Paraná registra salto expressivo na produção de cachaça e ganha dezenas de novas marcas

Redação Rádio Plug
6 min. de leitura
Foto: Templo da Cachaça foto M.C divulgação

O mercado produtor de cachaça no Paraná apresentou um crescimento expressivo no período de um ano, impulsionado por um movimento de expansão que também se destacou em âmbito nacional. De acordo com os dados divulgados pelo Anuário da Cachaça, elaborado pela Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o estado registrou a abertura de 31 novos estabelecimentos voltados para essa cadeia produtiva.

Com essa alta, que representou um salto de 72,1% no número de registros paranaenses entre os anos de 2024 e 2025, o estado avançou posições importantes no ranking nacional. O Paraná subiu da 9ª para a 7ª colocação entre as unidades federativas com maior concentração de empresas dedicadas à fabricação da bebida, consolidando um polo de desenvolvimento no Sul do país.

Crescimento nacional e expansão regional

No cenário brasileiro, o levantamento oficial apontou que o número de cachaçarias registradas cresceu 21% no mesmo intervalo, marcando o maior avanço porcentual desde 2018. Ao todo, o país contabilizou 1.583 estabelecimentos legalizados, o que representa um acréscimo de 272 unidades em comparação ao período anterior.

A liderança absoluta na produção e no número de empresas permanece com Minas Gerais, que soma 564 estabelecimentos. Em seguida, aparecem São Paulo (230), Rio Grande do Sul (106) e Santa Catarina (97). Logo atrás dos catarinenses surge o Paraná, seguido por Espírito Santo (85) e Rio de Janeiro (82). A forte presença dos estados sulistas no topo do ranking reforça o potencial mercadológico da região.

Presença em municípios paranaenses e panorama do emprego

Em todo o território nacional, a atividade produtiva da aguardente está presente em 844 municípios. No Paraná, a fabricação ocorre em 45 cidades, o que corresponde a cerca de 11,3% dos municípios do estado.

Entre as cidades brasileiras que se destacam pelo volume de registros na cadeia produtiva, Salinas (MG) lidera com 27 estabelecimentos. O município mineiro é acompanhado por Alto Rio Doce (MG), com 25, e por Viçosa do Ceará (CE), com 24.

No aspecto socioeconômico, a fabricação de cachaça em âmbito nacional foi responsável por manter uma média de 6.232 postos de trabalho diretos em 2025. O montante equivale a 4,4% de toda a mão de obra empregada na indústria brasileira de fabricação de bebidas.

Mercado externo e volume de produção

O Anuário da Cachaça também detalhou o desempenho das exportações brasileiras, que alcançaram consumidores em 76 países. Durante o ano de 2025, o volume exportado chegou a quase 8 milhões de litros, traduzindo-se em um crescimento de 19,4% em relação ao ano anterior e gerando um faturamento superior a 17 milhões.

Em termos de receita financeira, os Estados Unidos figuraram como o principal destino da bebida brasileira. Já o Paraguai liderou o ranking em volume consumido, absorvendo 1,34 milhão de litros.

Apesar do avanço nas vendas externas e no número de marcas, o Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac) pontuou que o mercado internacional ainda apresenta espaço para amadurecimento. Em nota enviada à imprensa, o presidente da entidade, Vicente Bastos, avaliou que o patamar de exportação continua modesto diante da relevância do setor e do mercado global de destilados.

O documento do Ibrac também ponderou que, embora tenha havido expansão nos registros de estabelecimentos e produtos, o volume total de produção declarado em 2025 foi de 234,48 milhões de litros, refletindo uma retração de 15,77% na comparação com o ciclo precedente.

Controle de qualidade, registros e cuidados com a saúde

Atualmente, o conjunto de fabricantes de cachaça legalizados no Brasil contabiliza 8.379 produtos devidamente registrados junto ao Mapa. Órgãos oficiais reforçam que a comercialização e a produção de aguardente sem a devida autorização ministerial configuram prática ilegal.

Como medida de segurança, o Ministério da Agricultura orienta que os consumidores verifiquem sempre a presença do número de registro nos rótulos antes da aquisição. A ausência dessa identificação pode indicar origem clandestina ou falsificação.

Riscos sanitários graves foram associados a adulterações recentes, a exemplo de casos registrados entre setembro e dezembro de 2025 envolvendo a mistura imprópria de bebidas destiladas com metanol. A ingestão de substâncias contaminadas representa uma emergência médica severa, capaz de provocar cegueira irreversível, falência renal e óbito caso o atendimento de urgência não seja prestado imediatamente.

Reforçando as diretrizes do Ministério da Saúde, autoridades sanitárias lembram que não existe limite considerado seguro para a ingestão de álcool. Para casos de dependência química, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece suporte terapêutico gratuito por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS AD).

Fonte:: bemparana.com.br

Anúncios
Compartilhe este artigo