O papel estratégico do Brasil na produção tecnológica global
A regulamentação do Regime Especial de Tributação para a Plataforma de Exportação de Serviços de Tecnologia da Informação, conhecido como Redata, precisa avançar com celeridade para impulsionar o setor no país. A avaliação foi destacada por Diego Puerta, presidente da Dell Technologies no Brasil, durante coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira, 5 de novembro, em São Paulo, no evento Dell Technologies Fórum. Para o executivo, o benefício fiscal voltado aos data centers traz vantagens evidentes, mas exige cautela para garantir a proteção e o estímulo à cadeia produtiva nacional já consolidada.
Durante o encontro com jornalistas, Puerta lembrou que o Brasil ocupa a segunda posição no ranking mundial de produção de eletroeletrônicos, ficando atrás apenas da China. Essa posição de destaque, conforme ressaltou, é fruto de um ecossistema construído ao longo de décadas de investimentos contínuos. A própria fabricante está presente no mercado brasileiro há 27 anos, alcançando a marca expressiva de 95% das vendas locais supridas pela manufatura interna. A empresa já realiza a fabricação de servidores voltados para inteligência artificial diretamente no território nacional.
O presidente da companhia fez questão de esclarecer que a intenção não é buscar reservas de mercado ou protecionismos artificiais, mas assegurar que o esforço industrial das empresas que produzem no Brasil seja devidamente reconhecido. “Não quero proteção, mas acho que quem produz aqui tem de ser levado em conta”, pontuou o executivo perante os profissionais de imprensa presentes no fórum.
Riscos na importação desenfreada para data centers
Um dos pontos centrais da ponderação feita pela liderança da Dell diz respeito ao desenho final da regulamentação do Redata. Na visão da empresa, seria um erro estratégico limitar o escopo do benefício fiscal apenas à facilitação de importações de equipamentos destinados a abastecer data centers cujos centros de decisão e gerenciamento fiquem situados fora do país.
Puerta reforçou que a companhia assumiu o compromisso de fabricar servidores de inteligência artificial localmente, mantendo esse plano independentemente da implementação ou do formato do Redata. Mesmo diante de oscilações econômicas e do encarecimento dos custos operacionais observados ao longo dos últimos doze meses por múltiplos fatores, a operação brasileira tem conseguido entregar equipamentos complexos equipados com unidades de processamento gráfico (GPUs) em um prazo competitivo de até 60 dias.
O mercado interno tem respondido de maneira robusta a essa capacidade de entrega. De acordo com o executivo, a maior parte dos compradores dessas soluções de alta tecnologia é formada por empresas dos mais diversos setores, refletindo um crescimento expressivo na demanda corporativa por infraestrutura avançada de computação e inteligência artificial no Brasil.
Fonte:: convergenciadigital.com.br


