Aumento nos custos com chips de memória pressiona a BYD

Redação Rádio Plug
Na imagem, carro da BYD em exposição no auto-sh...

A BYD, fabricante chinesa de veículos de nova energia, anunciou que, a partir de maio, aumentará o preço de um pacote de sistema avançado de assistência ao condutor em alguns de seus modelos. A decisão se deve ao crescimento dos custos dos chips de memória, que vêm pressionando toda a indústria automobilística.

Em comunicado emitido na terça-feira, 28 de abril de 2026, a empresa revelou que o sistema opcional de assistência ao condutor, denominado “Olhos de Deus B”, passará a custar 12.000 yuans (aproximadamente US$ 1.757), um aumento em relação aos 9.900 yuans atuais. Esse sistema oferece suporte à navegação em ambientes urbanos complexos, demandando um hardware de computação e memória de alto desempenho, superando aqueles que apenas possibilitam a condução em rodovias.

Esse reajuste de preços ilustra claramente como o recente superciclo de alta nos preços dos chips de memória está afetando o segmento de veículos elétricos na China. O mercado, já marcado por uma concorrência acirrada, está forçando as montadoras a repassarem os custos operacionais, enquanto suas margens de lucro permanecem em níveis historicamente baixos.

Os preços dos chips de memória têm subido de forma rápida e contínua desde o terceiro trimestre de 2025. De acordo com a TrendForce, uma empresa de pesquisa de mercado, os preços contratuais da DRAM (memória dinâmica de acesso aleatório) padrão aumentaram de 93% a 98% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o trimestre anterior, com a previsão de um novo aumento de 58% a 63% no segundo trimestre.

A crescente transição para veículos inteligentes tem elevado muito a dependência do setor automotivo em relação a esses componentes. Um diretor técnico de uma montadora observou que, há menos de dois anos, veículos na faixa de 200 mil yuans geralmente utilizavam entre 8 e 12 gigabytes de memória. Atualmente, devido à competição e à demanda por maior capacidade de computação – superior a 1.000 TOPS (trilhões de operações por segundo) – alguns modelos de direção autônoma nessa mesma faixa de preço já ultrapassam 100 gigabytes de memória, com alguns chegando a 200 gigabytes.

Os sistemas avançados de assistência ao condutor estão cada vez mais exigindo memória em quantidades ainda maiores do que os veículos com cabines inteligentes. No segundo semestre de 2025, uma montadora solicitou à sua equipe técnica que realizasse testes de estresse para determinar a memória mínima necessária para manter o desempenho do sistema e a experiência do usuário, conforme relatos de

Com a rápida evolução da tecnologia, as montadoras costumam superdimensionar tanto a memória quanto o hardware de computação, para possibilitar atualizações remotas contínuas e manter uma imagem de modernidade frente ao consumidor, segundo

No entanto, o aumento acentuado dos custos de hardware está forçando as empresas a considerarem a possibilidade de reduzir especificações ou aumentar preços. Optar por aumentar os preços é um desafio, dada a competição acirrada no mercado automobilístico, segundo opiniões de insiders do setor.

A demanda por memória avançada tende a continuar crescendo. A memória LPDDR (Low-Power Double Data Rate) é atualmente a escolha mais utilizada para sistemas de assistência ao condutor, mas sua largura de banda pode se tornar um gargalo à medida que modelos de inteligência artificial mais robustos forem incorporados aos veículos, afirmaram especialistas em eletrônica automotiva. A mudança para componentes de especificações superiores pode intensificar ainda mais a pressão sobre os custos.

Além do aumento dos preços, as montadoras também enfrentam o risco de escassez de suprimentos, uma vez que o setor automobilístico compõe uma parcela menor do mercado global de chips de memória, conforme observado por analistas do setor.

Embora empresas com maior poder de negociação tenham conseguido anteriormente persuadir os fornecedores a absorver parte dos aumentos de custos, o prolongado período de alta nos preços aliado à oferta restrita tem resultado em uma transferência crescente do ônus financeiro para as montadoras.

A indústria automobilística já está enfrentando fortes pressões financeiras. A margem de lucro do setor caiu para o nível historicamente baixo de 4,1% em 2025 e despencou ainda mais para 2,9% nos dois primeiros meses de 2026, de acordo com Cui Dongshu, secretário-geral da Associação Chinesa de Veículos de Passageiros. Essa situação limita a capacidade das empresas de absorverem aumentos nos custos.

De maneira geral, o mercado automotivo chinês teve um início fraco em 2026, agravado pela redução pela metade da isenção do imposto de compra para veículos de novas energias e pela diminuição dos subsídios para a troca de veículos usados. Muitos consumidores anteciparam suas compras, comprando carros antes do final de 2025, prevendo uma demanda alta.

As vendas de automóveis de passageiros no mercado interno caíram 23,4% em relação ao ano anterior, totalizando 4 milhões de unidades no primeiro trimestre de 2026, conforme informações da Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis.

A BYD, que se dedica exclusivamente à produção de veículos de novas energias e é vista como um termômetro do setor, reportou uma queda de 30% em suas vendas no primeiro trimestre em relação ao ano anterior, totalizando cerca de 700 mil unidades.

Conforme seu relatório de resultados, divulgado em 28 de abril, a receita da BYD caiu 11,8% em comparação ao mesmo período do ano anterior, atingindo 150,2 bilhões de yuans (US$ 22 bilhões) no primeiro trimestre, enquanto o lucro líquido da empresa caiu 55,4%, somando 4,1 bilhões de yuans (US$ 600 milhões).

Além disso, a empresa também registrou perdas cambiais durante o período, elevando suas despesas financeiras para quase 2,1 bilhões de yuans (US$ 310 milhões), comparativamente a um lucro líquido de cerca de 1,9 bilhão de yuans (US$ 280 milhões) no mesmo período de 2025.

Esta reportagem foi originalmente publicada em inglês pela Caixin Global em 29 de abril de 2026. Foi traduzida e republicada pelo Poder360 sob acordo mútuo de compartilhamento de conteúdo.

Fonte:: poder360.com.br

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