O estado do Paraná enfrenta uma média alarmante de 18 pessoas desaparecidas diariamente. O dado faz parte de um levantamento recente do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que contabilizou um total de 13.051 registros de desaparecimentos no território paranaense ao longo de dois anos consecutivos.
Enquanto os números estaduais revelam a dimensão do problema, a angústia se concentra em um caso de grande repercussão ocorrido em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba. Na última semana, um menino autista de apenas cinco anos desapareceu de sua residência, mobilizando uma força-tarefa de proporções significativas que envolve diversas forças de segurança e equipes de resgate.
Cenário preocupante coloca o estado entre os maiores registros do país
De acordo com as estatísticas divulgadas pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Paraná figura como a quarta unidade da federação com o maior volume de ocorrências de desaparecimento em todo o território nacional. Foram catalogados 6.547 casos em um ano e outros 6.504 no período subsequente. Em âmbito nacional, o cenário também é expressivo, somando mais de 165 mil casos nos mesmos dois anos, com um crescimento notável nos registros de um ano para o outro.
No panorama geral do país, apenas São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul superam os índices paranaenses. Paralelamente, o sistema de cadastro oficial gerido pela Polícia Civil do Paraná (PCPR) aponta que milhares de pessoas permanecem com o paradeiro desconhecido no estado, abrangendo tanto adultos quanto menores de idade. A população pode consultar e colaborar com o sistema por meio da página oficial www.desaparecidos.pr.gov.br.
Desaparecimento de criança em área rural intensifica buscas
O caso que comove a região envolve o pequeno João Gabriel Ferreira dos Santos, de cinco anos. O menino, que possui Transtorno do Espectro Autista (TEA) e não é verbal, sumiu após avisar a mãe que iria ao banheiro, situado na área externa da moradia da família, localizada na localidade de Campo Redondo, em Araucária.
Após buscas iniciais realizadas pelos próprios familiares por cerca de uma hora sem sucesso, as autoridades competentes foram acionadas. Desde então, uma operação integrada foi montada, reunindo aproximadamente 150 pessoas entre bombeiros militares, policiais civis, policiais militares, guardas municipais e voluntários.
A complexidade das operações é acentuada pelas características geográficas da região onde a família residia a trabalho. Trata-se de uma zona predominantemente rural e agrícola, caracterizada por vegetação densa, matas fechadas, além de diversos tanques e açudes, o que dificulta o trabalho das equipes especializadas.
Para otimizar o resgate, a força-tarefa tem empregado recursos tecnológicos avançados, incluindo drones equipados com câmeras térmicas, equipes de mergulho técnico e cães farejadores. O suporte aéreo conta com aeronaves do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná e da Polícia Militar do Paraná, apoiadas por viaturas terrestres.
Investigação policial e mobilização social
A Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar todas as circunstâncias do sumiço. Os responsáveis pela criança prestaram depoimento e materiais de segurança, como imagens de câmeras próximas, foram recolhidos para análise pericial.
As autoridades reforçam que qualquer pista pode ser crucial. Informações e denúncias anônimas podem ser direcionadas pelos números de emergência tradicionais, como o 197 da Polícia Civil, o 181 do Disque-Denúncia, ou diretamente na delegacia mais próxima.
Além dos meios tradicionais de investigação e busca, o caso foi integrado ao sistema nacional Amber Alert. A ferramenta tecnológica aciona automaticamente notificações em redes sociais para usuários situados em um raio de 160 quilômetros do local onde a criança foi vista pela última vez, com o objetivo de ampliar o alcance de visualizações e obter auxílio imediato da comunidade.
No momento do desaparecimento, o menino vestia uma calça azul-escura e uma camiseta de uma escola de Londrina, município onde a família morava antes de se transferir para a região metropolitana de Curitiba.
Fonte:: bemparana.com.br




