O Coritiba tem chamado atenção no cenário nacional ao equilibrar finanças modestas e resultados expressivos em sua volta à elite do futebol brasileiro. O clube paranaense ocupa atualmente a 11ª colocação da competição, acumulando 39 pontos em 31 rodadas disputadas. O desempenho em campo ganha ainda mais destaque quando comparado ao investimento financeiro feito por outros concorrentes da Série A, evidenciando uma gestão focada em otimização de recursos.
Atualmente, o Alviverde do Alto da Glória possui o quarto menor investimento mensal voltado ao departamento de futebol na primeira divisão. O patamar financeiro do Coxa supera apenas os valores despendidos por Chapecoense, Remo e Mirassol. O dado mais curioso, no entanto, diz respeito ao confronto direto com as demais Sociedades Anônimas do Futebol presentes no torneio: entre as seis SAFs que disputam a Série A do Campeonato Brasileiro, o Coritiba é justamente a que apresenta o menor custo operacional com salários e manutenção do elenco profissional.
De acordo com levantamentos recentes divulgados por veículos especializados, a folha salarial alviverde gira em torno de R$ 8 milhões por mês. Esse montante fica consideravelmente abaixo dos patamares observados em outras equipes geridas por modelos corporativos. O Cruzeiro, por exemplo, sob o comando do empresário Pedro Lourenço de Oliveira (conhecido como Pedrinho BH), lidera os investimentos entre as SAFs, com despesas mensais estimadas na casa dos R$ 30 milhões. Logo atrás aparecem o Atlético-MG, controlado pela família Menin com R$ 27 milhões mensais, e o Bahia, integrante do Grupo City, com uma fatia de R$ 22 milhões por mês.
A relação de clubes com estrutura jurídica de SAF na elite nacional ainda inclui o Vasco, com aportes de R$ 16 milhões mensais após o leilão conduzido pelo empresário Marcos Lamacchia, e o Botafogo, que movimenta cerca de R$ 15 milhões por mês em meio a discussões judiciais acerca do controle de suas operações. Diante desse cenário, a folha do Coritiba representa pouco mais de um quarto da utilizada pelo Cruzeiro e quase a metade da investida pelo Botafogo. Ainda assim, sob o comando técnico de Fernando Seabra, o time paranaense consegue figurar na tabela de classificação à frente tanto dos cariocas quanto de outras equipes com maior poder de fogo financeiro.
Panorama financeiro e as folhas salariais da Série A
A disparidade de investimentos na primeira divisão desenha um panorama em que o planejamento estratégico se torna fundamental para a sobrevivência e competitividade dos clubes. Enquanto gigantes do futebol nacional lideram o ranking de gastos mensais — caso do Flamengo, com folha estimada em R$ 37,5 milhões, e de equipes como Corinthians, Palmeiras e Cruzeiro, patinando na faixa dos R$ 30 milhões —, agremiações de menor orçamento buscam alternativas para se manter firmes na principal prateleira do esporte no país.
Abaixo do patamar ocupado pelo Coritiba, apenas três equipes operam com custos operacionais ainda mais enxutos na Série A: o Mirassol, com R$ 6 milhões mensais; o Remo, com R$ 5,5 milhões; e a Chapecoense, na base da tabela de investimentos, com R$ 3,8 milhões destinados mensalmente ao futebol profissional.
A trajetória da SAF do Coritiba e as mudanças na administração
A transição do Coritiba para o modelo de Sociedade Anônima do Futebol foi oficializada em maio de 2023, quando a venda de 90% do capital da empresa foi negociada com o fundo de investimentos Treecorp por um valor anunciado na época de R$ 1,3 bilhão. O processo de maturação da nova gestão, contudo, enfrentou turbulências iniciais e críticas veementes por parte da torcida alviverde, culminando inclusive em manifestações públicas em frente à sede da empresa em São Paulo.
Com o passar das temporadas e ajustes internos, a estrutura executiva passou por modificações. Em abril de 2025, a empresa OutField assumiu papéis de destaque na gestão após a saída de lideranças anteriores. Lucas de Paula, sócio da OutField, assumiu o posto de CEO do clube para coordenar o planejamento que resultou no acesso à Série A. Posteriormente, após novos desdobramentos administrativos, o executivo deixou o cargo no início de 2026.
Atualmente, o controle acionário da SAF permanece sob a tutela da Treecorp, enquanto o departamento de futebol passou a contar com forte influência do Grupo Independiente Del Valle (IDV), do Equador. Liderado por Michel Deller, o grupo equatoriano expandiu sua participação no fundo de investimentos para assumir o controle prático das decisões esportivas e estruturais do clube paranaense.
A atuação nos bastidores envolve figuras como James Deller, filho de Michel, que participa ativamente da rotina administrativa e do planejamento estratégico do Coritiba, embora não ocupe cargos formais na diretoria estatutária. A influência do grupo sul-americano também se refletiu em reformulações internas e na chegada de novos profissionais para áreas executivas e financeiras, buscando alinhar o clube a padrões corporativos modernos de governança e sustentabilidade a longo prazo.
Fonte:: umdoisesportes.com.br


