A gigante global dos fertilizantes Mosaic divulgou seu balanço financeiro referente ao segundo trimestre, reportando uma reversão significativa em seus resultados. A companhia encerrou o período com um prejuízo líquido de US$ 272,8 milhões. O desempenho contrasta fortemente com o lucro líquido de US$ 410,7 milhões registrado no mesmo intervalo do ano anterior. Em termos por ação, a empresa contabilizou perdas de US$ 0,86, enquanto no ano passado havia apresentado ganhos de US$ 1,29 por papel.
De acordo com as informações divulgadas pela administração, o resultado negativo foi fortemente impactado por US$ 351 milhões em itens extraordinários registrados antes da incidência de impostos. Quando se analisam as bases ajustadas da companhia, o lucro por ação também sofreu uma retração expressiva, caindo de US$ 0,51 para US$ 0,13 na mesma base de comparação anual.
Retração nas vendas e no Ebitda
As vendas líquidas globais da corporação apresentaram um recuo de 6% no trimestre, fechando em US$ 2,824 bilhões. Paralelamente, o Ebitda ajustado — indicador que mede a geração operacional de caixa — registrou uma queda de 28%, passando de US$ 566 milhões para US$ 407 milhões.
A gestão da empresa explicou que a contração no Ebitda ajustado decorreu principalmente da diminuição nos volumes de comercialização e do encarecimento das matérias-primas essenciais, com forte impacto nas divisões de fosfatados e na subsidiária brasileira Mosaic Fertilizantes. Esse cenário adverso foi parcialmente abrandado pela alta nos preços internacionais do fosfato e do potássio.
Analisando os segmentos de atuação de forma isolada, a divisão de Potássio demonstrou maior resiliência, com Ebitda ajustado de US$ 278 milhões, mantendo-se estável frente ao desempenho do segundo trimestre do ano passado. Em contrapartida, o setor de Fosfatados sofreu uma retração de 41%, registrando US$ 128 milhões no indicador.
Desempenho da operação no Brasil
No mercado brasileiro, a atuação por meio da Mosaic Fertilizantes também refletiu as dificuldades do período. A operação nacional registrou um Ebitda ajustado de US$ 60 milhões, o que representa uma queda acentuada de 62,3% em relação aos US$ 159 milhões apurados um ano antes. Fatores como a redução nos volumes comercializados e o encarecimento na aquisição de enxofre foram apontados como os principais motivadores para o resultado mais fraco no país.
O presidente e CEO global da Mosaic, Bruce Bodine, avaliou que o ambiente de negócios permaneceu complexo ao longo do trimestre, com destaque para os desafios logísticos e de custos associados ao enxofre. Diante desse cenário, a corporação adotou medidas de ajuste, incluindo a contenção na produção de fosfatados, cortes operucionais de despesas, redução de aportes em investimentos de capital e o fortalecimento do caixa. Segundo o executivo, essas ações preservam a flexibilidade financeira da companhia para retomar a capacidade máxima produtiva assim que o panorama de mercado apresentar melhoras.
Cenário global de commodities e perspectivas
A companhia também destacou em seu relatório que as cotações internacionais das commodities agrícolas sofreram pressões de alta ao longo do último mês. Entre os fatores de influência estão as incertezas geopolíticas e tensões no Oriente Médio, a prolongada escalada do conflito entre Rússia e Ucrânia, além de períodos de clima seco em importantes regiões produtoras ao redor do globo.
Para a diretoria da Mosaic, os patamares ainda elevados para os preços dos fertilizantes, aliados a uma restrição na disponibilidade dos insumos, elevam o risco de que ocorra uma reposição insuficiente de nutrientes no solo. Essa dinâmica tem potencial para afetar negativamente os níveis de produtividade agrícola no curto prazo, o que, por sua vez, pode estimular uma retomada mais forte na demanda por adubos e fertilizantes nos próximos períodos.
Acompanhe os preços das principais commodities do agro, como soja, milho e boi, com atualização direta das principais praças do Brasil: acesse a página de cotações do Canal Rural!
Fonte:: canalrural.com.br




