As autoridades da Polônia afirmaram nesta quinta-feira, 30, que a Rússia tem responsabilidade direta pelo lançamento de um projétil que atingiu o território polonês, próximo à fronteira com a Ucrânia. O episódio ocorreu em meio a uma nova onda de ataques massivos realizados pelas forças russas contra o país vizinho.
Uma forte explosão surpreendeu os moradores da localidade de Tarnawa-Kolonia, situada na região leste de Lublin. O impacto aconteceu por volta das 04h no horário local (23h de quarta-feira, 29, no horário de Brasília) e foi forte o suficiente para fazer tremer as janelas das residências da vizinhança, conforme relatado pela Polícia de Lublin em nota oficial.
O artefato detonou a cerca de 80 quilômetros de distância da fronteira ucraniana. Como resultado da explosão, formou-se uma cratera com dez metros de diâmetro e cinco metros de profundidade no terreno. No local, equipes de segurança recolheram vestígios descritos como “restos de um objeto não identificado”. Apesar da intensidade do impacto, nenhum morador ficou ferido.
Reunião de crise e investigações oficiais
Inicialmente, as instâncias locais de segurança não haviam confirmado a causa do incidente. A ocorrência coincidiu com bombardeios em grande escala conduzidos pela Rússia contra a região ucraniana de Lviv, situada no oeste ucraniano e geograficamente próxima ao território da Polônia.
Diante da gravidade da situação, o primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, deslocou-se para Lublin nas primeiras horas da manhã de quinta-feira. O premiê convocou e presidiu uma reunião de emergência com a participação do ministro da Defesa, Wladyslaw Kosiniak-Kamysz, e do ministro do Interior, Marcin Kierwinski.
A Procuradoria Militar instaurou um procedimento investigativo para esclarecer a procedência e a classificação técnica do armamento. Contudo, em declaração pública, Tusk adiantou que os vestígios materiais analisados até o momento indicam se tratar de um “míssil russo Kh-101”.
Apesar da violação do território nacional, o chefe de governo polonês ponderou que a manobra não teve premeditação contra o país. “Não há motivos para acreditar que a Polônia fosse o alvo”, declarou o primeiro-ministro durante coletiva de imprensa convocada para tratar do tema.
Repercussão internacional e posicionamento da Otan
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sibiga, corroborou a avaliação do governo polonês por meio de uma postagem na rede social X. Segundo o diplomata ucraniano, o projétil que cruzou a fronteira era um míssil de cruzeiro do modelo Kh-101 que acabou penetrando o espaço aéreo polonês durante a ofensiva noturna contra alvos ucranianos, configurando uma infração às diretrizes de segurança da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
No mesmo sentido, o presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, manifestou-se sobre o ocorrido, ratificando que o espaço aéreo da Polônia foi efetivamente violado durante a sequência de ataques com mísseis e veículos aéreos não tripulados registrados no Leste Europeu.
Fonte:: estadao.com.br




