Brasileiros com diabetes defendem uso de tecnologias no tratamento

Redação Rádio Plug
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Foto: © Marcello Casal jr/Agência Brasil

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Sete em cada dez brasileiros diagnosticados com diabetes (70%) relatam que a doença impacta significativamente seu bem-estar emocional. De acordo com um estudo realizado pelo Global Wellness Institute (GWI) em parceria com a Roche Diagnóstica, 78% dos entrevistados expressam preocupação ou ansiedade em relação ao futuro, e cerca de 40% afirmam sentir-se solitários ou isolados devido à condição.

A pesquisa, realizada em setembro de 2025, abrangeu 4.326 pessoas com diabetes em 22 países, incluindo 20% dos participantes do Brasil. Além do território brasileiro, o estudo incluiu respondentes de nações como Austrália, Áustria, Bélgica, Chile, Croácia, República Tcheca, Dinamarca, Alemanha, Hong Kong, Índia, Japão, Kuwait, Países Baixos, Polônia, Portugal, Romênia, Arábia Saudita, África do Sul, Espanha, Turquia e Reino Unido.

Impacto sobre a saúde emocional e social

O levantamento ressaltou que, entre os pacientes com diabetes tipo 1, 77% reportam impactos significativos em seu bem-estar emocional. Além disso, 56% dos entrevistados indicam que a doença limita sua capacidade de sair de casa, enquanto 46% mencionam dificuldades em situações cotidianas, como tráfego ou reuniões prolongadas. Outros 55% afirmam não acordar plenamente descansados devido às variações glicêmicas durante a noite.

Muitos pacientes (65%) não se sentem adequadamente atendidos pelo modelo atual de cuidados, evidenciando a necessidade de melhorias. Apenas 35% reportam alta confiança no gerenciamento de sua condição, retratando um cenário preocupante para o controle e previsibilidade do diabetes.

A preferência por tecnologias inteligentes

A pesquisa aponta que 44% dos participantes acreditam que inovações tecnológicas, com capacidade para prever mudanças nos níveis de glicose, são fundamentais para a prevenção de complicações. A necessidade de aprimorar os métodos de monitoramento é especialmente clara entre aqueles que utilizam medidores tradicionais: 46% consideram a adoção de sensores de monitoramento contínuo de glicose (CGM) como essencial, uma vez que esses dispositivos podem servir como alertas preditivos.

Quando questionados sobre a funcionalidade ideal para sensores de inteligência artificial, 53% dos entrevistados no Brasil afirmam que a capacidade de prever níveis futuros de glicose é a mais desejada, cifra que aumenta para 68% entre os pacientes com diabetes tipo 1. Por sua vez, 56% dos entrevistados sentiriam uma maior sensação de controle sobre a doença caso pudessem prever as tendências dos níveis de glicose, e 48% ressaltam que uma redução nas surpresas de picos e quedas de glicose melhoraria sua qualidade de vida.

O papel do monitoramento contínuo

De acordo com André Vianna, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), o diagnóstico precoce e o acompanhamento médico contínuo são cruciais para evitar complicações relacionadas ao diabetes. Ele enfatiza que o uso de tecnologias pode ser transformador, especialmente para os pacientes com diabetes tipo 1, cujos níveis de glicose podem apresentar oscilações consideráveis.

“O ideal para esses pacientes é ter um monitoramento contínuo da glicose por meio de sensores que já estão amplamente disponíveis em várias partes do mundo. Este tipo de tecnologia permite que o paciente tenha informações antecipadas sobre a evolução dos níveis de glicose, possibilitando que tome decisões preventivas com base nessas informações”, esclareceu o endocrinologista.

Vianna ressaltou que a utilização desses sensores não apenas reduz as complicações dos pacientes, mas também representa uma economia significativa para o sistema público de saúde, já que a frequência de internações e visitas ao pronto-socorro pode ser reduzida.

Desafios no acesso à tecnologia no Brasil

No Brasil, os dispositivos de monitoramento contínuo de glicose são mais acessíveis a pessoas com maior poder aquisitivo. No entanto, a disponibilização em larga escala pelo sistema público de saúde ainda é bastante limitada. Atualmente, quatro empresas operam no mercado brasileiro fornecendo esses aparelhos. Em contraste, em nações desenvolvidas, esses dispositivos são geralmente acessíveis tanto através de operadoras de saúde privadas quanto pelo sistema público de saúde, como no caso da França e do Reino Unido.

O vice-presidente da SBD acredita que as tecnologias emergentes, incluindo a inteligência artificial, têm o potencial de melhorar drasticamente a qualidade de vida dos pacientes. “Essas inovações diminuem a carga emocional associada ao diabetes e as incertezas que os pacientes enfrentam diariamente em relação a seus níveis de glicose, o que muitas vezes compromete atividades cotidianas, como sono e trabalho”, comentou.

Decisões do Sistema Único de Saúde (SUS)

Em janeiro de 2025, o Ministério da Saúde anunciou que o monitoramento contínuo da glicose por escaneamento intermitente não seria incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) para pacientes com diabetes mellitus tipos 1 e 2. A decisão está formalizada na Portaria número 2, da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do ministério.

Adicionalmente, em dezembro de 2024, a Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 323/25, que visa garantir que o SUS forneça dispositivos para monitorar a glicose dos pacientes com diabetes mellitus. Esta proposta será submetida à análise das comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania antes de sua votação final na Câmara e no Senado.

Até o fechamento deste informe, o Ministério da Saúde não se manifestou sobre o tema.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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