O treinador Fernando Seabra expressou forte insatisfação com a realização do clássico Atletiba em uma data considerada alternativa pelo calendário do futebol nacional. O confronto entre Coritiba e Athletico, válido pela 27ª rodada do Campeonato Brasileiro, terminou empatado em 3 a 3 na última sexta-feira (11), no Estádio Couto Pereira. Para o comandante, a marcação da partida em plena sexta-feira à noite comprometeu a preparação física dos atletas e evidenciou prioridades comerciais acima da qualidade técnica do esporte.
Antes do clássico, os dois clubes haviam entrado em campo no domingo anterior (6). Na ocasião, o Coritiba foi derrotado pelo Mirassol por 2 a 1 jogando em seus domínios, enquanto o Athletico atuou como visitante contra o Cruzeiro, em partida realizada no Estádio do Mineirões, em Belo Horizonte. Com o curto intervalo de tempo e a necessidade de deslocamento para o Furacão, a margem para treinamentos táticos e físicos ficou severamente reduzida.
Em sua entrevista coletiva concedida após o apito final, Seabra detalhou a rotina de recuperação e treinos que sua equipe conseguiu realizar no período exíguo entre os compromissos oficiais. Segundo o técnico, os jogadores que atuaram por mais minutos diante do Mirassol precisaram passar por um processo de regeneração física na segunda-feira, seguido por uma atividade leve de recuperação ativa em campo na terça-feira.
“Muito ruim o jogo ser na sexta-feira, porque a gente jogou domingo. Quem jogou mais tempo fez só recuperação na segunda. Na terça-feira fez uma recuperação ativa no campo. Então entrou com o grupo todo só para fazer o aquecimento e um primeiro trabalho em campo reduzido e um trabalho bem geral”, explicou o treinador durante a conversa com os jornalistas.
O comandante acrescentou que o grupo principal só teve condições de realizar um treinamento de intensidade real em campo na quarta-feira, a apenas dois dias do embate decisivo contra o rival estadual, o que acabou limitando drasticamente o planejamento estratégico da comissão técnica para o clássico.
Reclamações sobre os critérios de organização
Aprofundando as críticas, Seabra argumentou que a antecipação do confronto carece de justificativa lógica, visto que nenhuma das duas equipes paranaenses estava envolvida em disputas simultâneas de torneios internacionais ou eliminatórias de meio de semana naquele período.

Fernando Seabra durante clássico Atletiba no Couto Pereira. Foto: Jow Baker/Fotoarena/Sipa USA/IconSport
“Então foi muito ruim, muito ruim mesmo. Não tem sentido, se as duas equipes não estão disputando competição de meio de semana e têm a possibilidade de se preparar melhor para o jogo, você diminuir esse prazo de preparação”, pontuou o técnico, demonstrando incômodo com a gestão do calendário esportivo brasileiro.
Em tom mais crítico, o profissional apontou que o modelo de gestão do esporte no país frequentemente prioriza acordos comerciais e políticos em detrimento do rendimento em campo. “No futebol brasileiro, as dimensões econômicas e políticas sempre prevalecem e as dimensões técnicas nunca. Só que o que produz valor é a dimensão técnica. Então acaba sendo um sistema que se autossabota no potencial que pode atingir”, disparou.
Polêmica nos bastidores e impacto da chuva
A marcação do Atletiba para a noite de sexta-feira, às 21h, já havia gerado debates nos bastidores do futebol paranaense nos dias que antecederam a bola rolar. Informações de bastidores indicam que a definição da data ocorreu em sintonia com os interesses da emissora detentora dos direitos de transmissão televisiva, com participações da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e da Federação Paranaense de Futebol (FPF).

Moledo foi o herói improvável do Atletiba. Foto: Divulgação/Coritiba
A diretoria do Coritiba tentou intervir formalmente junto à entidade máxima do futebol nacional, solicitando a transferência do clássico para o final de semana. O argumento alviverde sustentava que o confronto de maior rivalidade do estado merecia um horário comercialmente mais adequado para valorizar o espetáculo esportivo e otimizar o fluxo de torcedores nas dependências do estádio. Contudo, o pleito não foi acatado, mantendo a programação inicial.
Além das questões logísticas e do calendário apertado, as condições meteorológicas adversas adicionaram complexidade à partida. Uma forte precipitação atingiu a capital paranaense nas horas que antecederam o início do duelo, acumulando expressivos volumes de água e formando poças extensas no gramado do Couto Pereira.

Funcionário usa rodo para tirar água do gramado do Couto Pereira. (Foto: Geraldo Bubniak/ZUMA Press Wire/Icon Sport).
Durante as vistorias preliminares realizadas pela arbitragem e pelos funcionários do clube, a bola chegou a perder velocidade e a travar em diversos setores do campo devido ao encharcamento. O cenário exigiu o uso de rodos para tentar drenar os pontos mais críticos e provocou um breve atraso no pontapé inicial. Apesar das dificuldades impostas pelo terreno pesado e pelo desgaste físico apontado pelas comissões técnicas, Coritiba e Athletico entregaram um confronto movimentado que terminou igualado em 3 a 3.
Fonte:: umdoisesportes.com.br


