O encanto pelas telonas costuma surgir cedo na vida de muitos apaixonados por arte. Para Miguel Figueiredo Viglio, o primeiro contato com a produção audiovisual aconteceu por volta dos 5 anos, quando criava pequenas narrativas caseiras com super-heróis. Aos 7 anos, decidiu dar um passo além ao participar de uma capacitação em stop motion, técnica de animação quadro a quadro.
“Aí comecei a fazer os filmes em stop motion com brinquedos que eu tinha e fui me aprimorando”, relatou.
Com 14 anos completados, o jovem carrega a convicção de que deseja seguir profissionalmente na área, mesmo reconhecendo os desafios da indústria. “É difícil, mas sei que vou trabalhar com uma coisa que eu gosto e com pessoas que também gostam da mesma coisa”, complementa.
Miguel é um dos talentos selecionados para a edição atual do Festival Internacional Pequeno Cineasta (FIPC), evento gratuito realizado em espaços culturais tradicionais da capital fluminense, como o Teatro Municipal Carlos Gomes, o Instituto Cervantes e o Jardim Botânico.
Em sua trajetória doméstica, o jovem cineasta conta com o apoio incondicional da mãe, Chica Amoreira. Entre os destaques da filmografia de Miguel está a obra “Circo dos Horrores”, que garantiu troféus importantes em diferentes regiões do país, como o prêmio de melhor filme no festival FECEA (Rio Grande do Sul), o Troféu Geração no Festival do Rio e o reconhecimento do júri popular na mostra É Tudo Criança (Minas Gerais). O alcance da produção ultrapassou fronteiras, alcançando seleções e finalizações em mostras da Itália, de Portugal e da Alemanha.
Outro nome de destaque na programação é Daniel Nini, de 16 anos. O primeiro contato com o meio artístico ocorreu por meio dos palcos teatrais, paixão que rapidamente evoluiu para o interesse pelo cinema.
“Com 10 anos eu me toquei que poderia estar nos filmes e realizar filmes. Aí comecei a ver muita coisa para pegar bagagem cultural e tentar botar em prática os meus próprios roteiros”, pontua.
No início, o celular foi a principal ferramenta de trabalho. Apesar das limitações iniciais com captação de áudio e imagem, o resultado final surpreendeu o jovem autor após o processo de edição e projeção em tela grande. Com o dinheiro obtido através de seus trabalhos como ator, Daniel conseguiu adquirir equipamentos profissionais para aprimorar suas criações.
O protagonismo do júri jovem
Uma das marcas registradas do festival é a autonomia concedida ao público da mesma faixa etária dos realizadores. O Júri Oficial é composto inteiramente por crianças e adolescentes entre 8 e 17 anos, que assumem a responsabilidade de avaliar obras que podem marcar o início de carreiras promissoras.
Para Carina Ki, integrante do júri oficial, a vivência superou as expectativas iniciais. “Quando eu soube que eram de 13 a 17 pensei que era uma coisa meio experimental porque são crianças fazendo, mas fiquei muito impactada com a criatividade e todas as técnicas que elas usaram. As crianças se esforçaram muito para fazer. Fiquei muito impressionada com o talento delas”, destacou.
A cineasta Daniela Gracindo, idealizadora do projeto, aponta que o grande diferencial da iniciativa é eliminar a intermediação adulta na interpretação das narrativas juvenis. São os próprios estudantes que operam as câmeras para expor suas visões de mundo.
Trajetória e expansão
O evento chega a sua 11ª edição consolidado no calendário cultural. A semente do projeto foi plantada em 2009, durante a produção de um documentário em homenagem ao ator Paulo Gracindo. A partir da Oficina Pequeno Cineasta, crianças e jovens passaram a ter acesso a todas as etapas de uma produção audiovisual, desde a escrita do roteiro até a finalização.
Nesta edição, a programação exibe dezenas de curtas-metragens produzidos por realizadores de 8 a 17 anos. O material selecionado reflete as inquietações contemporâneas da juventude, abordando temas que vão desde a amizade e o respeito às diferenças até o impacto da inteligência artificial, o cyberbullying e as mudanças climáticas.
As exibições competitivas dividem-se em categorias nacionais e internacionais, além de mostras temáticas voltadas à sustentabilidade e produções hispânicas. A programação inclui ainda intercâmbios culturais, oficinas formativas para educadores e debates públicos sobre a importância da alfabetização audiovisual nas escolas.
Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br


