Sobe para 27 o número de casas interditadas após explosão no Jaguaré

Redação Rádio Plug
5 min. de leitura
Foto: © Frame Câmera de segurança

Até o final da noite de quarta-feira (13), 112 imóveis localizados no bairro do Jaguaré, em São Paulo, passaram por vistorias técnicas após a explosão ocorrida na última segunda-feira (11). Dentre esses, 86 foram considerados seguros e liberados para reocupação, enquanto 27 casas apresentaram danos significativos e foram interditadas. As vistorias foram realizadas pela Defesa Civil do Estado de São Paulo, em conjunto com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), além de equipes da Sabesp e Comgás.

Uma nova comissão foi formada para reavaliar as condições estruturais das casas interditadas, com objetivo de garantir a segurança dos moradores. De acordo Além disso, as famílias afetadas estão sendo hospedas em hotéis devido à situação de emergência.

As concessionárias de água e gás, Sabesp e Comgás, informaram que se responsabilizarão por todos os danos causados aos imóveis, incluindo os custos de reconstrução. As equipes dessas empresas já iniciaram reparos nas residências que foram liberadas após a vistoria técnica.

A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) notificou a Sabesp e a Comgás para apresentarem esclarecimentos sobre os eventos que levaram à explosão. As empresas têm até esta sexta-feira (15) para enviar as informações requisitadas.

O governo do estado destacou que essa medida faz parte de um processo de fiscalização para investigar as causas do incidente. A documentação que será recebida pelas concessionárias será cuidadosamente analisada, podendo resultar em ações corretivas conforme os contratos existentes.

Além disso, o estado de São Paulo criou a Gerência de Apoio do Jaguaré, conforme a publicação no Diário Oficial do Estado desta quinta-feira (15). Esta gerência terá a função de coordenar as ações emergenciais voltadas ao atendimento das vítimas e à recuperação da região afetada pela explosão.

Privatização da Sabesp e repercussões

Nesta quarta-feira (13), o governador Tarcísio de Freitas visitou a área afetada e abordou a privatização da Sabesp, a maior empresa de saneamento do país, que foi completada em 23 de julho de 2024. Essa privatização ocorreu em meio a um longo processo repleto de controvérsias, incluindo investigações de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) e críticas quanto à desarticulação do serviço público.

O Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (SEESP) emitiu uma nota de pesar em associação ao ocorrido, condenando o que considera um desmantelamento das estruturas de saneamento. O sindicato classifica o incidente como uma tragédia que requer uma investigação rigorosa, além de uma revisão das políticas de gestão que colocam em risco tanto a segurança dos trabalhadores quanto a qualidade dos serviços oferecidos.

A nota do SEESP ressalta a complexidade do saneamento básico como uma atividade essencial, dependente de mão de obra qualificada e continuamente treinada. Destaca que priorizar excessivamente metas financeiras de curto prazo, por meio de programas de demissão e terceirização, compromete a segurança das operações e a qualidade dos serviços prestados à população.

Da mesma forma, o Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema) expressou sua preocupação em relação à perda de controle público, que reduz o papel do governo em decisões estratégicas. A entidade já havia alertado sobre as demissões que ocorreram desde a privatização da Sabesp, o que aumenta o risco de acidentes em decorrência da diminuição das equipes encarregadas de manutenção e resposta a emergências.

Julgamento da Privatização no STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) começou em março deste ano a discutir a legalidade da privatização da Sabesp. O ministro Cristiano Zanin foi o primeiro a votar a favor da manutenção do processo de desestatização. A análise começou em ambiente virtual, mas foi suspensa logo em seguida devido a um pedido de destaque pelo ministro Luiz Fux.

O pedido, protocolado pelo Partido dos Trabalhadores (PT), argumenta que a empresa foi vendida por um valor abaixo do mercado e criticou a restrição na participação de acionistas, o que favoreceu apenas uma concorrente no setor.

A situação continua a gerar discussões e irá demandar atenção das autoridades competentes para garantir a proteção dos interesses da população e a qualidade dos serviços prestados.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

Advertisements
Compartilhe este artigo