Campanha do PT acusa Meta de restringir perfil de Lula e vai acionar o TSE novamente

Redação Rádio Plug
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Tanto a campanha de Lula quanto a de Flávio aci...

A equipe jurídica e os porta-vozes da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciaram nesta segunda-feira (19.out.2026) que a Meta estaria descumprindo determinações recentes da Justiça Eleitoral. Segundo os representantes petistas, a big tech falhou em garantir tratamento isonômico entre as candidaturas de Lula e de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o que motivará o protocolo de uma nova representação formal no Tribunal Superior Eleitoral ainda no mesmo dia.

Em pronunciamento realizado por porta-vozes da campanha, como Camilo Santana e Edén Valadares, no QG localizado no Lago Sul, em Brasília, foram detalhadas as supostas restrições impostas aos perfis oficiais nas redes sociais administradas pela empresa. De acordo com Valadares, a página principal de mobilização, batizada de “Brasil com Lula”, ficou impedida de utilizar o recurso de publicações colaborativas (conhecido como “collab”) logo após o término do debate presidencial transmitido pela Band no domingo (18.out). Esse primeiro bloqueio técnica e operacionalmente restrito permaneceu ativo até as 2h42 da madrugada de segunda-feira.

A situação voltou a se repetir nas primeiras horas da manhã. Conforme relatado por Camilo Santana, às 10h16 a mesma página sofreu nova interrupção ao tentar realizar novos pedidos de colaboração, uma ferramenta considerada estratégica por equipes de marketing digital para ampliar o alcance orgânico das publicações. Para os representantes da coligação, o episódio não configura um caso isolado, mas sim um problema recorrente que afeta de maneira desproporcional os canais de comunicação ligados à candidatura do atual chefe do Executivo.

Os porta-vozes qualificaram o incidente operacional inicialmente como uma falha técnica por parte da empresa detentora do Facebook, Instagram e WhatsApp, mas ponderaram que o impacto prático recai exclusivamente sobre a visibilidade da campanha governista. A equipe jurídica do veículo digital buscou contato com a assessoria de imprensa da Meta por meio de correio eletrônico para obter um posicionamento oficial sobre as acusações, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. O espaço permanece aberto para eventuais manifestações futuras da companhia.

Determinação da Justiça Eleitoral

A reclamação da campanha tem como base uma decisão liminar proferida pelo ministro Marco Aurélio Bellizze, que atua como juiz auxiliar da propaganda eleitoral no TSE. Na última quinta-feira (15.out.2026), o magistrado determinou que a empresa adote critérios estritamente equânimes para o tratamento de ambas as candidaturas que disputam o Palácio do Planalto, estabelecendo uma multa diária de R$ 500 mil em caso de descumprimento das ordens judiciais.

A movimentação nos tribunais tem sido intensa por parte dos dois principais concorrentes ao cargo máximo do Executivo federal. Tanto a campanha de Lula quanto a de Flávio Bolsonaro recorreram formalmente à Justiça Eleitoral sob a alegação de estarem sendo desfavorecidos ou prejudicados pelas diretrizes de moderação de conteúdo e distribuição orgânica adotadas pelas plataformas digitais.

No corpo da mesma decisão judicial, o ministro Bellizze pontuou que, até aquele momento processual, não havia elementos probatórios concretos que atestassem uma manipulação deliberada e intencional de algoritmos com o intuito de beneficiar a chapa de Flávio Bolsonaro ou sabotar a de Lula. No entanto, a defesa petista argumenta que a ordem da corte não foi devidamente cumprida justamente no momento mais crítico da disputa eleitoral, que coincidiu com a realização do debate de maior audiência da temporada.

Durante a coletiva com jornalistas, Camilo Santana enfatizou o desgaste gerado pela necessidade de recorrer constantemente ao Judiciário para assegurar regras claras no ambiente virtual. “É muito ruim a gente vir aqui todo dia apresentar nova denúncia”, declarou, cobrando que a empresa adote uma postura corporativa pautada pela ética e pela neutralidade no processo democrático.

Regras para publicidade e tráfego orgânico

A determinação de Bellizze também impõe travas claras à atuação da companhia no que tange à entrega e impulsionamento de publicações patrocinadas relacionadas aos concorrentes à Presidência. A medida corretiva foi adotada após repetidas reclamações da campanha governista sobre supostas limitações e bloqueios na distribuição de anúncios e conteúdos em formato de vídeo e imagem nas redes sociais do conglomerado.

Pelas diretrizes fixadas pela Justiça, a Meta está proibida de aplicar reduções artificiais na distribuição de publicações, limitar recomendações algorítmicas de forma direcionada ou restringir resultados de buscas que coloquem as candidaturas em patamares desiguais. A exceção recae apenas sobre remoções ou restrições baseadas em diretrizes internas que sejam aplicadas de maneira universal e isonômica a todos os postulantes, ou quando houver ordem judicial expressa.

Em nota oficial divulgada na sexta-feira (16.out), a Meta negou veementemente qualquer tipo de interferência política ou viés de favorecimento a candidatos no pleito geral brasileiro de 2026. A empresa reconheceu, contudo, a ocorrência de instabilidades e falhas técnicas de caráter temporário que acabaram por repercutir nas contas oficiais ligadas à campanha do atual presidente.

Articulação internacional e reta final

Como parte da estratégia para ampliar a pressão política sobre a corporação estrangeira, os representantes da campanha mantiveram reuniões ao longo desta segunda-feira (19.out) com equipes de investigadores, observadores e emissários oficiais da União Europeia e da OEA (Organização dos Estados Americanos). Segundo Camilo Santana, um dossiê detalhado com os relatos das falhas técnicas e das restrições de alcance foi entregue aos organismos internacionais.

A intenção da coligação governista é estender as denúncias para veículos da imprensa estrangeira e para os demais observadores internacionais devidamente credenciados junto ao TSE para acompanhar a lisura do pleito. Os porta-vozes justificaram a intensidade das cobranças devido ao acirramento da disputa na reta final, afirmando que a eleição está matematicamente “muito apertada” e que qualquer flutuação no fluxo de informações pode impactar o comportamento do eleitorado.

Para ilustrar a força da mobilização de rua, a campanha relembrou a realização de mais de 1.300 atos públicos pulverizados por 25 capitais e diversas cidades do interior durante o fim de semana. O segundo turno das eleições presidenciais está marcado para o próximo dia 25 de outubro, e os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro voltarão a debater propostas diretamente na próxima sexta-feira (23.out), em evento promovido pela TV Globo.

Fonte:: poder360.com.br

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