O mercado financeiro ajustou novamente suas expectativas para a economia brasileira e voltou a projetar a inflação oficial acima da marca de 5% para o ano de 2026. A atualização foi divulgada nesta segunda-feira (5) por meio do tradicional Boletim Focus, relatório publicado semanalmente pelo Banco Central que reúne as principais estimativas de instituições financeiras do país.

A revisão para cima nos indicadores ocorre logo após a divulgação do IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial calculada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice registrou alta de 0,7% no mês de setembro, número que acendeu um alerta entre os analistas econômicos e motivou o recálculo das projeções anuais.
Diante desse cenário de pressão inflacionária, a mediana das estimativas coletadas pelo Banco Central passou de 4,99% para 5,01% na taxa acumulada para o encerramento deste ano. Especialistas apontam que o comportamento dos preços continua sofrendo influências diretas do cenário internacional, marcado principalmente pela volatilidade e pelas cotações elevadas do petróleo no mercado global, que se mantêm acima de US$ 100 o barril, impulsionadas pelo conflito geopolítico envolvendo o Irã.
Expectativa de crescimento econômico e juros
Além da alteração na perspectiva inflacionária, o Boletim Focus também trouxe ajustes referentes ao ritmo de atividade econômica do país. A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026 sofreu uma leve retração, sendo rebaixada de maneira sutil para 1,85%. O movimento reflete a cautela dos agentes econômicos frente aos juros ainda restritivos e ao encarecimento dos insumos energéticos importados.
Apesar dessas movimentações nas previsões de inflação e de crescimento, os demais indicadores monitorados de perto pelo Comitê de Política Monetária (Copom) e pelos investidores permaneceram inalterados em relação à edição anterior do relatório econômico.
A taxa básica de juros da economia, a Selic, continuou com projeção estacionada em 13,5% ao ano. No câmbio, as instituições financeiras mantiveram a estimativa para a cotação da moeda norte-americana, projetando o dólar cotado a R$ 5,20 ao final do período analisado, demonstrando certa estabilidade nas expectativas cambiais a despeito das turbulências externas.
Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br


