O cenário do futebol feminino brasileiro testemunhou um capítulo histórico neste sábado (3). Em uma partida eletrizante disputada no Estádio do Morumbis, o São Paulo segurou o empate por 1 a 1 contra o Corinthians e garantiu, de forma inédita, o título do Campeonato Brasileiro A1. A conquista coroa a campanha tricolor e quebra a longa hegemonia do rival alvinegro, que dominou as últimas temporadas da modalidade.
A força da torcida são-paulina também entrou para os livros de recordes. Com exatas 49.405 pessoas presentes nas arquibancadas, o confronto estabeleceu a maior marca de público em uma partida entre clubes de futebol feminino na história da América do Sul. O feito superou o recorde anterior estabelecido na final de 2024, quando o próprio Corinthians levou mais de 44 mil torcedores à Neo Química Arena justamente em um clássico contra o São Paulo.

Emoção do apito inicial ao fim
A decisão começou com um roteiro que relembrou o primeiro duelo da final. Na ocasião, o Corinthians havia saído na frente antes dos 10 minutos, mas permitiu o empate e a posterior virada tricolor por 2 a 1. Desta vez, no entanto, foi o São Paulo que inaugurou o marcador logo aos 10 minutos de bola rolando.
A lateral Bia Menezes recebeu um lançamento pela esquerda e, contrariando a expectativa de um cruzamento para a grande área, arriscou um chute direto. A finalização surpreendeu a goleira Nicole, que estava em ângulo desfavorável, e parou no fundo da rede, incendiando a torcida mandante e colocando as Soberanas em vantagem no placar agregado.
Com a desvantagem ampliada, o Corinthians precisou adotar uma postura mais ofensiva. A reação alvinegra veio aos 18 minutos, beneficiada por uma falha na saída de bola adversária. Após um lançamento longo sem grande perigo, a goleira Carlinha tentou o corte, mas acabou chutando a bola diretamente contra o pé de Juliete. O rebote involuntário morreu no fundo do gol, igualando o marcador no Morumbis.
O susto acordou a equipe são-paulina, que chegou a balançar as redes novamente aos 23 minutos com a atacante Crivelari, em cabeceio certeiro. Contudo, a arbitragem assinalou impedimento no lance, anulando o tento que daria a liderança parcial novamente às donas de casa.
Penalidade perdida e pressão final
Na volta para o segundo tempo, o Corinthians adiantou suas linhas de marcação, sufocando a saída de bola do São Paulo e criando oportunidades perigosas. Jaqueline arriscou de longa distância para defesa segura de Carlinha, enquanto Jhonson recebeu livre dentro da área tricolor, mas finalizou para fora, desperdiçando boa chance de virar o confronto.
O momento mais tenso da etapa complementar ocorreu aos 20 minutos. Após cobrança de falta pela direita, a defensora Robinha puxou Érika dentro da área. O lance foi revisado e confirmado pelo VAR, resultando em pênalti assinalado a favor do Timão. Caso convertida, a cobrança igualaria o placar agregado e levaria a decisão para as penalidades máximas.
Na batida, Gabi Zanotti chutou fraco no canto esquerdo, permitindo que a goleira Carlinha fizesse a defesa firme, sem dar rebote, e salvasse o São Paulo da desvantagem.
Com o alívio da penalidade defendida, a partida ganhou contornos de instabilidade. Ambas as equipes buscaram o gol da vitória em jogadas abertas, embora sem a organização necessária para transformar a correria em chances reais de perigo. Os minutos finais foram dramáticos, estendendo-se por mais de nove minutos de acréscimo antes de o árbitro encerrar o duelo e confirmar a festa tricolor no gramado.
Embora a conquista são-paulina tenha interrompido a sequência de títulos consecutivos do Corinthians — que havia vencido as últimas seis edições e sete dos últimos oito campeonatos —, a hegemonia estadual foi mantida. Pelo décimo ano consecutivo, o troféu do Brasileirão Feminino fica no estado de São Paulo, somando os sete canecos corinthianos aos títulos solitários de Santos, Ferroviária e, agora, do São Paulo.
Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br


