Imagens de satélite revelam o que provocou enchentes devastadoras no Nepal e no Tibete

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Estadao.com.br

Cientistas que examinaram imagens de satélite e dados sismológicos divulgaram novas informações sobre a tragédia que atingiu o Nepal e o Tibete. De acordo com os especialistas, um deslizamento de terra em uma área de grande altitude, ocorrido de forma simultânea ao colapso de uma geleira, foi o provável causador das enchentes repentinas que deixaram centenas de vítimas.

Inicialmente, glaciologistas e geólogos haviam identificado apenas que um imenso bloco de uma geleira tinha se desprendido. No entanto, com a análise de novos registros fotográficos captados em um momento com menor cobertura de nuvens, os pesquisadores constataram que uma extensa faixa de rocha localizada sob a geleira também ruiu.

“A rocha sobre a qual a geleira estava apoiada desabou”, explicou Kristen Cook, especialista em geomorfologia da Université Grenoble Alpes. Segundo a pesquisadora, a força gerada pela combinação desses colapsos lançou milhões de toneladas de gelo e rocha diretamente em direção ao vale.

Conforme destacou a especialista, a magnitude do evento superou em muito o que foi possível observar nas primeiras avaliações visuais obtidas por satélite.

Impacto sísmico e energia liberada

A imensa massa rochosa e congelada converteu-se em uma mistura de lama e água ao despencar pela encosta. A força do impacto foi tão intensa que o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) registrou o fenômeno como um evento sísmico de magnitude 5,2.

Especialistas esclarecem que o registro de um deslizamento como terremoto ocorre porque qualquer transferência massiva de energia para a crosta terrestre gera ondas sísmicas detectáveis por instrumentos em todo o planeta. O fluxo de detritos em questão teria liberado uma quantidade de energia equivalente à detonação de 1 mil toneladas de TNT.

O sismólogo Stephen Hicks, da University College London, apontou que o dado mais relevante é a possibilidade de calcular a massa do material a partir da força estimada. O resultado impressiona: quase 400 milhões de toneladas de detritos em movimento, um volume comparável à queda simultânea de 1 mil edifícios Empire State sobre o vale do rio.

Causas e proporções do desastre

Embora apontem que o aumento das temperaturas decorrente das mudanças climáticas possa ter desestabilizado a encosta rochosa, os cientistas ressaltam que ainda é prematuro definir uma causa isolada para o fenômeno. O colapso teve início na face norte do Langtang Lirung, montanha situada próxima à fronteira entre o Nepal e o Tibete, a aproximadamente 5,2 mil metros de altitude.

O geólogo Daniel Shugar, da University Calgary, resumiu o evento afirmando que, essencialmente, um trecho inteiro da encosta da montanha veio abaixo. A enxurrada de detritos percorreu vales do Himalaia, devastando vilarejos e deixando centenas de mortos e milhares de desaparecidos na região de fronteira entre o território nepaleso e a China.

À medida que avançava por afluentes e redes fluviais, o fluxo de rocha e gelo incorporou ainda mais água e sedimentos, alcançando dezenas de quilômetros de distância do ponto inicial do deslizamento. Hidrologistas relatam que a muralha de água surpreendeu pela escala, com registros em vídeo mostrando a violência da inundação no posto de fronteira de Gyirong.

Entre as hipóteses levantadas pelos pesquisadores para explicar o volume incomum de água está a formação temporária de represas naturais por detritos ao longo dos rios a montante, cujos rompimentos posteriores teriam intensificado a força da enchente. A expectativa da comunidade científica é de que novas imagens de alta resolução ajudem a esclarecer os detalhes finais da dinâmica que resultou nesta catástrofe natural.

Fonte:: estadao.com.br

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