A capital paranaense se prepara para receber um dos grandes sucessos dos palcos nacionais nos últimos tempos. O renomado Teatro Guaíra abre suas portas a partir desta quinta-feira (29) para receber o musical “Tarsila, a Brasileira”, protagonizado pelo casal Cláudia Raia e Jarbas Homem de Mello. A temporada na cidade contará com cinco apresentações especiais, oferecendo ao público local a oportunidade de imergir na trajetória de uma das mentes mais brilhantes da arte moderna latino-americana.
Com ingressos acessíveis a partir de R$ 25, com vendas por meio da plataforma Disk Ingressos, a montagem desembarca em Curitiba após uma trajetória de sucesso estrondoso por diversas regiões do país. Até o momento, o espetáculo já acumulou mais de cem sessões e foi visto por um público superior a 170 mil espectadores, consolidando-se como um marco na celebração da cultura nacional.
A grandiosidade do Modernismo nos palcos
Na trama que toma forma no palco do Teatro Guaíra, Cláudia Raia assume o desafio monumental de dar vida a Tarsila do Amaral (1886-1973). A artista plástica não é apenas lembrada como uma das figuras centrais da pintura no continente, mas também como a grande força estética que ajudou a moldar e consolidar o movimento modernista no Brasil, eternizado por obras icônicas como o quadro “Abaporu”.
Em contrapartida, Jarbas Homem de Mello encarna o escritor, poeta e dramaturgo Oswald de Andrade. Intelectual de vanguarda e figura indissociável da Semana de Arte Moderna de 1922, Oswald teve uma relação intensa, marcada por profunda criação artística e por turbulências públicas com Tarsila, com quem foi casado.
Durante a preparação para o projeto, que exigiu meses de pesquisa e ensaios, os atores tiveram acesso a documentos inéditos e correspondências privadas da artista plástica. O aval para explorar os recantos mais íntimos da vida de Tarsila partiu da própria família da pintora, especificamente de sua sobrinha-neta, Tarsilinha, que fez questão de conceder carta branca para que o público pudesse conhecer a verdadeira mulher por trás do mito artístico.
Revelações e o lado B da artista
A idealização do projeto exigiu das estrelas teatrais um mergulho profundo em aspectos até então restritos aos arquivos familiares. Conforme relatado pelos protagonistas, a imagem pública de Tarsila sempre esteve ligada ao glamour, ao sucesso financeiro de sua fase áurea e ao pioneirismo estético. Contudo, a peça opta por escancarar as dores, as perdas e os conflitos que marcaram a segunda metade da longa vida da pintora.
Entre as descobertas que mais surpreenderam a equipe de produção durante a fase de pesquisa está a profunda ligação espiritual entre Tarsila do Amaral e o médium Chico Xavier. Documentos revelam que a figura religiosa exerceu um papel fundamental de suporte emocional para a artista nos momentos mais difíceis de sua trajetória, sobretudo após as perdas trágicas de sua filha e de sua neta.
Enquanto o perfil de Tarsila exigiu uma varredura minuciosa em documentos guardados a sete chaves, a construção do personagem de Oswald de Andrade seguiu um caminho oposto. Conhecido por sua personalidade expansiva, provocadora e avessa a convenções sociais, o escritor nunca fez questão de ocultar seus passos. Para Jarbas Homem de Mello, a mente irrequieta de Oswald encontraria perfeita sintonia com a dinâmica atual das redes sociais, visto que o dramaturgo fazia questão de estampar suas paixões e rupturas para toda a sociedade da época, como ocorreu em sua separação e em seu posterior casamento com a escritora Pagu.
Parceria na arte e na vida real
A química evidente entre os personagens no palco encontra eco na realidade fora dos holofotes. Juntos na vida conjugal desde 2018, Cláudia Raia e Jarbas Homem de Mello apontam diversas semelhanças entre a dinâmica do casal histórico e a rotina do próprio relacionamento. Para eles, a constante troca criativa e o humor compartilhado funcionam como pilares essenciais tanto na vida doméstica quanto na exigente rotina dos palcos musicais.
Os atores destacam que a busca incessante pela alegria e pela celebração da vida era uma marca registrada do relacionamento entre Tarsila e Oswald na década de 1920. Transmitir essa energia efusiva para o público através do próprio afeto do casal transforma a experiência teatral em algo ainda mais visceral e verdadeiro.
Apesar do fascínio gerado pelo casal símbolo da vanguarda brasileira, a montagem faz questão de pontuar que a existência de Tarsila esteve longe de ser um conto de fadas contínuo. Além dos lutos familiares devastadores, os relacionamentos amorosos da pintora terminaram de maneira abrupta. A artista, que ultrapassou a marca dos 86 anos de idade em uma época em que a expectativa de vida era significativamente menor, passou seus últimos dias utilizando uma cadeira de rodas. Para Cláudia Raia, o contraste entre a jovialidade vibrante da juventude e a melancolia da velhice de Tarsila confere uma densidade dramática rara e gratificante de ser interpretada.
Sotaque paranaense na ficha técnica
A passagem do musical por Curitiba carrega também um significado especial para a dramaturgia local. A renomada artista curitibana Ana Toledo — atuante como atriz, cantora, compositora e dramaturga — assina o texto e as letras das canções do espetáculo em parceria com o diretor José Possi Neto.
Esta não é a primeira vez que Ana Toledo colabora com a dupla de protagonistas. Trata-se do quarto trabalho conjunto entre a autora e Cláudia Raia, consolidando uma parceria artística marcada pela amizade e pela sintonia fina na criação de grandes espetáculos musicais. A capacidade da dramaturga de escrever sob medida para o timbre e a personalidade dos atores é tratada pelo elenco como um verdadeiro privilégio dentro do cenário artístico nacional.
A expectativa para subir ao palco do Teatro Guaíra é descrita pelos artistas com entusiasmo. Para o elenco, o público curitibano ocupa um lugar de destaque no mapa cultural brasileiro devido à sua reconhecida formação artística, sensibilidade e capacidade de apreciação estética.
Serviço
Espetáculo: “Tarsila, a Brasileira” em Curitiba
- Quando: Dias 29 (21h), 30 (21h), 31 de outubro (16h e 21h) e 1° de novembro (18h);
- Onde: Teatro Guaíra (Rua XV de Novembro, 971, Centro – Curitiba);
- Quanto: Ingressos a partir de R$ 25, disponíveis para compra na plataforma Disk Ingressos.
Fonte:: bemparana.com.br


