Corpos de brasileira e marido mortos no Líbano ainda não foram localizados

Redação Rádio Plug
Foto: Divulgação / Estadao.com.br

Os corpos de Manal Jaafar, brasileira, e de seu esposo, o libanês Ghassan Nader, que foram mortos no dia 26 de dezembro durante um ataque israelense em Bint Jbeil, no sul do Líbano, ainda não foram encontrados até a última terça-feira, dia 28. A informação foi fornecida por Bilal Nader, irmão de Ghassan. O casal tinha um filho mais novo, Ali Ghassan Nader, de 11 anos, também brasileiro, que não sobreviveu ao bombardeio.

Bilal relatou, em entrevista por telefone à TV Globo, que a família não residia mais na casa que foi bombardeada. Eles retornaram ao local para recuperar alguns pertences após um cessar-fogo temporário。

“Como houve uma trégua e os ataques cessaram, eles decidiram ir até a cidade onde estavam seus antigos lares para verificar a situação. Eles olharam tudo, tomaram café da manhã e estavam organizando as malas com os itens que pretendiam levar”, descreveu Bilal.

No contexto do conflito, oficialmente, Israel e o Hezbollah, grupo militante aliado ao Irã, estavam em um cessar-fogo desde 17 de abril, que terminaria no dia 26 de dezembro. No entanto, esse cessar-fogo foi prorrogado por mais três semanas, conforme anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Apesar disso, os combates prosseguiram entre as duas facções.

Durante o ataque, Bilal contou que seu irmão e a cunhada estavam dentro de casa, enquanto seus filhos estavam do lado de fora. “As crianças foram pegas no ataque. O menor, infelizmente, não sobreviveu. O outro está se recuperando bem”, relatou o tio. O enterro de Ali foi realizado no dia 27 de dezembro.

Segundo Bilal, a residência da família, que tinha três andares, foi completamente destruída. “A força do bombardeio foi tanta que o edifício de três andares se transformou em escombros”, relatou.

As mortes de Ali e Manal foram oficialmente confirmadas pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil na noite de segunda-feira. O ministério emitiu um comunicado afirmando que o ataque se configura mais uma violação do cessar-fogo vigente e ressaltou que tais ações já resultaram na morte de numerosos civis libaneses, incluindo mulheres e crianças, assim como de um jornalista e dois soldados franceses da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil).

“O Brasil expressa suas sinceras condolências aos familiares das vítimas e reafirma sua condenação a todas as ações hostis realizadas durante o período do cessar-fogo, provenientes tanto das forças israelenses quanto do Hezbollah”, destacou o Itamaraty em sua nota.

“A Embaixada do Brasil em Beirute está em contato com a família dos brasileiros falecidos para prestar o suporte consular necessário, incluindo auxílio ao filho que se encontra hospitalizado”, concluiu.

Uma pesquisa realizada pela Agence France-Presse (AFP), com base em dados fornecidos pelo Ministério da Saúde do Líbano, revela que, desde o início do cessar-fogo, ao menos 36 pessoas perderam a vida em ataques israelenses.

Poucas horas antes do ataque que vitimou a família Nader, as Forças de Defesa de Israel (IDF) emitiram um alerta aos moradores de diversas vilas no sul do Líbano, recomendando que evacuassem suas residências. Entre as localidades mencionadas estava Bint Jbeil. Contudo, o aviso não indicava a iminência de um ataque.

Na terça-feira, as IDF anunciaram que se sentirão “obrigadas a agir com rigor contra” o Hezbollah, acusando o grupo de violar o acordo de cessar-fogo. Além disso, reiteraram o pedido para que os habitantes deixassem as regiões mencionadas. “Qualquer pessoa que se encontre próxima a membros do Hezbollah, suas instalações ou seu armamento coloca a própria vida em risco”, advertiu um porta-voz.

Fonte:: estadao.com.br

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