Em entrevista recente, o músico baiano refletiu sobre o papel da arte, o impacto da inteligência artificial e a relação com o público ao longo de décadas de experimentação. Ao ser desafiado a imaginar uma canção inspirada em Curitiba, cidade onde se apresenta no dia 1º de novembro, no Tork n’ Roll, o compositor recorreu à memória de figuras marcantes da capital paranaense, como o urbanista Jaime Lerner, e convidou o linguista Caetano Galindo para uma possível parceria criativa.
Aos nonagenários palcos, Tom Zé leva um repertório que mescla novas composições e clássicos. Para ele, a música cumpre o papel de desacomodar e questionar. “Construir e servir à humanidade é processo intrínseco a qualquer desmontagem”, pontua o artista, ao avaliar o cenário cultural e social contemporâneo.
### Da Bahia ao Tropicália e o reconhecimento internacional
Antônio José Santana Martins nasceu em Irará, na Bahia, em outubro de 1936. Sua infância foi marcada pelo sertão nordestino e pelo primeiro contato com o violão na adolescência. Na juventude, integrou movimentos culturais ligados ao teatro e à música, tendo atuado como diretor musical do Centro Popular de Cultura antes de ingressar na Escola de Música da Universidade Federal da Bahia nos anos 1960.
Em 1968, mudou-se para São Paulo a convite de Caetano Veloso para integrar o movimento tropicalista. No mesmo ano, venceu o IV Festival de Música Popular Brasileira com a canção “São Paulo, Meu Amor” e participou do emblemático álbum coletivo *Tropicália ou Panis et Circensis*, além de lançar seu primeiro disco solo, *Grande Liquidação*.
Durante as décadas seguintes, álbuns como *Todos os Olhos* (1973) e *Estudando o Samba* (1976) consolidaram sua reputação de inovador, utilizando elementos experimentais e objetos inusitados nas gravações. No entanto, diante das dificuldades comerciais no final dos anos 1980, chegou a planejar o retorno à Bahia para trabalhar no comércio de familiares.
A reviravolta na carreira veio quando o músico americano David Byrne, fundador da banda Talking Heads, descobriu sua obra e o lançou internacionalmente pelo selo Luaka Bop. A partir da década de 1990, álbuns como *Com Defeito de Fabricação* (1998) alcançaram projeção global, figurando em listas de publicações prestigiadas como o jornal *The New York Times*.
Ao longo de sua vasta discografia, que inclui marcos como *Tropicália Lixo Lógico* (2012) e *Língua Brasileira* (2022), Tom Zé também expandiu sua atuação para a literatura e a academia, tornando-se membro da Academia Paulista de Letras em 2022. Casado com a jornalista e produtora Neusa Martins desde 1970, o músico segue ativo, compondo e reafirmando a importância de olhar ao redor para dialogar com o próprio tempo.
**Serviço**
* **Evento:** Tom Zé – Show de 90 Anos em Curitiba
* **Data:** 1º de novembro de 2026 (domingo)
* **Horário:** 20h (abertura da casa às 19h)
* **Local:** Tork n’ Roll – Avenida Marechal Floriano Peixoto, 1695 – Rebouças, Curitiba (PR)
* **Ingressos:** Disponíveis online
Fonte:: bemparana.com.br


