Curitiba avança na criação do pioneiro bairro inteligente no sul do país

Redação Rádio Plug
7 min. de leitura
Curitiba constrói bairro inteligente com 1,693 ...

A capital paranaense está promovendo uma profunda transformação urbana na Vila 29 de Outubro, situada no bairro Caximba. A região está sendo convertida em um moderno complexo habitacional dotado de infraestrutura completa, saneamento básico, preservação de áreas verdes e estratégias avançadas de prevenção a alagamentos. Conhecido oficialmente como Bairro Novo do Caximba, o empreendimento ocupa uma extensão territorial de 380 mil metros quadrados, com o objetivo principal de elevar significativamente a qualidade de vida e as condições de moradia de 1.693 famílias que historicamente habitavam um perímetro marcado por ocupações informais e vulnerabilidade a inundações.

Tratando-se da maior intervenção de cunho socioambiental realizada recentemente na cidade, o projeto é propagandeado pela gestão municipal como o primeiro bairro inteligente do território brasileiro. A execução abrange um planejamento integrado que conjuga a edificação de residências dignas, pavimentação asfáltica e em concreto, implantação de redes de distribuição de água potável, coleta e tratamento de esgoto, fornecimento regular de energia elétrica, implantação de equipamentos comunitários essenciais e a recuperação integral do ecossistema local.

Para viabilizar financeiramente a empreitada, os recursos foram obtidos por meio de um contrato com a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD). A coordenação dos trabalhos fica sob a responsabilidade da Secretaria Municipal de Obras Públicas, contando com a atuação direta da Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab) em todas as etapas de cadastramento e relocação das famílias.

Bairro Novo do Caximba concentra centenas de moradias em fase de obras

As habitações recém-construídas são direcionadas de maneira exclusiva aos núcleos familiares que anteriormente residiam em cenários de extrema precariedade, sobretudo em zonas severamente afetadas por cheias recorrentes. O planejamento urbanístico contempla tanto casas térreas quanto sobrados, todos assegurando acesso imediato a serviços básicos essenciais, a exemplo de água tratada, energia elétrica, esgotamento sanitário e vias pavimentadas adequadamente.

O marco inicial das entregas ocorreu com a disponibilização das primeiras 60 unidades habitacionais, celebrada oficialmente em uma solenidade realizada no dia 3 de julho. Paralelamente, os relatórios operacionais da Prefeitura apontavam que outras 912 moradias seguiam em ritmo acelerado de construção. O cronograma estabelece que a transição e a entrega das chaves ocorram de forma gradual, acompanhando rigorosamente o avanço dos canteiros de obras espalhados pelo terreno.

Evolução histórica da ocupação em zona de fragilidade ambiental

O surgimento da Vila 29 de Outubro remonta a aproximadamente doze anos antes do pontapé inicial das atuais intervenções públicas. O adensamento populacional ocorreu de maneira desordenada e desprovida de planejamento em uma área de evidente risco hidrológico, situada estrategicamente na zona de confluência entre as bacias hidrográficas dos rios Iguaçu e Barigui, local que originalmente abrigava cavas voltadas ao represamento e controle natural de cheias.

Documentos técnicos do projeto apontam que trechos expressivos dessa planície de inundação foram sucessivamente aterrados com o uso de entulhos da construção civil e resíduos sólidos diversos, abrindo espaço para a proliferação de habitações precárias nas margens dos cursos d’água. Tal configuração espacial consolidou um cenário adverso que impedia a instalação de redes estruturadas de saneamento, a pavimentação viária duradoura e a prestação eficiente de serviços públicos essenciais. A atual urbanização atua justamente no sentido de mitigar os riscos socioambientais, removendo os moradores de áreas insalubres, reabilitando o meio ambiente degradado e reordenando o espaço urbano com parâmetros modernos de engenharia.

00000306_fundosecao

Vista aérea da área da Vila 29 de Outubro às margens do Rio Barigui no Caximba – Curitiba, 24/07/2020 – Foto: Daniel Castellano / SMCS

A recuperação ambiental figura como um dos pilares fundamentais do Bairro Novo do Caximba. A diretriz central consiste em salvaguardar os remanescentes de vegetação nativa e requalificar a paisagem urbana em uma porção territorial considerada estratégica para a drenagem urbana e para a manutenção do equilíbrio ecológico da capital paranaense.

Montante financeiro e cooperação internacional viabilizam o projeto

O escopo completo do Bairro Novo do Caximba demanda um aporte financeiro estimado em € 47,6 milhões, pulverizados ao longo de um horizonte de cinco anos de execuções. Desse total expressivo, a fatia de € 38,1 milhões é proveniente de linhas de crédito internacional concedidas pela Agência Francesa de Desenvolvimento, ao passo que os € 4,5 milhões remanescentes representam a contrapartida obrigatória aportada pelos cofres do tesouro municipal.

O pacto político e administrativo voltado à revitalização desta porção da cidade foi assumido formalmente pela administração municipal ainda no ano de 2017. Desde então, a estratégia tem conjugado frentes simultâneas de engenharia civil, habitação de interesse social e reestruturação ecológica para solucionar um passivo histórico de déficits habitacionais e vulnerabilidade climática.

Integração com novo parque linear e áreas de convivência

00580415

Foto: SMCS

Como parte complementar da infraestrutura, a implantação de um novo parque linear às margens do Rio Barigui introduzirá elementos de engenharia verde, tais como lagos artificiais destinados à filtragem e retenção temporária de águas pluviais, além de espaços públicos multifuncionais voltados ao lazer e à socialização dos habitantes. Essa estrutura funcionará como um limite físico rigoroso para conter o avanço da ocupação humana sobre a região, que possui o status legal de Área de Preservação Ambiental (APA).

O projeto paisagístico e urbanístico do parque prioriza a mobilidade ativa e a acessibilidade universal, assegurando fluxos seguros e desimpedidos para pedestres, ciclistas e cidadãos com mobilidade reduzida. Uma ciclovia contínua, com 1,8 quilômetro de extensão, será construída na cumeeira do dique de contenção. Em trechos específicos, o traçado da pista será sombreado por estruturas compostas de pérgolas de eucalipto roliço tratado, projetadas para receberem plantas trepadeiras e formarem corredores arborizados.

Corparalelamente à ciclovia, o projeto contempla a execução de uma pista de caminhada moldada em concreto, com largura média de 2,80 metros, dimensionada adequadamente para a prática de atividades físicas, corridas e caminhadas diárias pela comunidade local.

Fonte:: bemparana.com.br

Anúncios
Compartilhe este artigo