O Paraná está se consolidando como um polo estratégico na produção de insumos para a saúde animal no Brasil. As obras do Centro de Pesquisa e Produção de Insumos para Diagnósticos Veterinários (CIV), do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), estão avançando. Essa nova unidade, que está sendo construída em Curitiba, terá a capacidade de produzir insumos para o diagnóstico de doenças infecciosas como brucelose, tuberculose e leucose bovina, que afetam o gado e representam riscos significativos tanto à saúde pública quanto ao agronegócio.
O mercado veterinário brasileiro aguarda ansiosamente a inauguração dessa nova planta, que está em contagem regressiva para iniciar suas operações. A previsão é de que os primeiros lotes-piloto sejam produzidos até o início de 2027. A entrega dessa obra vem ao encontro de uma antiga demanda do setor, que atualmente se vê obrigado a importar parte dos insumos necessários.
Eduardo Marafon, diretor-presidente do Tecpar, ressalta a importância dessa iniciativa. Ele acredita que o instituto poderá suprir a demanda do mercado com produtos de qualidade e em quantidade para todo o Brasil, oferecendo preços mais acessíveis. “A retomada da produção de insumos veterinários vai beneficiar toda a cadeia produtiva da pecuária brasileira, contribuindo para o fim da dependência dos produtos importados e promovendo a independência tecnológica do país. Além disso, essa iniciativa beneficiará os consumidores de produtos de origem animal, uma vez que os custos das importações são repassados para o valor final na prateleira”, destaca Marafon.
Desde sua fundação, o Tecpar possui uma excelente reputação em saúde animal, tendo fornecido testes sorológicos que atenderam a demanda nacional por três décadas. No entanto, devido à necessidade de atender a novos requisitos de biossegurança, a planta está passando por um processo de atualização nas práticas de fabricação.
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A conclusão das obras do novo laboratório é amplamente aguardada por representantes de toda a cadeia envolvida na produção e uso dos insumos para diagnóstico de brucelose e tuberculose, que são fundamentais para assegurar a eficácia dos diagnósticos e fortalecer as ações de controle sanitário no Brasil.
Otamir Cesar Martins, diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), afirma que os diagnósticos de brucelose e tuberculose representam um desafio significativo para a saúde animal no Brasil e que isso exige a produção de antígenos para diagnosticar as doenças em rebanhos. “A criação deste novo laboratório nos trará mais tranquilidade em relação à produção de antígenos, que serão disponibilizados para os profissionais envolvidos no diagnóstico em todo o Paraná”, diz Martins. “Estamos ansiosos para que essa produção comece e queremos ter a capacidade de afirmar que temos antígeno suficiente para atender todo o rebanho bovino do Brasil”, completa ele. Martins finaliza destacando a relevância do investimento do Governo do Estado ao lado do Tecpar, um órgão reconhecido pela excelência, que poderá fornecer os insumos necessários à pecuária bovina brasileira e, possivelmente, também para o mercado externo.
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O médico veterinário e superintendente da Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa (APCBRH), Altair Valloto, confirma a alta expectativa entre os produtores do setor, especialmente na cadeia produtiva do leite, para a volta da produção dos insumos para os kits de diagnóstico.
O Paraná se destaca como o segundo maior produtor de leite do Brasil, com uma produção anual de 4,5 bilhões de litros, além de uma significativa população de animais de pecuária leiteira e ser um importante exportador de genética para outros estados.
De acordo com Valloto, os kits diagnósticos são essenciais para garantir a saúde dos animais e produzir alimentos seguros e de qualidade. “A retomada da produção dos insumos pelo Tecpar é muito importante, pois temos uma alta demanda. Precisamos exportar leite e animais para outros países, e isso só é possível se conseguirmos comprovar a sanidade dos nossos rebanhos. A associação está ativamente monitorando a tuberculose e a brucelose, doenças que impactam significativamente a produção. Sem os kits, essa tarefa se torna inviável, tornando os kits o pilar fundamental da saúde animal”, afirma ele.
A produção dos insumos veterinários no Paraná também beneficiará o médico veterinário Pedro Paulo Benyunes Vieira, sócio-proprietário de uma clínica especializada em reprodução e produção de bovinos em Carambeí, que atende toda a região dos Campos Gerais. Segundo Vieira, ter a produção local facilitará a logística, garantindo que os produtos cheguem mais rapidamente ao usuário final, em comparação com insumos que precisam ser importados.
“Espero que com a volta da produção de insumos para kits diagnósticos pelo Tecpar possamos ter uma frequência maior de produtos nas lojas e cooperativas, evitando atrasos nos exames”, afirma Vieira, que é um dos profissionais capacitados pelo Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal.
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No total, sete insumos serão fabricados pelo Tecpar: tuberculina PPD bovina, tuberculina PPD aviária, antígeno acidificado tamponado (AAT), prova lenta (PL) em tubos, anel do leite Ring Test (RT), kit para diagnóstico de brucelose ovina e kit para diagnóstico da leucose bovina.
Esses produtos fazem parte do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal (PNCEBT), que está vinculado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O objetivo é atender não só o Paraná, mas também comercializar os insumos para os estados que possuem os maiores rebanhos leiteiros do Brasil, como Minas Gerais, Goiás, Bahia, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Giselle Almeida Nocera Espírito Santo, gerente do Centro de Pesquisa e Produção de Insumos para Diagnósticos Veterinários, destaca que o Tecpar está constantemente atualizando seus processos produtivos para alcançar níveis de qualidade cada vez mais elevados. “O conhecimento e a experiência adquiridos ao longo de mais de setenta anos capacitam o instituto a lidar com um projeto de grande complexidade. Este investimento terá impactos diretos na exportação agropecuária, que deve atender às exigências sanitárias crescentes dos países importadores”, conclui ela.
O Centro de Pesquisa e Produção de Insumos para Diagnósticos Veterinários ocupará uma área total de 3 mil metros quadrados e terá uma capacidade produtiva prevista de 40 milhões de doses por ano. O investimento do Governo do Estado para a construção é de R$ 41,5 milhões, além de R$ 30 milhões destinados à aquisição de equipamentos técnicos. Esses recursos são oriundos do Fundo Paraná, uma dotação destinada ao fomento científico administrada pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti).
Fonte:: parana.pr.gov.br




