíprocos de taxas que estejam estritamente alinhados às legislações e trâmites internos de cada território.
Apesar da publicidade dada aos itens, nenhuma alteração prática nas cobranças alfandegárias entrou em vigor até o momento. O processo ainda depende de rodadas futuras de alinhamento político e técnico entre os gabinetes de Washington e Pequim.
Extensão dos produtos listados
Pelo lado norte-americano, o planejamento contempla a possibilidade de abrandar as tarifas incidentes sobre 77 categorias de mercadorias originárias da China. O grupo engloba artigos como fogos de artifício, eletrodomésticos de pequeno porte, enfeites natalinos, dispositivos de retenção veicular para crianças, além de brinquedos desprovidos de conectividade com a internet e bolas para práticas esportivas.
Em contrapartida, a pauta de interesse chinês aponta para a possível desoneração de mais de 1.600 categorias de produtos fabricados nos Estados Unidos. O escopo é bastante diversificado e abrange cortes de carnes bovina, suína e de aves, pescados, derivados do leite, grãos como trigo e milho, além de carvão mineral, bebidas destiladas do tipo uísque, artigos de cosmética, produtos de madeira e instrumentos voltados à área médica.
As tratativas ganharam tração após uma visita oficial do presidente chinês, Xi Jinping, à capital norte-americana. Na ocasião, a Casa Branca indicou que houve um consenso preliminar em torno de sugestões para conceder um tratamento fiscal mais brando a esses setores classificados como não essenciais ou não sensíveis.
Divergências e próximos passos
O governo da China corroborou a existência de entendimentos voltados à diminuição mútua de taxas, reforçando que os chefes de Estado de ambas as nações expressaram o desejo de ver as diretrizes colocadas em prática o mais breve possível.
Apesar do tom cooperativo, persistem pontos específicos que constam apenas em um dos lados da negociação. Os Estados Unidos sustentam publicamente que os chineses assumiram o compromisso de adquirir um volume mínimo de 10 milhões de toneladas de carvão norte-americano anualmente durante os anos de 2027 e 2028. Contudo, tal compromisso específico ficou de fora do comunicado oficial emitido pelas autoridades de Pequim.
Enquanto o pacote atual avança para futuras regulamentações, questões consideradas estratégicas continuam na mesa de debates. É o caso do mercado de terras raras, insumo essencial para a indústria tecnológica global e pivô central das divergências geopolíticas e comerciais entre as potências.
Em declarações recentes concedidas à rede CNBC, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, pontuou que o objetivo central da gestão é estruturar uma cesta equilibrada de mercadorias que permita negociar com os parceiros asiáticos sob condições mais vantajosas para o mercado interno americano.
Fonte:: estadao.com.br


