Órgãos federais unem forças em contratação inédita de computação em nuvem

Redação Rádio Plug
5 min. de leitura
Foto: Divulgação / Foto: Ana Paula Lobo Mande um e-mail

Em um movimento inédito dentro da administração pública federal, o Tribunal de Contas da União (TCU), a Controladoria-Geral da União (CGU) e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) uniram esforços para realizar uma compra governamental pioneira voltada para a tecnologia multicloud. A iniciativa representa uma quebra de paradigma em relação aos contratos tradicionais gerenciados pela Central de Compras públicas, que historicamente limitavam as instituições a catálogos fechados e restringiam o aproveitamento das melhores práticas globais de mercado.

A revelação dos bastidores e do formato dessa aquisição conjunta ocorreu durante o Fórum Executivo Brasil AWS Setor Público, realizado em Brasília. O projeto conjunto nasceu da necessidade de superar as amarras contratuais do passado, permitindo que os órgãos tivessem acesso a um catálogo aberto e pudessem unificar o volume de aquisições, ganhando assim maior poder de barganha, flexibilidade técnica e eficiência na gestão dos recursos públicos.

Superando desafios de segurança e integração técnica

Em entrevista concedida à CDTV, Lorena Passos, representante do TCU, e Rafael Ferreira, da CGU, detalharam o complexo processo de integração de equipes e culturas organizacionais distintas para viabilizar o modelo tecnológico adotado. No caso específico da Controladoria-Geral da União, a urgência por uma mudança estrutural na forma de gerenciar os ambientes digitais foi impulsionada por um episódio crítico ocorrido anteriormente.

“O provedor de então tinha o controle das contas principais e houve um vazamento de dados. Aprendemos que não era possível dar esse controle. Hoje tudo é no mínimo acesso possível. O controle é nosso”, pontuou Rafael Ferreira, destacando a virada de chave na política de segurança da informação do órgão.

Já na perspectiva do Tribunal de Contas da União, a decisão de caminhar rumo a uma estratégia multicloud foi amparada pela possibilidade de expandir drasticamente o ambiente de experimentação tecnológica. Contudo, Lorena Passos pondera que a liberdade trazida pelo modelo descentralizado de nuvens múltiplas traz consigo um ônus operacional considerável para os times de tecnologia.

“Cada nuvem exige um data center novo para cuidar. Exige muito conhecimento das equipes técnicas”, explicou a gestora do TCU, evidenciando que a autonomia operacional precisa ser acompanhada de capacitação contínua e investimentos na qualificação dos servidores públicos envolvidos na arquitetura dos sistemas.

Gestão financeira rigorosa e o papel da inteligência artificial

Outro pilar fundamental que garantiu o sucesso e a viabilidade da compra conjunta foi o rigor no controle financeiro dos recursos computacionais contratados. De acordo com o representante da CGU, a migração para ambientes em nuvem exige uma mudança profunda de mentalidade corporativa, onde a disciplina orçamentária se torna tão importante quanto a própria engenharia de software.

“Não dá para ter nuvem sem FINOPS. É preciso ter uma pessoa da equipe dedicada porque é crucial ter um controle financeiro do que está sendo usado na nuvem”, enfatizou Ferreira, referindo-se à prática de gestão financeira voltada especificamente para otimizar custos em ambientes de computação em nuvem.

Questionados sobre a incorporação de ferramentas de inteligência artificial em suas respectivas estruturas, ambos os executivos reconhecem que a jornada tecnológica ainda está em seus estágios iniciais, exigindo cautela rigorosa com relação à previsibilidade de gastos, conformidade regulatória e segurança da informação. No TCU, o uso de soluções baseadas em inteligência artificial utiliza atualmente produtos da plataforma AWS, embora o desenvolvimento voltado para IA agêntica permaneça em uma fase bastante embrionária, conforme ressaltou Lorena Passos.

Por outro lado, a CGU já colhe frutos tangíveis da aplicação de inteligência artificial em serviços voltados diretamente ao atendimento da população. Um dos principais exemplos é a plataforma FalaBR, ferramenta digital utilizada pelos cidadãos para o registro de demandas junto ao governo federal.

“Nós usamos a IA na nuvem para agilizar a busca para o cidadão que abre um chamado. Uma resposta que levava 15 dias, agora está sendo dada em segundos e minutos”, celebrou Rafael Ferreira. Apesar do avanço expressivo na eficiência do atendimento ao público, o executivo pondera que a exploração de tecnologias mais autônomas, como a IA agêntica, ainda está sendo tratada como um campo de testes e experimentos dentro do órgão.

Fonte:: convergenciadigital.com.br

Anúncios
Compartilhe este artigo