Dominar a habilidade de interpretação textual é tão crucial quanto memorizar conteúdos teóricos para a prova de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias. O exame, que integra o primeiro dia de aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), exige dos candidatos muito mais do que decoreba, colocando em foco a capacidade de compreender diferentes formatos de comunicação e contextos sociais.
Uma das metodologias mais eficientes de preparação para a maratona de exames é a resolução de avaliações aplicadas em anos anteriores. Ao adotar essa prática, o estudante consegue se familiarizar com o estilo das perguntas, além de entender a lógica por trás dos comandos e os cenários abordados pelas bancas elaboradoras. O professor Eduardo Calbucci aponta que a estrutura cobrada na área de Linguagens mantém um padrão consistente ao longo dos anos.
“O Enem tem uma matriz de referência que é a mesma desde 2009. Então, a prova tem um grau de previsibilidade bastante grande”, pontua o educador. Ele reforça que a primeira diretriz repassada aos estudantes consiste justamente em analisar exames passados, visto que as competências exigidas permanecem alinhadas há quase duas décadas.
Na mesma linha, o professor Eli Carlos Guimarães destaca que a espinha dorsal de toda a avaliação de linguagens reside na leitura atenta e na capacidade crítica de decodificar mensagens. “Todo ano, mais de um terço das questões exige análise de gêneros textuais, como charge, artigo de opinião, resenha, canções, postagens digitais, além de variação linguística e funções da linguagem. O texto muda, mas a habilidade cobrada é totalmente previsível”, detalha.
Como lidar com os textos durante a prova
Para quem vivencia a preparação na pele, o volume de leitura exigido na prova representa um dos maiores obstáculos a serem superados. O estudante Pedro Augusto Rocha Rodrigues, de 18 anos, resume o desafio enfrentado nas salas de aula de todo o país durante o primeiro dia do exame nacional.
“Como sempre, o Enem tem muito texto, uma coisa muito bruta para ser processada, digerida. Se você não entende o comando, não tem como você resolver a questão de uma forma adequada”, relata o jovem sobre a densidade das questões.
Para contornar esse fator limitante, o professor Eli sugere uma mudança estratégica na ordem de leitura. Em vez de iniciar o processo pelo texto de apoio, a recomendação é direcionar o foco primeiramente para o comando da questão, localizado logo abaixo do material visual ou escrito.
“Sabendo exatamente o que a banca está pedindo, você vai para o texto com um olhar focado na informação correta. Dessa forma, você economiza tempo e evita releituras desnecessárias”, explica o docente. Na fase final de preparação, ele também aconselha revisar tópicos centrais como funções da linguagem, variações linguísticas e elementos de coesão textual. Compreender a função de conectivos como “contudo”, “portanto” e “embora” ajuda a perceber como os blocos de texto se articulam para formar o sentido global.
O que cai em Literatura?
No campo da literatura, o segredo para o sucesso no exame está em estabelecer conexões claras entre o contexto histórico, o pensamento predominante de uma determinada época e as características estéticas das obras cobradas. O professor ilustra que compreender o panorama do modernismo brasileiro e o impacto da Semana de Arte Moderna de 1922 facilita a assimilação da busca por novas formas de expressão artística que transformaram o cenário cultural do país.
Entre os conteúdos e autores indispensáveis para a revisão nesta reta final, o especialista aponta vertentes bem definidas da história literária nacional:
“Modernismo, principalmente a primeira e segunda fases, com Drummond, Graciliano Ramos, Cecília Meirelles, o realismo de Machado de Assis e o romantismo. Também ficar atento à literatura contemporânea, porque ela dá voz a pautas sociais, como as obras de Conceição Evaristo, Carolina Maria de Jesus e a literatura indígena”.
Língua estrangeira
A prova de língua estrangeira — seja inglês ou espanhol — exige estratégias específicas de leitura. No caso do inglês, o professor Tiago Gentil ressalta que o exame ultrapassa a barreira da tradução tradicional de vocabulário e gramática pura.
“O Enem tende a empregar não somente textos e interpretação, mas a relação entre imagens, diagramas, situações do dia a dia e documentos. Não é se ater somente ao vocabulário, à gramática, mas se atentar a contextos, à mensagem global do que está sendo dito”, afirma Gentil, acrescentando que a presença de poemas em inglês tem se tornado recorrente nas edições mais recentes da avaliação.
Já para os candidatos que optam pela prova de espanhol, o principal cuidado a ser tomado refere-se aos chamados falsos cognatos — termos que apresentam grafia semelhante em português e espanhol, mas carregam significados totalmente distintos. O alerta é feito pelo professor Júlio Manuel Sanchez Tello.
“Por exemplo: para nós, falantes da língua espanhola, algo esquisito é algo requintado, é algo saboroso, é algo delicioso. Não o esquisito de raro, de raridade e rareza como seria na língua portuguesa”, exemplifica o educador.
Tello destaca ainda que a estrutura da avaliação de espanhol costuma se apoiar em dois ou três textos de apoio acompanhados de cinco questões formuladas em português, priorizando essencialmente a competência interpretativa. “Gramática pura aparece pouquíssimo. Sinônimos e antônimos aparecem dentro do contexto do próprio texto. A sintaxe é raríssima”, conclui.
Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br


