Chefe da AIEA afirma que inspeções em instalações nucleares do Irã vão acontecer; Teerã contesta

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Estadao.com.br

No dia 24 de outubro, o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, anunciou que inspeções em instalações de enriquecimento nuclear no Irã estão previstas como parte de um acordo em negociação entre os Estados Unidos e Teerã. Durante uma coletiva de imprensa, Grossi destacou a importância dessas inspeções para o acompanhamento das atividades nucleares iranianas.

No entanto, a declaração do chefe da AIEA foi imediatamente desafiada por um diplomata iraniano. Segundo o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, qualquer forma de acesso a essas instalações só será discutida após a assinatura de um acordo final. Esse desentendimento evidencia as divergências que ainda existem nas negociações.

Grossi enfatizou que as inspeções são uma parte fundamental do entendimento em questão e que a AIEA terá acesso às instalações nucleares do Irã, mesmo sem um cronograma específico definido. Ele mencionou que um memorando assinado entre as partes deverá assegurar que as atividades nucleares relacionadas ao material nuclear sejam monitoradas pela AIEA.

“Isso vai acontecer”, garantiu Grossi, ressaltando que, independentemente de o cronograma indicar um prazo de dois dias, uma semana ou dez dias, o compromisso com as inspeções permanece. Contudo, o governo iraniano discorda dessa perspectiva. Gharibabadi declarou que o Irã não discutiu o assunto com Grossi durante encontros recentes e reiterou que o acesso às instalações está condicionado à assinatura de um acordo final e à suspensão das sanções existentes.

“Essas questões serão analisadas e decididas somente no âmbito de um acordo final”, publicou o vice-ministro em sua conta na rede X, reforçando a posição iraniana diante das alegações. Esta troca de declarações evidencia a falta de consenso sobre um elemento crucial nas negociações: a autorização de acesso da AIEA às instalações de enriquecimento de urânio no Irã.

A situação tornou-se mais complicada desde a guerra de doze dias entre o Irã e Israel em 2025, momento em que Teerã começou a restringir o acesso da AIEA a várias de suas instalações nucleares, limitando as inspeções apenas a algumas unidades nucleares. Essa restrição impede a AIEA de realizar uma verificação completa do estoque de urânio iraniano e do funcionamento das centrífugas utilizadas no processo de enriquecimento.

Esse impasse ocorre em um contexto de negociações entre os Estados Unidos e o Irã, mediadas por terceiros, abordando a possibilidade de redução do estoque de urânio enriquecido do Irã em troca de um alívio nas sanções. As tratativas acontecem em paralelo a um cenário de tensões regionais no Oriente Médio, marcado por novos episódios de violência envolvendo Israel, Hezbollah e interesses iranianos no Líbano. Ao mesmo tempo, esforços diplomáticos estão em curso, com Washington e mediadores internacionais buscando manter o diálogo ativo.

Fonte:: estadao.com.br

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