Excesso de chuvas compromete colheita de trigo em São Paulo e reduz previsões

Redação Rádio Plug
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Foto: Foto: Pixabay

As precipitações intensas registradas ao longo do mês de setembro ameaçam derrubar a produção paulista de trigo para menos de 20% das 350 mil toneladas projet inicialmente para a safra 2026/2027. Além da forte quebra no volume colhido, o excesso de umidade durante o período de maturação e colheita afetou diretamente a qualidade dos grãos, estimando-se que apenas uma parcela entre 10% e 15% do total seja enquadrada como Tipo 1.

O cenário crítico foi debatido durante o último encontro do ano da Câmara Setorial do Trigo de São Paulo, sediado na Cooperativa Castrolanda, no município de Itaberá. O evento reuniu lideranças da produção agrícola, representantes da indústria moageira e gestores do governo estadual para analisar os reflexos climáticos no campo e debater estratégias voltadas a garantir a sustentabilidade da atividade no estado.

Conforme apontado pelo presidente da Câmara Setorial, Ruy Zanardi, a situação superou em gravidade as projeções pessimistas levantadas no encontro anterior. Embora já houvesse alertas sobre a retração no volume, a expectativa em relação à qualidade do cereal era mais otimizada. Com a intensificação dos temporais, os prejuízos se ampliaram de forma expressiva.

“A previsão de que a safra não seria boa, feita na última reunião da Câmara, se confirmou. Mas, pelos relatos que ouvimos aqui, a situação se agravou e foi pior do que o esperado. A expectativa era colher cerca de 350 mil toneladas, mas não chegaremos nem a 20% desse volume”, declarou Zanardi.

Impacto severo da umidade na lavoura

O volume de chuvas superou as médias históricas em diversas regiões produtoras paulistas a partir do início de setembro. Em determinadas localidades, os acumulados mensais atingiram a marca de 629 milímetros, o equivalente a 629 litros de água despejados por metro quadrado. A persistência da instabilidade climática mantém o alerta para potenciais perdas adicionais nas lavouras que ainda aguardam a colheita.

Diante da adversidade, o Sindicato da Indústria do Trigo no Estado de São Paulo (Sindustrigo) enfatizou a necessidade de estreitar os laços comerciais entre os agricultores e os moinhos locais. A estratégia visa valorizar o produto regional e assegurar alternativas para que os produtores possam manter seus investimentos na cultura.

O presidente do Sindustrigo, Max Piermartiri, pontuou que o processo de reerguimento da triticultura paulista exigirá resiliência diante de perspectivas econômicas desafiadoras para os próximos anos.

“O caminho daqui para frente será difícil. Ainda enfrentaremos desafios nesta safra de 2026/2027, em um cenário econômico que pode continuar complicado em 2027 e até 2028. Precisamos fortalecer a aproximação entre a produção agrícola e a indústria moageira”, avaliou Piermartiri.

Por sua vez, o vice-presidente da Câmara Setorial, José Reinaldo, destacou o caráter atípico da temporada, mantendo o otimismo quanto à capacidade de superação do setor nas próximas safras.

Valorização do grão paulista pela indústria

Apesar do revés climático na safra atual, um levantamento apresentado por Zanardi demonstrou uma melhora expressiva na aceitação do trigo regional pela indústria durante o ciclo 2025/2026. O volume adquirido pelas empresas associadas ao Sindustrigo apresentou um salto de 45,3%, avançando de 403.566 toneladas para 586.330 toneladas.

Os índices de satisfação dos compradores também registraram alta. A nota média atribuída ao trigo paulista subiu de 7,9 em 2025 para 8,9 em 2026, em uma métrica de zero a dez. Quesitos específicos como coloração, uniformidade dos lotes e sanidade obtiveram pontuações superiores na comparação com o período anterior, superando inclusive o produto importado da Argentina em grande parte dos quesitos avaliados, com exceção da homogeneidade.

No tocante à destinação industrial, o estudo indicou que o cereal do estado foi direcionado prioritariamente à panificação, respondendo por 48,9% do total, seguido pelo consumo doméstico com 33,8%, e pela fabricação de massas com 11,5%.

Cenário internacional e planejamento estratégico

Durante a plenária, o analista Fabio Cruz, representante da StoneX, apresentou um panorama do mercado global de trigo. A oferta mundial está estimada em 882 milhões de toneladas, enquanto a demanda global deve se fixar em 824 milhões de toneladas. Entre os pontos de atenção monitorados pelo setor estão o ritmo de embarques nos Estados Unidos e o desempenho das exportações provenientes da Rússia e da Ucrânia.

No âmbito sul-americano, a expectativa é de que a Argentina colha e exporte volumes expressivos, ajudando a suprir o mercado internacional em meio às incertezas geopolíticas e logísticas na região do Mar Negro. Para o Brasil, as projeções indicam volumes elevados tanto para importações quanto para exportações, impulsionados principalmente pelas oscilações nas taxas de câmbio.

A reunião da Câmara Setorial também abriu espaço para discutir a reformulação metodológica das instâncias consultivas da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo. O coordenador setorial, Felipe Camargo, detalhou diretrizes para otimizar a formulação de pautas, fixar metas de desempenho e intensificar o diálogo entre o poder público e as cadeias produtivas do estado.

Fonte:: canalrural.com.br

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