Indústria do Brasil cresce em abril com demanda externa, mesmo sob pressão de guerra

Redação Rádio Plug
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Trabalhadores em treinamento na nova fábrica de...

SÃO PAULO, 4 de maio (Reuters) — A indústria brasileira observou um crescimento em abril, marcando um aumento na produção pela primeira vez em um ano. Esse avanço foi impulsionado principalmente por novas encomendas de exportação, apesar dos desafios impostos pela guerra no Oriente Médio, que afetou os preços de insumos e produtos finais, conforme indicado na pesquisa divulgada nesta segunda-feira.

De acordo com o Índice de Gerentes de Compras (PMI) da indústria brasileira, elaborado pela S&P Global, o indicador subiu para 52,6 em abril, em comparação aos 49,0 registrados em março, atingindo o patamar mais alto em 14 meses. A marca de 50 serve como referência, separando o crescimento da contração.

Setor industrial mostra desempenho misto

A análise da S&P Global revela que abril apresentou um desempenho misto para o setor industrial no Brasil. Embora o aumento da produção tenha sido um indicativo positivo, muito disso foi compensado pela fraqueza persistente do mercado interno, que resultou em uma nova queda no total de novos pedidos. Pollyanna De Lima, diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence, destacou que a elevação nos volumes de produção foi impulsionada por uma demanda crescente por ciertos produtos, especialmente em meio ao receio de novos aumentos de preços atribuídos ao conflito no Oriente Médio.

Os dados qualitativos apontam que as empresas também buscaram aumentar seus estoques de contingência, atendendo à demanda externa que, por sua vez, apresentou um crescimento significativo, alcançando a maior taxa de novos negócios de exportação em um ano e meio.

Empresas relataram que as tarifas competitivas dos Estados Unidos ajudaram a abrir novas portas em mercados internacionais, com menções a ganhos em países como Argentina, Itália, México e Polônia.

Desafios no mercado interno

Apesar do crescimento nas exportações, o total de novas encomendas enfrentou uma diminuição em abril, marcando a 13ª queda consecutiva. Os participantes da pesquisa citam como principais obstáculos os desafios econômicos no mercado interno, a concorrência acirrada e a demanda insatisfatória.

Em meio a esse cenário desafiador, os produtores brasileiros começam a aumentar contratações, registrando um crescimento no emprego pelo terceiro mês consecutivo. Esse aumento ocorreu no ritmo mais acelerado desde fevereiro de 2025, com uma clara preferência por contratações em tempo integral, ao invés de temporárias. Essas contratações são apoiadas por expectativas otimistas em relação a um potencial crescimento futuro, impulsionado pela esperança de um desfecho para a guerra no Oriente Médio.

Aumento de custos sob pressão de conflitos

Entretanto, as pressões inflacionárias continuam a ser um fator de preocupação. O conflito entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã elevou as taxas de inflação tanto para insumos quanto para os preços praticados pelos produtores. Em abril, muitos fabricantes buscaram se proteger contra a escassez de materiais, fazendo compras adicionais, mas se depararam com pressões de custos que não eram vistas desde a pandemia de Covid-19.

Com exceção desse período, a taxa de inflação de insumos registrado foi a mais alta desde o início das medições. Isso se deu em meio ao aumento dos preços de frete, combustível e petróleo, que impactaram diversos materiais devido ao conflito em curso.

Por outro lado, a taxa de aumento nos preços cobrados pelos fabricantes permaneceu consideravelmente abaixo do aumento dos custos dos insumos, sugerindo que muitos fabricantes absorveram uma parte significativa de seus custos adicionais.

Em suma, o cenário industrial brasileiro em abril retrata um paradoxo: enquanto a demanda externa oferece uma luz no fim do túnel, as dificuldades no mercado interno e a inflação elevada continuam a desafiar a sustentabilidade desse crescimento no médio e longo prazo.

Fonte:: infomoney.com.br

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