À primeira vista, o Porto de Paranaguá pode parecer dominado pelo movimento intenso de navios cargueiros, guindastes gigantes e uma complexa rede logística que conecta o Paraná ao comércio internacional. No entanto, abaixo da superfície da água, um universo completamente diferente se revela. Nos estuários, onde as águas do rio encontram o oceano, o ecossistema dos manguezais exibem a sua rica biodiversidade, que floresce especialmente durante a maré alta, submergindo a flora e fauna locais.
Combinar a operação de um dos maiores complexos portuários da América Latina com a preservação ambiental é um feito considerável alcançado por pesquisadores e profissionais que atuam no Porto de Paranaguá. Pesquisas recentes mostram que essa área abriga uma impressionante variedade de espécies nativas, que vão desde pequenos peixes que utilizam as raízes dos mangues como refúgio, até grandes predadores marinhos que visitam a baía à procura de alimento.
- Portos do Paraná moderniza iluminação do Pátio de Triagem com um investimento de R$ 7,7 milhões
Olhar para a ciência
Para compreender a riqueza da vida marinha presente nas águas da Baía de Paranaguá, a empresa pública Portos do Paraná tem realizado investimentos significativos em um programa ambiental focado na ictiofauna, além de apoiar pesquisas acadêmicas relacionadas a esse assunto. O monitoramento contínuo e rigoroso é crucial, e os trabalhos desenvolvidos nessa área são considerados relevantes do ponto de vista científico. Atualmente, a parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), através do Centro de Estudos do Mar (CEM), conta com três convênios ativos que têm como objetivo mapear e catalogar as espécies locais, além de fornecer dados a pesquisadores que assim o desejem.
Pesquisadores paranaenses ressaltam que a Baía de Paranaguá funciona como um ecossistema de transição. “A mistura das águas doces provenientes dos rios e a água salgada do Oceano Atlântico cria um ambiente repleto de nutrientes. Espécies como o robalo, a corvina e os bagres marinhos encontram ali condições ideais para reprodução e crescimento. A diversidade e saúde da comunidade de peixes é um forte indicativo de que a qualidade da água e os habitats circundantes estão conseguindo suportar a pressão provocada pela ação humana”, afirma Pedro Pisacco Pereira Cordeiro, coordenador de Comunicação, Educação e Sustentabilidade dos Portos do Paraná.
Cuidado máximo
A manutenção desse delicado ecossistema não é um resultado do acaso, mas sim fruto de uma gestão que entende que o desenvolvimento econômico deve coexistir com a sustentabilidade ambiental. Programas rigorosos de monitoramento ambiental avaliam desde a qualidade da água e dos sedimentos até o nível de ruído subaquático gerado pelos navios.
- Porto de Paranaguá recebe navio sustentável de 225 metros em viagem inaugural
A proteção da fauna marinha é uma prioridade nas operações diárias e nos planos de expansão do porto. O acompanhamento rigoroso da ictiofauna, por exemplo, permite prever impactos e ajustar atividades como dragagens e obras estruturais para que não interfiram em períodos de reprodução ou em momentos de maior vulnerabilidade para as espécies locais.
Adicionalmente, o programa ambiental que monitora cetáceos e quelônios assegura que a movimentação de grandes embarcações e os níveis de ruído não prejudiquem essas espécies. Não é incomum observar botos nas proximidades do porto, já que eles costumam se apropriar das estruturas e do próprio casco dos navios para se alimentarem, encurralando cardumes.
- Estado inaugura nesta quarta-feira o Museu Satélite da Casa Alfredo Andersen em Paranaguá
Luiz Fernando Garcia, diretor-presidente dos Portos do Paraná, enfatiza que a eficiência logística do estado caminha junto com a responsabilidade ecológica: “Estamos profundamente comprometidos em inovar e avançar tecnologicamente, ao mesmo tempo em que reconhecemos nossa responsabilidade ambiental. Não há desenvolvimento econômico duradouro que possa ocorrer sem que nossas ações estejam fundamentadas na sustentabilidade”, declara. “Crescer e preservar precisam caminhar juntos”, destaca.
Equilíbrio para o futuro
O panorama de Paranaguá demonstra que economia e ecologia não são forças opostas. Enquanto os navios garantem o transporte das safras e abastecem mercados internacionais, os manguezais da baía continuam a desempenhar seu papel histórico na proteção da vida marinha. O desafio de manter as águas limpas e a ictiofauna protegida é constante, mas, com o apoio de pesquisadores locais e uma gestão portuária consciente, as futuras gerações de paranaenses e as centenas de espécies de peixes que habitam essa região têm seu espaço assegurado nessa engrenagem.
Fonte:: parana.pr.gov.br




