No Athletico, é incomum que técnicos durem no cargo. Até a contratação de Odair Hellmann, em 21 de maio de 2025, o clube registrava, em média, 3,4 comandantes por ano desde o início da famigerada Era Petraglia, em 1995.
A instabilidade entre treinadores, no entanto, precede – e muito – a influência do atual presidente. O último a realizar uma temporada completa à frente do Furacão, por exemplo, foi Geraldo Damasceno, em 1982.
Lá se vão 44 anos, ou seja, 43% de do tempo total de fundação do centenário Rubro-Negro paranaense.
Por isso, nesta quinta-feira (21), o Papito pode bater no peito e vibrar, como gosta de comemorar. Contrariando as estatísticas, o catarinense de 49 anos se junta a Paulo Autuori (entre 2016 e 2017) e Tiago Nunes (entre 2018 e 2019) como os únicos técnico neste século a alcançarem 365 dias consecutivos no Athletico. Um ano inteiro de Papito, exceção à regra no clube da Baixada.
Estou feliz demais no clube, honrado de ser o treinador do Athletico. Adaptado e feliz com a cidade, o que gera alegria e confiança para que eu possa desenvolver o trabalho. A gente sabe que não é fácil no futebol brasileiro, mas estamos conseguindo.
A forte parceria com a diretoria, além da visível conexão com a torcida, explicam sua longevidade no CT do Caju. As coisas encaixaram, como ele mesmo costuma argumentar. A campanha de recuperação na Série B e a conquista de um inegociável acesso, é claro, provavelmente não seriam sinônimos de continuidade caso bons resultados não continuassem aparecendo na elite. Pelo menos é o que a história mostra.
Mas eles, os resultados, estão acima da expectativa até aqui. O time é o quinto colocado do Brasileirão, com 24 pontos, apesar de o elenco ter sido pouco reforçado. Se as coisas seguirem nesse ritmo, o feito de Geraldino finalmente será igualado quatro décadas depois.
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Os desafios e números Odair
Em 55 jogos desde que Odair Hellmann assumiu, o Athletico conquistou 25 vitórias e 12 empates, sendo derrotado 18 vezes. O aproveitamento é de 52,7%, com 71 gols anotados e 53 sofridos.
No meio do caminho também houve percalços. Na Segundona, o Furacão amargou sequência de oito jogos sem vencer (e o objetivo chegou a parecer impossível). No Paranaense deste ano, foi eliminado na fase semifinal, em plena Arena da Baixada. Mas em cenários que outros certamente cairiam, o catarinense do pequeno município de Salete permaneceu. Persistiu, trabalhou, engajou jogadores e arquibancada. E deu a volta por cima.
“Gostaria de estar melhor, fazendo um trabalho melhor ainda, e vou continuar para que isso aconteça. É um ano de um bom trabalho. Uma missão dada e uma missão cumprida. Agora uma retomada de campeonato com boa estabilização, passagem na Copa do Brasil, mas o futebol não para. Não pode achar que está tudo certo. É continuar com essa concentração. Isso tudo me bota mais energia e força para que eu vá ao clube e entregue o meu melhor”, resume.
Confira a linha do tempo de Odair no Athletico
Papito “tira leite de pedra”, aposta nos jovens e em artilheiro
Entre os rubro-negros, uma tese comum é de que Odair Hellmann tira leite de pedra. Desempenho e resultados, mesmo com normais oscilações, são positivos apesar do cobertor curto que envolve o plantel. Com pouco investimento em 2026, o técnico aposta no que tem à disposição: a base utilizada na Série B, um goleador chamado Kevin Viveros e uma safra talentosa de jovens.
O trabalho de Odair pode ser resumido em alguns pilares. Primeiro, o comandante formatou um padrão de jogo, melhorou o sistema defensivo, jogadas de bolas paradas e também trabalhou a mentalidade dos jogadores. Em segundo lugar, mantém um vestiário bem controlado e relacionamento íntimo e de confiança com a alta cúpula atleticana. Por último, ganhou o apoio maciço da torcida ao expor sua maneira de ser, transparente e sanguínea.
Não é exagero dizer que Odair Hellmann é o técnico mais marcante desde Tiago Nunes, responsável por comandar o time nos títulos da Sul-Americana de 2018 e da Copa do Brasil de 2019. Nem mesmo Felipão, que levou o Furacão à final da Libertadores de 2022, Alberto Valentim, campeão da Sula de 2021, ou até mesmo o condecorado Paulo Autuori, nas duas passagens, atingiram o mesmo status do Papito.

Retranqueiro? Odair se reinventou
O que mais surpreendeu, contudo, foi a reforma na imagem. E não na questão estética, já que Odair emagreceu bastante desde que chegou ao Athletico.
O rótulo de retranqueiro, muito marcado pelas passagens no Santos e Fluminense, ficou para trás. Inclusive, nem sequer chegou ao CT do Caju. O técnico sabia da obrigação do Furacão na Série B e armou diferentes formas de agredir os rivais. Não há dúvidas: a passagem pelo futebol da Arábia Saudita reinventou o técnico.
“Eu, junto da minha família, principalmente com minha esposa, tomei ótimas decisões. Não fui um treinador que só ficou olhando por dinheiro quando saí de alguns clubes. Fiquei esperando uma melhor situação. Fiz o movimento para fora do Brasil no timing certo e fiz o movimento de volta ao Brasil no timing certo, no lugar certo e no clube certo para que eu pudesse mostrar meu trabalho e minha capacidade”, garante.
Odair busca um time equilibrado, que se adapte aos momentos diversos do jogo. É preciso defender bem e atacar bem, como diz Carlo Ancelotti, técnico da seleção brasileira. A meta é ser competitivo, mesmo contra elencos superiores, como Flamengo e Palmeiras.
O desafio atual no trabalho, contudo, é a diferença dos níveis das atuações como mandante e visitante. Com Odair, o Athletico recuperou a força da Baixada e tem o quinto melhor aproveitamento como mandante da Série A (74%). Porém, a principal dificuldade aparece longe de Curitiba, já que a quinta pior campanha como visitante, com cinco derrotas em sete jogos, é atleticana.
Essa é a principal insatisfação do técnico e deve ser ponto de atenção para o segundo semestre do Furacão, que tem como objetivo inicial manter-se na Série A. Qualquer classificação para Libertadores ou Sul-Americana é bônus, mesmo que isso já pareça estar encaminhado.
O principal ingrediente para continuar sua história no Athletico, a confiança de Mario Celso Petraglia, Odair já tem. Agora, tentará ser o primeiro a terminar, de janeiro a dezembro, no cargo.
Um dos pilares do meu trabalho é relacionamento. Ter relação de respeito e cobrança. Da diretoria com a gente e nós com os jogadores. Nem tudo acontece como a gente quer, como a gente trabalha para isso. Tem momento de desequilíbrio e derrotas difíceis. Sempre fui muito respeitado dentro do clube e, da minha parte, sempre houve muito respeito para com as pessoas que trabalham lá, a diretoria e os jogadores. As coisas estão acontecendo bem e espero que continue assim de todas as partes.
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Fonte:: umdoisesportes.com.br




