Robô utilizado na primeira telecirurgia robótica do SUS abre caminho para a expansão no Brasil

Redação Rádio Plug
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Foto: Eder Matos: telecirurgia em pauta (Divulgação)

A primeira telecirurgia robótica de longa distância realizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) marca um momento histórico para a medicina brasileira. Além de ser um feito inédito, o procedimento demonstrou o potencial transformador da plataforma de cirurgia robótica chamada Toumai.

Essa tecnologia não apenas possibilitou a realização de uma cirurgia a cerca de 2.700 quilômetros de distância, mas também abriu novas perspectivas para a assistência cirúrgica no Brasil. O procedimento representa uma chance de pacientes terem acesso a especialistas renomados sem a necessidade de se deslocarem para grandes centros, promovendo assim uma maior equidade no acesso à saúde de alta complexidade.

O procedimento conectou em tempo real o Hospital de Amor da Amazônia, localizado em Porto Velho (RO), ao Hospital de Amor em Barretos (SP). Nesse contexto, um cirurgião conseguiu realizar remotamente a ressecção de um tumor intestinal utilizando a plataforma robótica. Essa operação foi possibilitada por uma infraestrutura avançada de conectividade, que inclui enlaces redundantes de comunicação, sistemas de contingência e rigorosos protocolos de segurança, garantindo uma sincronização quase instantânea entre os comandos do cirurgião e os movimentos do robô durante todo o procedimento.

Eder Mattos, Gerente Nacional de Educação em Cirurgia Robótica da Hospcom, afirmou que a telecirurgia representa uma das maiores evoluções da cirurgia minimamente invasiva. “Os benefícios vão muito além da tecnologia. A telecirurgia permite democratizar o acesso à medicina de alta complexidade, fazendo a conexão de especialistas com pacientes em regiões remotas ou com carência de profissionais altamente qualificados. Adicionalmente, oferece precisão elevada nos movimentos, uma visão tridimensional ampliada em até dez vezes, filtra o tremor fisiológico, causa menor trauma cirúrgico, reduz a dor pós-operatória, diminui o risco de infecção e contribui para uma recuperação mais rápida e uma menor duração da internação. Outro aspecto relevante é a possibilidade de colaboração entre especialistas de diferentes países, permitindo que um paciente seja operado por um ou mais experts internacionais sem precisar deixar seu local de residência”, explicou.

Embora os benefícios da telecirurgia sejam expressivos, Mattos ressaltou que os principais desafios não estão relacionados à técnica cirúrgica em si, mas sim à robustez da infraestrutura tecnológica nos locais envolvidos na conectividade com o robô.

Para assegurar a confiabilidade das operações, os Ministérios das Comunicações e da Saúde, em conjunto com o Hospital de Amor, estabeleceram um protocolo específico voltado para a conectividade necessária durante as telecirurgias robóticas. A operação se utilizou de duas conexões independentes de fibra óptica, além de redundância na rede 5G e uma VPN dedicada, garantindo a estabilidade e a continuidade da comunicação durante todo o processo. Um requisito fundamental foi a manutenção da latência abaixo de 200 milissegundos, um parâmetro considerado essencial em nível internacional para assegurar uma resposta praticamente instantânea entre o comando emitido pelo cirurgião remoto e o movimento da plataforma robótica. Second Mattos, o verdadeiro impacto da telecirurgia e da tele mentoria vai além da inovação tecnológica. “A telecirurgia não substitui o cirurgião; ela amplia suas capacidades. A tecnologia permite levar conhecimento, experiência e excelência cirúrgica para qualquer lugar do mundo. O maior desafio atualmente não é demonstrar sua viabilidade técnica, mas sim criar condições para sua expansão com segurança, sustentabilidade econômica e respaldo regulatório”, afirmou.

O especialista também observou o crescimento acelerado da cirurgia robótica em todo o mundo. “Atualmente, essa tecnologia está presente em várias especialidades médicas, incluindo urologia, ginecologia, cirurgia geral, pediatria, cirurgia plástica, oncologia, cirurgia cardíaca, torácia, cabeça e pescoço, colorretal, entre outras. Estima-se que existam cerca de 84 plataformas robóticas em desenvolvimento ao redor do Globo para diferentes aplicações. No Brasil, atualmente cinco sistemas estão em operação clínica, dentre os quais está o Toumai, que é distribuído exclusivamente pela Hospcom.”

O Toumai representa uma nova geração de plataformas de cirurgia robótica desenvolvidas para realizar procedimentos minimamente invasivos de alta complexidade. O sistema combina visão tridimensional em alta definição, instrumentais articulados com sete graus de liberdade e controle preciso dos movimentos, reproduzindo com fidelidade os gestos do cirurgião, oferecendo alta estabilidade, ergonomia e reduzindo a fadiga durante longos procedimentos.

Os benefícios para os pacientes incluem incisões menores, menor perda de sangue, redução da dor pós-operatória, diminuição do risco de infecção, uma recuperação mais ágil e menor tempo de internação, colaborando para uma experiência cirúrgica mais segura, eficiente e humanizada.

Focado em precisão, confiabilidade e segurança, o Toumai™ combina recursos tecnológicos avançados com uma interface inteligente, reaquecendo a realização de procedimentos complexos em múltiplas especialidades cirúrgicas. A plataforma já ganhou reconhecimento internacional por seus resultados clínicos, eficiência operacional e pela capacidade de integrar soluções inovadoras, como telecirurgia e teleproctoria.

Sobre a Hospcom: Com mais de 20 anos de atuação, a Hospcom se consolidou como uma das principais empresas brasileiras em soluções tecnológicas para o setor de saúde. Presente em todo o Brasil e em diversos países da América Latina, a empresa representa fabricantes globais de alta tecnologia e se dedica à transformação da medicina por meio da oferta de equipamentos de última geração, educação médica continuada e suporte especializado. Seu portfólio compreende soluções voltadas para cirurgia robótica, diagnóstico por imagem, ultrassonografia, monitoramento, centro cirúrgico e outras tecnologias médicas, sempre com o objetivo de promover inovação, eficiência operacional, segurança do paciente e ampliação do acesso à medicina de excelência.

Fonte:: bemparana.com.br

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