Paraná entra em alerta com avanço do El Niño e previsão de chuvas acima da média

Autoridades alertam sobre impactos do El Niño, fenômeno que altera a circulação atmosférica e traz consequências bem definidas para as diferentes regiões do país.

Redação Rádio Plug
5 min. de leitura

Foto: Amsulep.

No Paraná, o fenômeno El Niño tende a trazer principalmente mais chuva e maior instabilidade, mas os efeitos variam conforme a região do estado. O Simepar informou que o El Niño já está sendo monitorado e que os impactos devem ganhar força ao longo do segundo semestre, com possibilidade de aumento das chuvas até o fim do ano.

O que é o El Niño?

O El Niño é um fenômeno climático natural causado pelo aquecimento acima do normal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração interfere na circulação dos ventos ao redor do planeta, provocando mudanças no clima de diversas regiões e podendo causar impactos intensos, como períodos de seca prolongada ou chuvas fortes e volumosas.

Com isso, a integração do Plano Estratégico de Enfrentamento ao El Niño 2026/2027 é extremamente necessária para precaver possíveis desastres naturais que venham a ocorrer nesse período.

Após encontro entre os prefeitos que integram a Associação dos Municípios da Região Sudoeste do Paraná (AMSULEP), formada por 12 cidades, realizado na noite de terça-feira (9), em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, foram definidas ações prioritárias para fortalecer a prevenção e resposta a situações de emergência.

Entre as medidas discutidas estão o desassoreamento de rios e córregos, a atualização dos Planos de Contingência municipais, com identificação de áreas de risco, levantamento da população vulnerável e organização dos abrigos disponíveis.

Também esteve em pauta a criação de Fundos Municipais de Defesa Civil, que permitirão agilizar o recebimento de recursos em casos de desastres, além do desenvolvimento de projetos preventivos em regiões de risco, com investimentos do Fundo Estadual para Calamidades Públicas (Fecap).

“Cada vez mais sabemos sobre a importância de nos preparamos para os efeitos das mudanças climáticas. No ano passado São José dos Pinhais passou por um tornado, nunca imaginei que isso iria acontecer no nosso município. Essas orientações sobre as ações preventivas são muito importantes porque precisamos saber o que fazer. Não queremos que aconteça, mas sabemos que existem situações que podem surgir num futuro próximo e temos que nos preparar”, ressaltou a prefeita de São José dos Pinhais, Nina Singer.

Principais impactos:

  • Maior chance de períodos com chuva acima da média, principalmente na primavera e verão.
  • Pode aumentar o risco de alagamentos, enchentes e deslizamentos em áreas vulneráveis.
  • A chuva pode ajudar algumas culturas, mas o excesso pode atrapalhar plantio, colheita e aumentar doenças nas lavouras.
  • O El Niño favorece uma atmosfera mais quente e úmida, podendo trazer: temporais, rajadas de vento, granizo, e chuvas intensas em pouco tempo.

Regiões do País:

  • Região Sul (incluindo Araucária/PR): Espera-se uma redução nas geadas severas e diminuição dos dias de frio prolongado durante o inverno. O padrão de chuvas muda, com tendência a volumes significativos e temporais mais frequentes.
  • Centro-Sul, Sudeste e Centro-Oeste: O fenômeno costuma favorecer dias de calor acima da média e pancadas de chuva que fogem ao padrão seco do inverno nessas regiões.
  • Norte e Nordeste: Há alerta para a diminuição das chuvas e aumento do risco de secas severas e queimadas.

O coordenador executivo da Defesa Civil do Paraná, coronel Ivan Fernandes, relatou que a preparação anterior é fundamental para reduzir impactos quando ocorrem casos extremos.

“Geralmente a Defesa Civil é lembrada por entregar colchões, lonas e telhas. Vamos continuar fazendo isso, mas vamos focar atenções na prevenção e na criação de maior infraestrutura para enfrentar os extremos climáticos”, disse o coronel.

Diante dos impactos provocados pelo El Niño, o fenômeno reforça a necessidade de monitoramento constante das condições climáticas e de preparação das cidades para enfrentar possíveis eventos extremos. O que exige ações preventivas, planejamento e medidas de proteção para reduzir prejuízos à população, à agricultura e à infraestrutura.

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