CARACAS – Entre a noite de quarta-feira, 25, e a manhã de quinta-feira, a Venezuela foi abalada por uma sequência de terremotos que marcaram a história do país, sendo os mais severos registrados nos últimos 126 anos.
As tragédias naturais resultaram na morte de pelo menos 164 pessoas, enquanto mais de mil moradores ficaram feridos, com os maiores estragos concentrados em Caracas e na área costeira de La Guaira.
O apelo por ajuda humanitária já foi atendido por mais de 17 países que se oferecem para apoiar as operações de busca por sobreviventes, que começaram na manhã seguinte aos tremores.
A localização da Venezuela, próxima a diversas falhas geológicas e na intersecção das placas tectônicas Sul-Americana e do Caribe, normalmente torna os terremotos fortes menos comuns em comparação a regiões como o Chile e o Peru, que frequentemente vivenciam tais eventos. Devido a isso, a infraestrutura local e o preparo das equipes de resgate são geralmente inferiores.
O último grande evento sísmico registrado no país ocorreu em 1967, resultando na morte de 301 pessoas e ferimentos em mais de 2 mil, além de deixar cerca de 80 mil pessoas desalojadas.
A administração de Nicolás Maduro, no poder desde 1999, tem sido criticada pela falta de investimentos adequados em infraestrutura e na prevenção de desastres naturais, uma preocupação que volta a ser essencial neste momento de crise.
A presidente interina, Delcy Rodríguez, fez um apelo para a colaboração de países vizinhos e recebeu propostas de assistência de nações como Estados Unidos, China e Brasil.
Os terremotos, com magnitudes de 7,2 e 7,5, foram os mais intensos a acometer a Venezuela em mais de um século e puderam ser sentidos em uma ampla área da região. O Aeroporto Internacional Simón Bolívar, localizado em Maiquetía, sofreu danos significativos e teve suas operações suspensas.
Os tremores foram sentidos em cidades brasileiras, como Boa Vista, Manaus e Belém, onde moradores também relataram a experiência dos abalos.
O ministro do Interior, Diosdado Cabello, recomendou que a população permanecesse ao ar livre devido ao risco de réplicas, que poderiam causar mais danos. Muitas pessoas passaram horas nas ruas, buscando abrigo e segurança, enquanto a poeira se acumulava ao seu redor.
No centro de Caracas, centenas de cidadãos se reuniram em parques e áreas abertas durante a noite. As autoridades alertaram para o perigo de retornar a residências com danos estruturais.
Durante os momentos de pânico, moradores evacuaram edifícios que tremiam, com muitos visivelmente assustados ao testemunharem as destruições ao seu redor. Colunas de poeira subiam em bairros movimentados da capital.
“Começou de forma leve e foi aumentando pouco a pouco; no final, todos tivemos que sair de casa e nos reunir fora”, afirmou o morador de Caracas, Hector Ricci.
As consequências dos terremotos implicaram em cortes de energia elétrica e interrupções no sinal de celular em várias partes de Caracas. O serviço de metrô foi suspenso e o fornecimento de gás natural também foi afetado, conforme informado por Rodríguez.
As aulas foram interrompidas por vários dias, com o Ministério da Educação decidindo que algumas escolas seriam transformadas em abrigos e centros de arrecadação de doações para as vítimas.
Na manhã de quinta-feira, as dificuldades aumentaram para muitos que tentavam contatar parentes desaparecidos, uma vez que houve uma forte queda na qualidade do sinal de celular em várias localidades.
À medida que a busca por sobreviventes continua, a solidariedade de outros países e a mobilização local se tornam essenciais para ajudar a população venezuelana a enfrentar a tragédia e começar o processo de recuperação.
Fonte:: estadao.com.br




