O Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) vai receber um novo aporte financeiro no valor de R$ 10 milhões. O montante será destinado exclusivamente para dar continuidade aos trabalhos de recuperação e restauro da instituição, que sofreu danos severos após o incêndio de grandes proporções registrado em 2018. O anúncio oficial da liberação da verba foi feito pelo ministro da Educação, Leonardo Barchini, durante uma visita técnica às instalações.

Desde a tragédia que abalou o cenário cultural e científico do país, o museu tem passado por um complexo e contínuo processo de obras. O objetivo central é reestruturar os espaços físicos danificados pelas chamas e recuperar, na medida do possível, parte dos elementos que compunham a sua histórica estrutura. Com este novo repasse, o esforço financeiro do Ministério da Educação (MEC) voltado para a revitalização da instituição atinge uma marca expressiva, somando cerca de R$ 68 milhões em investimentos planejados e aplicados no período entre 2023 e 2026.
Durante sua passagem pelo complexo, o ministro reforçou o compromisso do governo federal com a preservação da memória histórica brasileira. “Não mediremos esforços para garantir que esse patrimônio nacional possa ser totalmente reconstruído”, declarou a autoridade ao acompanhar o andamento dos trabalhos de engenharia e restauração.
Importância histórica e científica
Reconhecido oficialmente por seu valor histórico e cultural, o museu é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Antes do sinistro, a instituição ostentava o posto de guardiã do maior acervo de história e ciência natural de toda a América Latina. Além de sua relevância como espaço de visitação pública, o local sempre funcionou como um polo de excelência em pesquisa científica, uma vertente que, apesar das adversidades, tem se mantido ativa por meio da dedicação de acadêmicos e pesquisadores na produção e divulgação de conhecimento.
O esforço para salvar o que restou da tragédia tem sido liderado por equipes especializadas integradas ao Núcleo de Resgate de Acervos. Graças a essa atuação técnica minuciosa, inúmeras coleções científicas e históricas puderam ser salvas, seja de forma parcial ou integral, evitando uma perda ainda maior para a ciência mundial.
A tragédia de 2018
O incêndio que mudou a trajetória do Museu Nacional ocorreu em setembro de 2018, exato momento em que a instituição celebrava seu bicentenário de fundação. As chamas consumiram rapidamente o Paço de São Cristóvão, edifício histórico que servia de sede e abrigava a imensa maioria dos itens preservados. Estima-se que cerca de 85% do patrimônio total, composto por aproximadamente 20 milhões de itens, tenham sido perdidos de maneira definitiva.
Entre os prejuízos incalculáveis para a cultura e a história global estavam documentos raros, obras literárias de valor inestimável, coleções paleontológicas e fósseis de relevância internacional, além de peças de mobiliário do período do primeiro reinado e artefatos herdados diretamente da família imperial brasileira. Além do acervo histórico e científico, o fogo destruiu completamente a infraestrutura de suporte acadêmico, arruinando salas de aula, laboratórios equipados, equipamentos de informática e a tradicional fachada histórica que compunha a arquitetura do monumento.
Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br


