O mercado imobiliário brasileiro continua a expandir os limites da engenharia civil e da arquitetura vertical. Um novo arranha-céu com aproximadamente 400 metros de altura e mais de cem pavimentos, planejado para a cidade de Balneá rio Camboriú, em Santa Catarina, contratou a renomada consultoria canadense RWDI para conduzir análises avançadas de aerodinâmica, ensaios em túnel de vento e soluções de amortecimento estrutural.
A escolha da empresa estrangeira traz um peso técnico significativo para o empreendimento. A RWDI é amplamente conhecida no cenário internacional por ter participado dos estudos de engenharia de vento do Burj Khalifa, localizado em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, que ostenta o título de edifício mais alto do mundo, com impressionantes 828 metros de altura. A expertise acumulada em megaprojetos globais agora é aplicada diretamente no litoral catarinense.
Os desafios da engenharia em edifícios super altos
Com o avanço vertiginoso na altura das torres modernas, o vento deixa de ser apenas um fator climático secundário e passa a integrar o núcleo das variáveis cruciais de engenharia. De acordo com o corpo técnico da Lotisa Empreendimentos, responsável pelo projeto, as rajadas e as mudanças constantes na direção das correntes de ar exercem pressões intensas sobre a estrutura principal e as fachadas de edifícios tão esbeltos.
Além de garantir a integridade física e a resistência do concreto e do aço contra ventos fortes, os engenheiros precisam lidar com um fator diretamente ligado à experiência humana: o movimento lateral. Em torres com centenas de metros de altura, oscilações e acelerações podem se tornar perceptíveis nos andares mais elevados durante tempestades ou dias de ventania intensa. O objetivo primário das análises aerodinâmicas é manter esses deslocamentos dentro de rígidos padrões de conforto para moradores e frequentadores.
Fábio Inthurn, CEO da incorporadora, acompanha de perto cada etapa do processo de planejamento e destaca a importância dos modelos físicos utilizados nos testes. Segundo o executivo, simulações em laboratório permitiram reproduzir diferentes cenários de incidência de vento sobre a maquete da futura torre catarinense.
“Os resultados fornecem dados fundamentais para o dimensionamento correto da estrutura, análise detalhada das pressões exercidas sobre fachadas e esquadrias, além da avaliação rigorosa das acelerações que poderão ocorrer ao longo de toda a extensão do edifício”, explica Inthurn.
Tecnologia de ponta contra o balanço estrutural
Entre os dados obtidos nos ensaios conduzidos pelos especialistas canadenses está a necessidade de implementação de sistemas de *mass damping*, conhecidos em português como amortecimento de massa sintonizada. Trata-se de uma tecnologia de engenharia projetada especificamente para contrabalançar e reduzir o balanço provocado pela força dos ventos. Mecanismos desse tipo tornam-se indispensáveis à medida que os prédios ganham esbeltez, altura e imponência estética.
“Em um edifício com essa magnitude, a engenharia precisa antecipar com precisão cirúrgica como os movimentos serão percebidos por quem estiver nos pavimentos superiores”, reforça o CEO da Lotisa.
As diretrizes e os resultados entregues pela RWDI serviram como base para guiar as etapas subsequentes do projeto arquitetônico e estrutural. Para garantir o mais alto nível de excelência global, a concepção estrutural, mecânica, hidráulica, elétrica e o sistema de elevadores foram delegados à WSP, outra gigante internacional da engenharia. O currículo da WSP inclui a participação em projetos icônicos como o One World Trade Center e o Central Park Tower, ambos em Nova Iorque, além do arranha-céu The Shard, na capital britânica.
Impacto econômico e expansão de mercado
O novo marco arquitetônico representa também um movimento estratégico para a incorporadora. Tradicionalmente consolidada nos mercados de Itajaí e da Praia Brava, no litoral norte catarinense, onde construiu uma trajetória sólida ao longo de duas décadas — com 36 empreendimentos entregues e mais de 1.900 imóveis finalizados —, a empresa marca agora a sua estreia de peso na área central de Balneário Camboriú.
O projeto ambicioso possui um Valor Geral de Vendas (VGV) estimado em mais de R$ 2 bilhões. O lançamento oficial do empreendimento no mercado imobiliário está programado para acontecer durante o primeiro semestre de 2027, prometendo redefinir o skyline da região e atrair olhazes de investidores de todo o país e do exterior.
Mais informações sobre as iniciativas da construtora podem ser consultadas diretamente no site oficial da empresa em http://www.lotisa.com.br.
Fonte:: diariopr.com.br


