A central nuclear de Zaporizhzhia, localizada na Ucrânia, enfrenta uma situação crítica após passar mais de uma semana completamente desprovida de fornecimento externo de eletricidade. Diante da interrupção na rede elétrica principal, a instalação passou a depender exclusivamente de geradores a diesel de emergência para manter suas operações vitais em funcionamento, conforme alertado neste sábado, 29, pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
O complexo atômico, cujos seis reatores encontram-se atualmente parไงdos, necessita de um fluxo constante de energia para garantir o resfriamento adequado do combustível nuclear e evitar potenciais acidentes radiológicos. De acordo com o órgão de fiscalização nuclear vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU), as reservas atuais de combustível diesel na planta são limitadas e suficientes para apenas dez dias de operação contínua dos geradores.
A situação de abastecimento é agravada pelas dificuldades logísticas na região. A usina está sem receber carregamentos diretos em suas instalações de armazenamento externas há aproximadamente seis meses. No entanto, a AIEA confirmou que novos suprimentos de diesel conseguiram ser entregues na quinta e na sexta-feira, vindo de uma localidade alternativa situada fora do perímetro central da central.
Preocupação internacional com a segurança nuclear
O diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, enfatizou a gravidade do cenário enfrentado pelos operadores da maior usina nuclear do continente europeu. Segundo o dirigente, a garantia de reservas energéticas é um fator crítico para a estabilidade da planta durante crises prolongadas.
“A disponibilidade de combustível diesel é de extrema importância sempre que uma usina nuclear perde o fornecimento externo de eletricidade”, declarou Grossi por meio de um comunicado oficial emitido a partir de Viena, na Áustria. “A situação atual demonstra mais uma vez por que um fornecimento externo de eletricidade confiável e rotas de abastecimento seguras são indispensáveis para a segurança e a proteção nucleares”, complementou.
Conforme os relatórios técnicos divulgados pela agência internacional, a interrupção no fornecimento regular de energia ocorreu em decorrência de intensas atividades militares registradas nas imediações da margem norte do rio Dnipro. A proximidade da linha de frente do conflito armado torna qualquer tentativa de reparo na rede de transmissão uma operação de alto risco para as equipes de engenharia.
Esforços diplomáticos e incidentes recentes
Diante do risco latente, a organização sediada na Áustria informou que mantém entendimentos diplomáticos na tentativa de viabilizar um cessar-fogo pontual na região. O objetivo dessa trégua temporária seria permitir o acesso seguro de equipes técnicas para realizar os consertos necessários nas linhas de transmissão danificadas.
A vulnerabilidade da instalação foi evidenciada ainda mais na véspera, quando a AIEA reportou a ocorrência de três incidentes distintos envolvendo drones nas dependências da usina de Zaporizhzhia ao longo da semana. Os ataques resultaram em ferimentos em dois funcionários, elevando novamente o nível de alerta e a apreensão da comunidade internacional quanto à integridade física do complexo.
A central nuclear de Zaporizhzhia, situada na cidade de Enerhodar, passou para o controle do Exército russo em março de 2022, logo no início do conflito em território ucraniano. Desde então, a instalação tem sido recorrente motivo de debates geopolíticos e preocupações de segurança. Moscou e Kiev trocam acusações mútuas com frequência sobre a responsabilidade por ataques e bombardeios nas imediações da infraestrutura crítica, situada estrategicamente às margens do rio Dnipro.
Para monitorar in loco a situação e tentar mitigar os riscos de um desastre de grandes proporções, especialistas e inspetores da AIEA mantêm uma presença permanente na usina de Zaporizhzhia desde setembro de 2022. Os seis reatores da planta seguem estritamente desligados desde aquele mesmo ano, embora ainda demandem sistemas complexos de resfriamento e monitoramento contínuo para evitar o superaquecimento do material radioativo.
Fonte:: estadao.com.br




