O turismo ecológico no Paraná vive um momento de forte expansão e deve registrar marcas históricas até o final de 2026. É o que apontam os dados consolidados pelo Instituto Água e Terra (IAT), revelando que quase meio milhão de pessoas passaram pelos parques estaduais apenas no primeiro semestre deste ano. Em destinos de aventura e contemplação bastante procurados, como é o caso do Pico Paraná, o fluxo de turistas chegou a registrar saltos expressivos, dobrando ou até triplicando na comparação com o mesmo período do ano anterior.
De acordo com o levantamento oficial divulgado pelo IAT, exatas 491.437 pessoas visitaram as unidades de conservação estaduais entre janeiro e junho. Esse volume representa um crescimento expressivo de 43,6% em relação aos primeiros seis meses de 2025, quando o patamar registrado foi de 342.207 visitantes. Com esse ritmo acelerado de crescimento, a gestão estadual projeta a possibilidade real de fechar o ano superando a marca inédita de 1 milhão de turistas circulando por essas áreas protegidas pela primeira vez na história.
O estudo estatístico abrange um total de 26 unidades de conservação que atualmente encontram-se abertas e estruturadas para receber o público. Segundo a avaliação de Rafael Andreguetto, diretor de Patrimônio Natural do IAT, o resultado reflete diretamente uma mudança de comportamento da sociedade, que tem buscado maior proximidade com os ambientes naturais. Além disso, o gestor aponta que os aportes financeiros direcionados à melhoria de acessos, ao reforço na fiscalização e ao incremento da segurança foram fundamentais para otimizar a recepção do público e estimular a visitação sustentável.
“A expectativa é que continue aumentando, principalmente com a melhoria da informação e da qualificação da infraestrutura de visitação. Trabalhamos para atrair cada vez mais pessoas para as atrações naturais do Paraná”, destaca o diretor do instituto.
Os destinos de natureza mais procurados no estado
Durante o primeiro semestre, o ranking dos locais favoritos dos turistas foi liderado por pontos tradicionais de grande relevância paisagística. A Ilha do Mel, situada no município de Paranaguá, no litoral paranaense, manteve a liderança isolada ao atrair 176.103 pessoas. Na sequência, aparecem a Serra da Baitaca, localizada entre os municípios de Piraquara e Quatro Barras na Região Metropolitana de Curitiba, com 45.275 registros; o Parque Estadual de Vila Velha, em Ponta Grossa, nos Campos Gerais, com 33.719 visitantes; o Parque Histórico do Monge, na Lapa (21.888); e o Cânion Guartelá, em Tibagi, também na região dos Campos Gerais, que contabilizou 14.652 turistas.
Por outro lado, quando se analisa o crescimento proporcional de um ano para o outro, alguns recintos ecológicos menos óbvios registraram saltos impressionantes. A Estação Ecológica do Caiuá, em Diamante do Norte, na região Noroeste, disparou 570%. Logo atrás, o Pico Paraná, localizado na divisa entre Campina Grande do Sul e Antonina, registrou uma alta de 232,6%. Outros destaques proporcionais foram Amaporã (+144%), o Parque Estadual Rio Guarani, em Três Barras do Paraná (+126,4%), o Parque São Camilo, em Palotina (+114,9%), e o Parque Estadual Rio da Onça, no litoral (+90,4%).
Expansão contínua da rede de proteção ambiental
Atualmente, o território paranaense conta com 74 Unidades de Conservação estaduais oficialmente catalogadas pelo IAT. Contudo, esse inventário territorial está prestes a ser ampliado com a formalização da 75ª unidade do sistema, o Monos de Castro, localizado no município de Castro, cuja implementação está prevista para ser concluída ainda no decorrer deste ano.
Todo esse conjunto abrange uma extensão superior a 26,5 mil quilômetros quadrados de áreas protegidas por rigorosas legislações ambientais. A estrutura é composta tanto por ecossistemas intocados, onde qualquer interferência antrópica é vedada, quanto por zonas de uso sustentável, que permitem o aproveitamento regulado de determinados recursos naturais. Um exemplo claro dessa categoria são as Áreas de Proteção Ambiental (APAs), que conciliam a presença e as atividades humanas com a preservação dos habitats naturais.
As áreas protegidas sob jurisdição do estado dividem-se estruturalmente em:
- Unidades de Conservação estaduais de Uso Sustentável, abrangendo 10.470,74 km²;
- Unidades de Conservação estaduais de Proteção Integral, com 756,44 km²;
- Áreas Especiais de Uso Regulamentado (Aresur), somando 152,25 km²;
- Áreas Especiais e de Interesse Turístico (AEIT), que totalizam 670,35 km² sob gestão do Governo do Estado.
O mosaico de conservação paranaense fica ainda mais completo com a inclusão de outras esferas de proteção, tais como:
- As Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), que representam 553,83 km²;
- As terras indígenas demarcadas, que ocupam 846,87 km²;
- As Unidades de Conservação Federais, que somam 8.840,39 km² e têm no Parque Nacional do Iguaçu, em Foz do Iguaçu, o seu expoente mais internacional;
- As Unidades de Conservação Municipais, que respondem por 3.959,55 km² de áreas verdes urbanas, a exemplo do tradicional Parque Barigui, localizado na capital Curitiba.
Fonte:: bemparana.com.br




