A seleção brasileira masculina de futebol de cegos escreveu mais um capítulo vitorioso em sua história esportiva ao garantir, de maneira invicta, o heptacampeonato da Copa América da modalidade. O triunfo histórico foi consolidado em uma final disputada no CT Paralímpico, localizado na capital paulista, onde a equipe nacional superou a Colômbia por 3 a 0. Com essa nova conquista, a Amarelinha reafirma sua supremacia absoluta no continente, mantendo-se soberana ao longo das 11 edições já realizadas do torneio.

O confronto que definiu o título deste sábado trouxe à tona lembranças recentes, reeditando a disputa pela medalha de bronze ocorrida nos Jogos Paralímpicos de Paris 2024, ocasião em que os brasileiros também levaram a melhor com um placar apertado de 1 a 0. Desta vez, no entanto, o domínio brasileiro sob o gramado do CT Paralímpico foi evidente desde o apito inicial. A vantagem começou a ser construída ainda na primeira etapa, quando Maicon Mendes inaugurou o marcador por meio de um chute potente de longa distância. Pouco antes do intervalo, nos instantes finais do primeiro tempo, Raimundo Nonato apareceu para ampliar a vantagem e trazer maior tranquilidade para os vestiários.
Na volta para o segundo tempo, os jogadores colombianos tentaram esboçar uma reação e impuseram forte pressão nos minutos iniciais. Contudo, a defesa brasileira soube absorver o ímpeto adversário e, em um lance certeiro, Jardiel balançou as redes, dilatando o placar para 3 a 0 e consolidando a superioridade da equipe da casa. A partir de então, sob a orientação tática do técnico Cesinha, a Amarelinha administrou a vantagem com inteligência e controle emocional até o término da partida.
“Esse título é muito importante. Estamos começando o ciclo para Los Angels 2028. O nosso último ciclo não foi tão bom quanto a gente esperava. colocamos os pés no chão e temos a certeza de que cada vez estamos mais fortes. Vamos nos preparar para estarmos fortes e buscar o título no Mundial aqui no Brasil”, projetou Jardiel, em depoimento após o título ao Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).
A campanha rumo ao topo do pódio exigiu consistência e resiliência. Para garantir a vaga na decisão, o selecionado brasileiro acumulou três vitórias e um empate ao longo da competição. Na fase de grupos, a equipe estreou superando o Chile por 3 a 0, atropelou o Peru com uma goleada de 6 a 0 e ficou no empate sem gols contra a mesma Colômbia, resultados que asseguraram a liderança isolada da chave 2. Já na fase semifinal, os brasileiros impuseram seu ritmo para derrotar a Costa Rica por 2 a 0. No total, a Copa América reuniu 12 nações no torneio, divididas inicialmente em duas chaves distintas, sendo que o grupo 1 contou com a participação de México, Costa Rica, Argentina e Guatemala.
Considerada a maior referência histórica e técnica da modalidade no planeta, a seleção brasileira soma agora o seu segundo troféu importante dentro do atual ciclo paralímpico rumo aos Jogos de Los Angeles 2028. Em julho passado, o país já havia se sagrado campeão dos Jogos Parasul-Americanos, sediados na cidade de Valledupar, na Colômbia. O curriculum da equipe masculina é recheado de glórias, ostentando cinco títulos mundiais (1998, 2000, 2010, 2014 e 2018) e cinco medalhas de ouro paralímpicas (Atenas 2004, Pequim 2008, Londres 2012, Rio 2016 e Tóquio 2020).
Argentina fatura a medalha de bronze
Tradicional força da modalidade e segunda maior vencedora da história da Copa América, com três troféus acumulados, a seleção da Argentina garantiu o terceiro lugar do pódio nesta edição. Os hermanos superaram a Costa Rica por 4 a 1 na disputa pela medalha de bronze. Atual campeã mundial e vice-campeã paralímpica, a equipe argentina registrou o fato inédito de ficar fora da grande decisão continental, após ser eliminada pela Colômbia na disputa por pênaltis na fase semifinal, decorrente de um empate sem gols no tempo regulamentar de 40 minutos.
Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br



