Mais de 560 funcionários do Google assinaram uma carta aberta ao CEO Sundar Pichai, na qual expressam sua oposição aos contratos militares secretos que permitem o uso da tecnologia de inteligência artificial (IA) da empresa. Dentre os signatários, estão mais de 20 diretores, vice-presidentes e pesquisadores seniores do laboratório de IA DeepMind, conforme reportado pelo Financial Times.
No documento, os funcionários solicitam que o Google rejeite completamente as chamadas “cargas de trabalho confidenciais”, destacando que usos prejudiciais da tecnologia, como armas autônomas letais e vigilância em massa, poderiam ser realizados sem o conhecimento deles.
A carta surge em um momento crítico, onde o Google se encontra próximo de finalizar um acordo com o Departamento de Defesa dos EUA para utilizar a tecnologia Gemini em operações secretas. Diferente da concorrente Anthropic, que impôs proteções rigorosas, os signatários da carta afirmam que, por serem essas redes confidenciais “isoladas da internet pública”, a empresa não teria como monitorar ou restringir o uso de sua IA.
“Nós queremos que a IA beneficie a humanidade e que não seja utilizada de formas desumanas ou extremamente prejudiciais”, diz a carta recentemente divulgada. “A única forma de assegurar que o Google não seja associado a esses danos é recusar todas as cargas de trabalho classificadas”, completa o documento. “Se não, esses usos podem acontecer sem nosso conhecimento ou capacidade de intervenção.”
O Financial Times observou que a carta foi predominantemente organizada por funcionários da DeepMind, com cerca de 40% dos signatários pertencentes à divisão de IA e outros 40% da unidade de nuvem.
Além disso, destaca-se o posicionamento da Anthropic, cujo CEO, Dario Amodei, negou ao governo dos EUA acesso irrestrito ao seu chatbot, Claude. Essa decisão fez com que a empresa fosse considerada um risco para a cadeia de suprimentos, resultando em uma proibição de uso federal imposta pelo então presidente Donald Trump, mas a Anthropic está lutando contra essa decisão na justiça.
Fonte:: convergenciadigital.com.br



