O estado do Paraná deu mais um passo importante na prevenção e na gestão de riscos associados a eventos climáticos extremos. Na última sexta-feira (28), o Centro Integrado de Comando e Controle Regional do Paraná (CICCR), localizado em Curitiba e vinculado à Secretaria da Segurança Pública do Estado (SESP), sediou o primeiro simulado de mesa integrado voltado para o planejamento de respostas aos efeitos do fenômeno El Niño.
A iniciativa, conduzida pelo Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR), reuniu diversas frentes estratégicas do poder público estadual e federal. Estiveram presentes representantes da Coordenadoria Estadual da Defesa Civil (CEDEC), do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), do Instituto Água e Terra (IAT), da Polícia Militar do Paraná (PMPR), das Forças Armadas, da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF). O treinamento coroa uma série de articulações iniciadas em julho, cujo objetivo principal é estruturar uma resposta coesa diante de potenciais desastres de grande magnitude.
Para o comandante-geral do CBMPR, coronel Antonio Geraldo Hiller Lino, a sinergia entre as corporações precisa ser lapidada em momentos de normalidade. “A integração precisa ser construída antes que uma emergência aconteça, permitindo que os diferentes órgãos conheçam previamente suas capacidades, formas de atuação e canais de comunicação. Quando são conhecidas as formas de trabalho de cada organização, tudo é facilitado no momento da ocorrência, o atendimento pode ser realizado com muito mais rapidez e com maior eficiência e eficácia”, destacou o oficial.
O subcomandante-geral da corporação, coronel Jonas Emmanuel Benghi Pinto, também avaliou o exercício de forma positiva. Segundo ele, a dinâmica serviu para atestar a eficiência operacional do próprio CICCR como uma estrutura centralizada de gerenciamento de crises. O treinamento permitiu estreitar laços institucionais e fixar protocolos estritos para uma eventual ativação do espaço.
“Ficou definido que, em uma situação real de desastre, essa sala será solicitada e dentro de 15 a 20 minutos, estará em condições para ser usada como gabinete de gestão de crise. É o tempo que nós precisamos para que os representantes dos demais órgãos, que já estarão paralelamente acionando suas centrais, cheguem aqui”, explicou o subcomandante-geral.
Cenários progressivos de complexidade
Sob a coordenação do chefe da Seção de Operações do CBMPR, tenente-coronel Dimas Menegatti, o exercício prático foi estruturado em três fases distintas, simulando a escalada progressiva de uma crise gerada por intempéries severas. Cada etapa exigiu dos participantes tomadas de decisão rápidas e alinhadas com as atribuições de cada órgão.
Na primeira fase, o ponto de partida foi um alerta meteorológico indicando chuvas torrenciais, com ocorrência de deslizamentos em uma localidade fictícia (cidade A) e elevação crítica no volume do Rio Iguaçu nos municípios B e C. Nesse momento inicial, as equipes focaram em definir medidas preventivas de prontidão, pré-mobilização de recursos materiais e humanos, além de alinhar os canais de comunicação integrada.
O segundo cenário elevou o grau de dificuldade: os impactos se intensificaram com uma queda de barreira que isolou totalmente a cidade A, alagamentos relâmpagos na cidade B, colapso nas redes de energia e telefonia, além de famílias ilhadas na cidade C. As frentes de trabalho debateram a instauração de um comando unificado, a logística de suprimentos, a regulação de fluxo de vítimas e alternativas emergenciais para restabelecer as telecomunicações na zona afetada.
Por fim, a terceira e última etapa simulou um panorama de crise severa e alta complexidade. Um novo deslizamento atingiu áreas residenciais, gerando múltiplas vítimas e deixando alunos e professores presos em uma unidade escolar. O cenário ainda contemplou risco de vazamento de produtos químicos, superlotação da rede hospitalar local, propagação de notícias falsas (desinformação) e o desafio logístico de manter o revezamento e o suporte às equipes de salvamento após jornadas exaustivas. O controle do espaço aéreo, a desobstrução de vias estratégicas e a desmobilização planejada dos recursos também entraram na pauta.
Sinergia de capacidades técnicas e operacionais
O sucesso de uma operação em grandes desastres depende diretamente da especialidade de cada instituição envolvida. Durante o simulado, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) direcionou seus esforços para os protocolos de regulação médica e atendimento pré-hospitalar a múltiplos feridos. O Simepar manteve o monitoramento meteorológico constante, garantindo a sustentação de dados para a tomada de decisões táticas em tempo real.
Já o Instituto Água e Terra (IAT) colocou à disposição suas bases regionais para fornecer suporte técnico, repassando dados vitais de ordem ambiental, hidrológica e meteorológica. O Exército Brasileiro detalhou os procedimentos de emprego operacional, incluindo o uso de viaturas pesadas, equipes de engenharia, maquinário especializado e embarcações para resgates em áreas alagadas.
As demais forças de segurança pública e órgãos de apoio debateram estratégias para o isolamento e controle de perímetros, campanhas informativas para a população e o suporte logístico necessário às frentes de resposta humanitária e de salvamento.
A atividade faz parte de um cronograma estratégico liderado pelo Corpo de Bombeiros para blindar o estado contra os reflexos negativos de alterações climáticas acentuadas, identificando gargalos e aprimorando fluxos internos antes que a população seja de fato colocada em risco real.
Fonte:: bemparana.com.br




