Cientista paranaense nascido no Boqueirão ganha destaque internacional e menção ao Nobel

Redação Rádio Plug
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Celso Grebogi é professor na Escócia, mas estar...

A trajetória de um renomado pesquisador originário de Curitiba tem chamado a atenção da comunidade acadêmica internacional e gerado homenagens em sua terra natal. Celso Grebogi, físico com forte ligação com o estado do Paraná e atualmente vinculado à Universidade de Aberdeen, na Escócia, construiu uma carreira de destaque mundial na área de sistemas complexos e é frequentemente citado entre os potenciais nomes para receber o Prêmio Nobel de Física.

Em virtude de suas importantes contribuições para a ciência, a Câmara Municipal de Curitiba avançou na tramitação para conceder ao cientista o título de Vulto Emérito. A iniciativa da homenagem partiu originalmente de docentes da Universidade Federal do Paraná (UFPR), instituição onde Grebogi se graduou, e foi apresentada no Legislativo municipal, recebendo ampla aprovação em primeiro turno no plenário.

A entrega oficial da honraria está prevista para o final do ano, período em que o pesquisador tem programada uma visita ao Brasil. O reconhecimento coroa uma trajetória de superação e dedicação à ciência que teve início nos bairros da capital paranaense em meados do século passado.

Origens humildes e formação na Universidade Federal do Paraná

Nascido em julho de 1947 no tradicional bairro Boqueirão, Celso Grebogi é filho de descendentes de imigrantes poloneses. Durante a infância e a juventude, a rotina era marcada pela combinação rigorosa entre os estudos formais e o trabalho cotidiano. Logo nas primeiras horas da manhã, ele auxiliava o pai na distribuição de pães por diferentes pontos da zona sul curitibana, antes de seguir para as salas de aula.

Sua vida escolar passou por instituições tradicionais da região, como a Escola Municipal Nivaldo Braga e o Colégio Erasto Gaertner. A dedicação aos livros rendeu frutos expressivos em 1966, quando obteve a primeira colocação no concorrido vestibular de Engenharia Química da UFPR, concluindo a graduação no início da década de 1970.

Buscando aprofundar seus conhecimentos, o paranaense seguiu para o Rio de Janeiro para cursar pós-graduação em Física e, posteriormente, mudou-se para os Estados Unidos. Em terras norte-americanas, obteve o doutorado pela Universidade de Maryland com o suporte de uma bolsa de estudos internacional. Sua trajetória pós-doutoral incluiu passagens pela prestigiada Universidade da Califórnia, em Berkeley, seguida por um período como docente na própria Universidade de Maryland e colaborações acadêmicas com a Universidade de São Paulo (USP). Desde meados dos anos 2000, atua no Reino Unido, onde estabeleceu o Instituto de Sistemas Complexos e Biologia Matemática na Universidade de Aberdeen.

A revolução no estudo da teoria do caos

O grande marco da carreira acadêmica de Grebogi reside nas suas investigações pioneiras sobre a teoria do caos, ramo da física e da matemática dedicado a compreender sistemas dinâmicos altamente sensíveis às condições iniciais, onde pequenas variações podem desencadear resultados imprevistos em larga escala.

Em 1990, o pesquisador integrou um grupo de cientistas, ao lado de Edward Ott e James Yorke, responsável por publicar um artigo revolucionário na revista especializada Physical Review Letters. O trabalho demonstrou de maneira matemática que era possível exercer controle sobre comportamentos caóticos por meio de intervenções mínimas e precisamente calculadas no sistema.

A metodologia inovadora, que passou a ser internacionalmente conhecida como método OGY — em alusão às iniciais dos sobrenomes dos três autores —, abriu portas fundamentais para aplicações práticas em múltiplos setores da tecnologia e da saúde, abrangendo desde a engenharia mecânica e as telecomunicações até a medicina e a modelagem de fenômenos climáticos.

Consolidação acadêmica e projeção global

O impacto de suas pesquisas rendeu a Grebogi uma série de distinções ao longo das décadas. Em 2016, seu nome integrou a seleta lista de pesquisadores de alto impacto da Thomson Reuters Citation Laureates, um levantamento que aponta cientistas com métricas de citação comparáveis às dos laureados com o Nobel, colocando seu nome em evidência para o prêmio máximo da física mundial, embora a indicação oficial seja restrita aos comitês suecos.

Entre as premiações recebidas pelo físico estão o Humboldt Senior Prize e o Prêmio Lagrange, além de assentos em academias científicas de relevância internacional. A atuação de Celso Grebogi permanece como uma referência para novas gerações de pesquisadores, consolidando o legado da ciência produzida no Brasil no cenário global.

Fonte:: bemparana.com.br

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